Alunos do ensino secundário têm interesse “intermédio” por questões globais

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FOTOGRAFIA ELOI CARVALHO

Um estudo da Associação de Formação de Intercâmbios Internacionais de Macau (AIAET) revela que a maioria dos estudantes do ensino secundário dispensa menos de uma hora a informar-se sobre temas como a política internacional e outras questões globais. Entre os temas que mais interesse despertam nos jovens de Macau, incluem-se a situação política, o desenvolvimento tecnológico e a igualdade entre homens e mulheres.

O nível global de atenção que os alunos do ensino secundário de Macau prestam a assuntos internacionais situa-se num nível “intermédio”, sendo que a maioria dedica menos de uma hora ao acompanhamento de notícias do mundo. Os dados constam no “Estudo sobre o Nível de Atenção dos Alunos do Ensino Secundário de Macau aos Assuntos Internacionais 2024”, elaborado e divulgado pela Associação de Formação de Intercâmbios Internacionais de Macau (AIAET).

O estudo foi elaborado no final de 2024, a partir de 714 questionários distribuídos por 18 escolas da região. Numa escala de 0 a 10, os resultados posicionam os alunos de Macau num nível intermédio de 5,74 pontos quanto ao interesse por temas que afectam outros países e regiões. Das mais de sete centenas de alunos inquiridos, uma percentagem significativa de 70% disse dedicar menos de uma hora por semana ao acompanhamento da “actualidade internacional”.

Por sua vez, os alunos que dispensam mais de 2,5 horas semanais revelam um nível de atenção bastante superior à média global, estimado em 8,31 pontos. Também os inquiridos que já tinham participado em actividades relacionadas com assuntos internacionais demonstram um nível de atenção de 6,74 pontos, ligeiramente superior à média. Com base nestes dados, é possível concluir “que dedicar mais tempo e participar em actividades relacionadas contribui para elevar a atenção prestada” a estes temas, vinca a AIAET.

De acordo com as respostas recolhidas nos questionários, as áreas de maior interesse para os alunos no domínio dos assuntos internacionais relacionam-se com a situação política, o desenvolvimento tecnológico e a cultura social, cada uma com percentagens respectivas de 47,8%, 39,5% e 33,5%. Olhando para as metas definidas pelos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas (ONU), aquelas que mais captam a atenção dos jovens de Macau são a igualdade de género (44%), a erradicação da pobreza (38,2%) e a erradicação da fome (37,1%).

Apesar da popularidade das redes sociais, a televisão continua a ser o principal canal para a obtenção de notícias internacionais para 66,8% dos alunos do ensino secundário. As plataformas de Instagram e YouTube, muito baseadas na publicação de imagens e vídeos, são utilizadas para o mesmo fim noticioso por 49,4% e 43% dos inquiridos, respectivamente.

Os resultados do inquérito foram divulgados ao público numa conferência de imprensa apresentada pela presidente da AIAET, Cheong Kin Na. Na ocasião, a responsável assinalou que a instituição “tem vindo a desenvolver continuamente projectos diversificados”, sendo sua intenção estabelecer, futuramente, “um conjunto de indicadores de monitorização prospectivos e um mecanismo de avaliação de longo prazo” para recolher dados exactos sobre este tópico, “estabelecendo assim uma base institucional e sustentável que promova a participação dos jovens nos assuntos internacionais”.

A presidente da AIAET fez ainda notar que o reforço da perspectiva internacional dos jovens de Macau requer uma colaboração entre vários sectores, incluindo “o governo, as escolas e a sociedade”. De acordo com as sugestões apresentadas na conferência de imprensa, o primeiro pode interligar-se directamente com o segundo ao elaborar linhas orientadoras da política educativa e integrar temas internacionais e sociais nos currículos escolares, contribuindo para fomentar as “perspectivas globais e a consciência cívica dos alunos”.

Relativamente aos demais sectores da sociedade, Cheong Kin Na sugere que se intensifique o investimento de recursos e o apoio às associações juvenis na organização de actividades relacionadas. As iniciativas de divulgação social devem também adaptar-se às características dos jovens, de forma a melhorar a “precisão e a acessibilidade da informação” e a aprofundar “a diversidade e a abrangência do envolvimento dos jovens”.