Receitas de jogo do primeiro trimestre não deverão atingir objectivo do Governo

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Não vão ser alcançadas as receitas brutas de jogo previstas pelo Governo para o primeiro trimestre do ano, diz a Associação Económica de Macau. A associação destaca vários factores de incerteza para a economia do território, sublinhando a diminuição do poder de compra dos visitantes. Ainda assim, é esperado que o índice de prosperidade económica de Macau se mantenha estável.

 

Para este ano, o Governo prevê que as receitas brutas de jogo cheguem aos 240 mil milhões de patacas, o que implica que, a cada trimestre, os casinos encaixem 60 milhões de patacas. No primeiro trimestre do ano, isso não vai acontecer, prevê a Associação Económica de Macau. A associação diz, no seu mais recente estudo sobre as perspectivas económicas das região, que “o desempenho económico no primeiro trimestre poderá ser ligeiramente mais fraco do que o previsto”.

Em Janeiro, os casinos facturaram 18,2 mil milhões de patacas e em Fevereiro 19,7 mil milhões. Em Março, a média diária está em cerca de 640 milhões de patacas. Se este ritmo se mantiver, este mês terminará com receitas brutas de jogo na ordem dos 19,8 mil milhões de patacas, fazendo com que a cifra alcançada pelos casinos nos primeiros três meses do ano seja de 57,7 mil milhões.

No relatório divulgado na sexta-feira passada, a associação, cujo presidente é o antigo deputado à Assembleia Legislativa Joey Lao, diz que a conjuntura económica de Macau vai enfrentar “muitas incertezas”, nomeadamente com as taxas alfandegárias impostas pelos Estados Unidos, pelo abrandamento do crescimento económico da China e a queda do renminbi. Por outro lado, o padrão de consumo dos visitantes do continente também se alterou, tendo o seu poder de compra diminuído, especialmente na procura de bens de luxo e de marcas topo de gama. Já o sector retalhista local “enfrenta desafios sem precedentes” e muitos comerciantes lamentaram a dificuldade em fazer negócios, “pelo que poderão ter de ser prudentes na sua avaliação das perspectivas económicas futuras”, indica o relatório.

No relatório, a Associação Económica de Macau diz ainda que devido a uma série de “factores internos e externos complexos”, como a queda do rácio empréstimos/depósitos dos bancos locais, a subida do crédito malparado e a fraca confiança de investidores e consumidores.

Contudo, o relatório diz também que o índice de prosperidade económica de Macau referente a Janeiro e Fevereiro é de 6,6 e 6,5, respectivamente, “o que está basicamente de acordo com o desempenho esperado”. Prevê-se que, de Março a Maio do corrente ano, este índice de prosperidade económica se mantenha entre 6,4 e 6,6, “com as perspectivas económicas globais a permanecerem estáveis”, refere a Associação Económica de Macau.