Macau é a segunda região asiática com menos ‘stress’ – e a décima em todo o mundo

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FOTOGRAFIA ELOI CARVALHO

Um ranking da revista CEOWORLD posicionou Macau em décimo lugar numa lista de 197 países e territórios de todo o mundo, organizados dos menos aos mais tensos. A Europa domina a lista até à sétima entrada, ocupada por Singapura. Portugal surge em 44.º lugar, abaixo da maioria dos restantes países do sul da Europa.

 

Macau figura no décimo lugar de um ranking relativo aos países e regiões com menos ‘stress’ em todo o mundo, elaborado pela revista CEOWORLD. A RAEHK e o interior da China surgem mais abaixo, nos 22º e 73º lugares, respectivamente.

A lista encontra-se organizada de forma crescente, dos territórios em que o nível de ‘stress’ é menor para aqueles em que é maior, contemplando um total de 197 países e regiões distribuídos por cinco continentes (África, Américas, Ásia, Europa e Oceânia). Os dados foram recolhidos entre 2 de Dezembro de 2025 e 12 de Janeiro de 2025, através de uma auto-avaliação dos níveis de ‘stress’ por parte dos participantes de cada território. De acordo com a revista de negócios, mais de um terço da população inquirida reportou ter experienciado “muito ‘stress’” no dia anterior ao inquérito.

Importa relembrar que os factores responsáveis por um estilo de vida relaxado – ou, pelo contrário, caracterizado por uma maior sensação de ansiedade – diferem consoante o contexto socio-político da região em causa. Nos territórios em vias de desenvolvimento, as causas do ‘stress’ relacionam-se com questões de segurança ou uma constante ameaça de conflitos armados, enquanto nos países desenvolvidos os habitantes são mais propensos a experienciar ansiedade devido a “um dia de trabalho difícil”, como exemplifica a CEOWORLD.

 

DOS MAIS AOS MENOS TRANQUILOS

 

Na tabela publicada pela revista, os quatro critérios de análise possíveis – “trabalho”, “dinheiro”, “questões sociais ou familiares” e “saúde e segurança” – convertem-se em pontuações que podem ir de 0 (mais ‘stress’) até 100 (menos ‘stress’).

O Mónaco posiciona-se no primeiro lugar da lista em todas as quatro categorias, obtendo uma pontuação total de 87.33 pontos. Seguem-se o Liechtenstein e o Luxemburgo (87.14 e 86.52 pontos respectivos), num pódio dominado pela Europa ocidental. O primeiro país asiático surge em sétimo lugar, com uma pontuação de 85.28 para a Singapura.

Macau é o segundo território asiático mais relaxado da lista, aparecendo em décimo lugar – entre a Islândia e o Catar – com um total de 84.54 pontos. A região vizinha de Hong Kong surge em 22.º lugar, totalizando 80.95 pontos, enquanto a China continental se fica pelo 73.º lugar, acumulando 66.25 pontos.

Portugal figura em 44.º lugar, com 75.4 pontos, numa posição dez lugares abaixo do país limítrofe, Espanha, e também inferior às dos países nas proximidades, como o Reino Unido (24.º), França (26.º) ou Itália (30.º). Nos outros continentes, os países que se assumem como mais despreocupados são os Estados Unidos, nas Américas (8.º), a Austrália, na Oceânia (14.º) e as Seicheles, em África (57.º).

Fazendo uma leitura inversa do ranking, o Burundi surge como o país com mais ‘stress’ no mundo, reunindo apenas 26.71 pontos. A maioria dos países no fundo da lista pertence, aliás, ao continente africano, com destaque para o Sudão do Sul (196.º), o Malawi (193.º) ou Moçambique (186.º), o país de língua oficial portuguesa com maiores níveis de ‘stress’.

Por outro lado, os países asiáticos em que a população reporta pior classificação em todas as quatro categorias estabelecidas são o Afeganistão (195.º), a Síria (194.º) e o Iémen (192.º). A classificação mais baixa das Américas acontece com o Haiti, no número 155, e a da Oceânia com as Ilhas Salomão, em 154.º lugar. Segundo o inquérito, a Ucrânia – palco de uma guerra com a Rússia desde Fevereiro de 2022 – é o país europeu que revela maior tensão, ficando-se pelo 115.º lugar.

Apesar de a pesquisa da CEOWORLD identificar Macau como a segunda região mais descontraída da Ásia, só ultrapassada por Singapura, estudos recentes indicam que a saúde mental dos residentes tem vindo a declinar, sobretudo desde a pandemia de Covid-19. Um estudo da Associação de Saúde Mental de Hong Kong e Macau e da Faculdade de Medicina da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST), publicado no final de 2024, concluiu que um em quatro habitantes tem tendência a sofrer de depressão e que um em cinco pode sofrer de transtornos de ansiedade.

Também a Associação Geral das Mulheres de Macau revelou, no final do ano passado, que o número de mulheres a procurar apoio psicológico na organização tem vindo a aumentar, sendo que a maioria dos casos de ‘stress’ são provocados por questões familiares ou profissionais.

 

C.B.