A prevenção do suicídio foi tema na reunião da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos da Administração Pública da Assembleia Legislativa, mas os membros admitiram não ter perguntado o número de alunos vítimas de suicídio, nem a gravidade da situação. Zheng Anting, presidente da Comissão, indicou que a discussão se focou mais no mecanismo de prevenção, revelando, entretanto, que os membros mostraram-se satisfeitos com o trabalho do Governo. Já Pereira Coutinho lamentou que não se chegou a nenhuma conclusão sobre a resolução do problema do suicídio.
Muitos membros deputados da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos da Administração Pública, da Assembleia Legislativa, disseram ter ficado satisfeitos com o trabalho do Governo em relação à prevenção do suicídio nos cidadãos. A afirmação veio do presidente da Comissão, Zheng Anting, à margem de uma reunião fechada na passada sexta-feira, com representantes do Executivo, para analisar os mecanismos de prevenção do suicídio da Administração Pública e respectivas medidas de apoio.
“Muitos colegas deputados manifestaram o apoio aos trabalhos feitos pelo Governo, também deram sugestões ao Governo”, adiantou o deputado, citado pelo All About Macau. No entanto, ao ser questionado pelos meios de comunicação social sobre a situação da gravidade do suicídio entre estudantes em Macau, bem como o número e motivos dos casos, Zheng Anting admitiu que esses assuntos não foram abordados na reunião.
“Os nossos colegas deputados também não perguntaram se a actual situação é muito grave ou menos grave”, afirmou. Salientou que o que a Comissão pretende acompanhar “é a situação actual e a forma de acompanhamento” para ver “se há alguma maneira de fazer melhor”.
De acordo com os dados estatísticos das autoridades, no ano passado registaram-se 88 casos de suicídio, sendo o maior número da última década, entre os quais cinco pessoas com idade compreendida entre os 15 e 24 anos puseram fim à vida. No primeiro trimestre deste ano houve 22 casos de suicídio, e três das vítimas tinham 15 a 24 anos da idade. Zheng Anting reconheceu que o número de casos de suicídio “teve um aumento” e os membros esperam que o Governo preste mais atenção ao suicídio, mas não sabe nem foi questionado quantos casos foram cometidos por estudantes.
Zheng Anting referiu que o Governo confirmou que no futuro vai alargar o número de cursos de formação para as pessoas nas instituições, bem como para os funcionários públicos. Neste caso, as autoridades disseram que há agora 380 agentes de aconselhamento psicológico nas escolas e pretendem que, dentro de um a dois anos, todo o pessoal docente receba, pelo menos uma vez, formação sobre a saúde mental.
Segundo o deputado, quanto aos serviços de tratamento psicológico, no ano passado registaram-se 6.000 atendimentos nos centros de saúde e 50.000 atendimentos no serviço de psiquiatria do Centro Hospitalar Conde de São Januário, com um tempo de espera para consulta encurtado em duas semanas. O Instituto de Acção Social (IAS) disponibiliza 124 assistentes sociais, que abrangem mais de 2.000 famílias, a prestarem serviços de aconselhamento psicológico através da Internet e por telefone. Citado pelo Jornal Cheng Pou, o IAS recebeu ainda 10.000 chamadas de pessoas que necessitavam de apoio psicológico.
SEM CONCLUSÃO PARA RESOLUÇÃO
A reunião na sexta-feira contou com a presença dos representantes do Executivo, incluindo os Serviços de Saúde, a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude e o IAS, e durou mais de duas horas.
O deputado José Pereira Coutinho lamentou que, após a reunião, “ainda não se chegou a uma clara conclusão sobre a melhor forma de resolver o problema da prevenção dos suicídios”. O legislador considera ser necessário mais reuniões da Comissão para discutir o problema do suicídio, com participação dos secretários para os Assuntos Sociais e Cultura, para a Economia e Finanças e para a Segurança, para analisar de forma mais abrangente as três das principais causas de suicídio, nomeadamente o trabalho, as finanças e a família. Pereira Coutinho pediu ainda para se implementar um balcão único de aceitação de pedidos de assistência de pessoas com tendências suicidas ou em situação de stress mental.











