Alfândega apreendeu 715 cigarros electrónicos em 2025

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Em 2025, as operações de combate ao contrabando de cigarros electrónicos nos postos fronteiriços de Macau permitiram descobrir 344 casos de infracção, que resultaram na apreensão de 715 dispositivos e mais de 450 mil cápsulas. Em resposta a uma interpelação escrita da deputada Ella Lei, a chefe do Gabinete do Secretário para a Segurança, Lam In Sang, garantiu que as autoridades têm vindo a reforçar as medidas de prevenção e repressão da entrada de droga em Macau, nomeadamente através do aprofundamento da cooperação regional e internacional.

Os Serviços de Alfândega contabilizaram 344 infracções relacionadas com cigarros electrónicos em 2025. Ao longo do ano passado, as autoridades confiscaram 715 dispositivos de cigarros electrónicos e mais de 450 mil cápsulas de cigarros electrónicos nos postos fronteiriços de Macau, segundo indicou a chefe do Gabinete do Secretário para a Segurança, Lam In Sang.

A informação consta num documento de resposta a uma interpelação escrita da deputada Ella Lei, em que esta expressa preocupação com a “crescente dissimulação do consumo de drogas entre os jovens” e o papel que os cigarros electrónicos podem desempenhar nesta questão, através da possibilidade de adulteração dos mesmos com substâncias estupefacientes.

Dados do Sistema de Registo Central dos Toxicodependentes de Macau indicam que o número de toxicodependentes no território diminuiu no primeiro semestre de 2025, em comparação com o período homólogo do ano anterior, e que nenhum dos casos registados envolveu jovens menores de 21 anos. No entanto, no terceiro trimestre do mesmo ano, o consumo de estupefacientes e os casos de tráfico de droga tiveram aumentos respectivos de 72% e 37%, em termos anuais.

Face a estes dados, a deputada ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) nota que, embora “as acções das autoridades” tenham “alcançado resultados positivos”, é essencial manter o alerta quanto às mais recentes tendências de uso de estupefacientes, sobretudo entre os jovens. “Embora estes valores permaneçam proporcionalmente inferiores aos níveis de 2019, o crescimento registado é acentuado, tornando incontornável a necessidade de reforçar o combate”, argumenta.

Neste sentido, Ella Lei propõe a adopção de medidas preventivas “a nível familiar e transfronteiriça” e o reforço da cooperação com as regiões vizinhas “no intercâmbio de informações e no combate conjunto, de modo a eliminar o risco de Macau se tornar um posto de trânsito intermédio de drogas”.

Os cigarros electrónicos incluem-se nesta discussão, como instrumentos que podem “ser facilmente adulterados com substâncias estupefacientes”. Apesar de o seu fabrico, venda, importação e exportação serem proibidos desde 2022, ao abrigo do ainda vigente Regime de prevenção e controlo do tabagismo, Ella Lei defende medidas ainda mais rígidas: “manifesto a minha concordância com a posição recente das autoridades, no sentido de promover a legislação para proibir, integralmente, a posse de cigarros electrónicos”.

No final da sua interpelação, questiona ainda: “Como é que as autoridades vão reforçar a aplicação da lei, nomeadamente, através da intercepção do transporte ilegal nos postos fronteiriços, do combate a lojas suspeitas de venderem estes produtos e da imposição de sanções mais severas para as respectivas infracções?”.

ALFÂNDEGA REGISTOU 344 INFRACÇÕES EM 2025

Na sua resposta, a chefe do Gabinete do Secretário para a Segurança, Lam In Sang, começa por fazer um balanço das mais recentes acções de combate ao tráfico de droga.

De Junho de 2025 (mês em que o etomidato, conhecido como óleo espacial, e três outras substâncias semelhantes passaram a ser classificados drogas controladas) a Janeiro de 2026, as autoridades de Macau descobriram “um caso relevante” que resultou na apreensão de três cápsulas de cigarros electrónicos que continham etomidato no seu óleo. Significa isto “que a entrada dessas substâncias já é efectivamente controlada em Macau”, defende a responsável.

Adianta, ainda, que os Serviços de Alfândega dispõem de equipamentos de inspecção aduaneira em todos os postos fronteiriços, que permitiram descobrir 344 casos de infracção só em 2025. Para além disso, foram confiscados 715 dispositivos e mais de 450 mil cápsulas de cigarros electrónicos.

A prevenção e a repressão da entrada de droga em Macau são objectivos prioritários da área de segurança, sublinha a chefe do gabinete. Para este efeito, têm sido realizadas, “de forma contínua”, reuniões com o objectivo de ajustar as medidas de execução da lei, aprofundar a cooperação internacional e regional e desenvolver trabalhos de prevenção da actividade criminal ligada à droga.

Ao mesmo tempo, “a Polícia instalou sistemas de aplicação tecnológicas nos principais postos fronteiriços de Macau”, incluindo o Aeroporto de Macau e a Ponte Hong Kong – Zhuhai – Macau, “no sentido de aumentar a capacidade de alerta de riscos” e intensificar “o controlo de mercadorias adquiridas online ou por via postal”.

Segundo adianta Lam In Sang, têm também sido realizadas “acções de prevenção e repreensão criminal surpresa em locais de alto risco”, como estabelecimentos nocturnos, e campanhas educativas específicas. Em 2025, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) dinamizou 13 palestras de prevenção criminal em escolas de Macau, as quais contaram com a participação de cerca de 3.400 professores e alunos. Por sua vez, a Polícia Judiciária (PJ) efectuou 140 palestras e actividades de divulgação e contactou mais de 31.000 pessoas.