Coutinho quer que Macau seja mais atractiva para os visitantes

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FOTOGRAFIA ELOI CARVALHO

O deputado José Pereira Coutinho apresentou uma interpelação escrita ao Governo em que pede medidas para reforçar a atractividade de Macau enquanto destino turístico, de forma a reduzir o número de excursionistas e a aumentar a média de pernoitas na região. De acordo com o deputado, o fluxo de turistas recebidos durante a realização de concertos ou outros eventos de grande dimensão é uma oportunidade para promover o turismo cultural nas suas várias vertentes, como a arte ou a gastronomia.

José Pereira Coutinho chamou a atenção para o paradoxo entre o crescente número de visitantes em Macau e o número médio de pernoitas na região, que se mantém baixo. Numa interpelação escrita remetida ao Governo, o deputado apela à criação de medidas destinadas a reter os turistas em Macau e ao reforço da atractividade da cidade, nomeadamente através da promoção da cultura local.

Na mensagem encaminhada ao Executivo, Coutinho começa por notar “o aumento substancial de eventos de grande envergadura” no território, entre os quais se incluem “concertos, seminários, exposições e excursões”. Apesar do crescente fluxo turístico – que, aliás, atingiu um novo máximo em 2025 –, a média de pernoitas continua a corresponder a menos de duas noites por pessoa.

“Esta situação deriva da ausência de medidas eficazes para justificar estadias mais longas”, argumenta o deputado, realçando que uma permanência mais prolongada na região implicaria um maior investimento em alojamento, alimentação, transportes e “outras despesas não jogo”.

Segundo o mais recente relatório divulgado pela Direcção dos Serviços de Turismo (DST), os visitantes do interior da China continuaram a dominar o mercado turístico de Macau no ano de 2025, constituindo 72,4% do total de visitantes. Numa outra tabela disponibilizada pelo organismo, é possível observar que mais de metade dos visitantes do ano passado eram excursionistas – ou seja, entraram e saíram da cidade no mesmo dia.

José Pereira Coutinho reconhece o fenómeno dos visitantes que fazem “viagens relâmpago de um dia ou uma noite apenas para jogar nos casinos, deixando à parte o turismo de lazer ou cultural”. Por outro lado, também muitos turistas internacionais (ou aqueles “provenientes das longínquas províncias do interior do continente) optam por pernoitar na cidade de Zhuhai, que disponibiliza hotéis luxuosos a preços inferiores aos de Macau. É o caso do recém-inaugurado Hyatt Regency, localizado a “centenas de metros” da fronteira que separa as duas regiões.

De acordo com o deputado, Macau mostra-se também incapaz de competir com a atractividade de outras cidades da Grande Baía, figurando muitas vezes como “uma parada rápida numa ‘tour’ mais ampla” por cidades como Hong Kong, Shenzhen ou Cantão.

Com base nos problemas apresentados, Coutinho conclui a interpelação com três questões direccionadas ao Governo. Na primeira, o deputado e presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) pergunta quais as medidas planeadas para “reter os visitantes no final dos concertos e grandes festividades”, evitando que sejam “recambiados” para as fronteiras.

Para além de este tipo de visitantes ser essencial à sobrevivência de muitas pequenas e médias empresas, a sua passagem pela região constitui também uma oportunidade valiosa para difundir a cultura local. A este propósito, Coutinho questiona quais as medidas que têm sido desenvolvidas para “promover a herança luso-chinesa única através de rotas temáticas, festivais de arte, música, gastronomia aprofundada (não apenas os pastéis de nata) e casas histórico-artísticas”.

Por fim, o deputado interroga o Governo quanto às medidas planeadas para facilitar a emissão de “vistos múltiplos que englobem mais dias de permanência na RAEM, para além da passagem por Hong Kong e pela província de Guangdong de forma mais integrada”. Coutinho propõe ainda que os circuitos turísticos de Macau apresentem alternativas às mesas de jogo, contemplando locais como os lagos do NAPE, a doca dos pescadores em Coloane ou mercados nocturnos.