O director dos Serviços de Saúde (SSM) vincou que as autoridades dão a máxima importância à questão da terapia da fala para crianças, e também idosos. Alvis Lo, em resposta a uma interpelação de José Pereira Coutinho, apresentou os últimos progressos da situação: para reduzir o tempo de espera, criou-se um sistema por escalões, com os casos muito urgentes a serem atendidos de imediato, e também se reforçou uma redução do tempo de espera através do recurso a serviços externos. De resto, existe também um programa de treino com tecnologia de Inteligência Artificial (IA) que já está a ser utilizado por 1.200 crianças, mencionou o dirigente.
Estão em curso diversas iniciativas para melhorar a falta de terapeutas da fala em Macau. O director dos Serviços de Saúde (SSM) fez referência aos esforços conjuntos e colaboração interdepartamental entre os SSM, a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) e o Instituto de Acção Social (IAS), e da criação do Centro de Avaliação Conjunta Pediátrica e o Centro de Reabilitação Pediátrica em 2016 e 2017 respectivamente.
O deputado José Pereira Coutinho, numa interpelação recente, teceu críticas às autoridades pela incapacidade de resolver a questão da longa lista de espera de crianças necessitadas de terapia de fala. Segundo o também presidente da ATFPM, de acordo com as estatísticas dos Serviços da Saúde, prevê-se que o número de crianças em lista de espera para tratamento suba para duas mil até ao fim do ano. “Os pais também manifestaram grande preocupação pelo facto de o longo tempo de espera fazer com que os seus filhos percam o ‘período de ouro’ do tratamento, entre os quatro e os seis anos de idade”, alertou. Recordando que actualmente o tempo de espera para a consulta inicial é de 4 semanas, o tempo de espera para as várias avaliações é de 9 semanas, e o tempo de espera para o tratamento é de 6 a 9 semanas, o deputado quer saber que medidas específicas vão ser tomadas para reduzir “o tempo de espera acima referido, a fim de evitar que as crianças percam ‘a oportunidade de ouro’ de receber tratamento”.
Alvis Lo mencionou que recentemente o Centro de Avaliação Conjunta passou a monitorizar em tempo real o tempo de espera, e que, através do aumento das consultas externas, se conseguiu reduzir avaliação em menos de oito semanas. O Centro de Reabilitação Pediátrica, por outro lado, recorre agora a um sistema de espera por escalões: os casos mais urgentes passam a ser atendidos de imediato, os casos urgentes podem esperar entre duas a quatro semanas, e o tempo médio de espera para os casos gerais é de sete a dez semanas. “Desde 2018 até à presente data, o número de utentes em lista de espera do Centro de Reabilitação Pediátrica registou uma tendência de redução, mantendo-se estável o tempo de espera em todas as categorias”, defendeu o responsável, prometendo que, sempre que necessário, os serviços serão reforçados “através do prolongamento do horário de funcionamento, e da aquisição de serviços às instituições médicas sem fins lucrativos”.
Outra das melhorias destacadas pelo representante máximo dos SSM foi a da criação de um sistema auxiliar para terapia da fala através de inteligência artificial. O programa, que já foi utilizado no último ano por 1.200 crianças com transtornos de desenvolvimento da linguagem, possibilita que estas façam o treino de reabilitação contínuo no domicílio e nas várias instituições de tratamento. No total, estes serviços foram usados mais de 13 mil vezes, salientou ainda o responsável.
TERAPIA DE DEGLUTIÇÃO PARA IDOSOS
José Pereira Coutinho mostrou-se também consternado com o aumento da população idosa, que também necessita de serviços de terapia da fala. “De acordo com um estudo realizado pela Universidade de Hong Kong em 2018, cerca de 60% dos idosos residentes em lares têm vários graus de dificuldades de deglutição e necessitam de tratamento regular de acompanhamento por terapeutas da fala”, referiu. As perturbações da deglutição, da alimentação e da fala são habitualmente causadas por outras doenças, como cancro, acidente vascular cerebral, demência, acrescentou, querendo assim saber quais são os planos específicos dos SSM para a prestação de serviços de terapia da fala para os idosos residentes em lares.
Esclarecendo a questão em detalhe, Alvis Lo aproveitou para explicar que a situação é actualmente gerida conjuntamente pelos vários médicos e profissionais terapeutas e pelo pessoal de serviço do lar. “Actualmente, de entre os 14 lares de idosos subsidiados, 5 recorrem a terapeutas da fala”. Quanto aos restantes lares, estes colaboram com “médicos, enfermeiras, nutricionistas, fisioterapeutas ocupacionais”, e se necessário os idosos são enviados para tratamento nos hospitais.
A par disso, os SSM implementaram “um programa de proximidade de serviços médicos de especialidade, em que os terapeutas da fala prestam serviços de avaliação e tratamento aos idosos nos lares, e realizam acções de formação adequadas aos cuidadores dos lares”. O IAS vai continuar a “apoiar os trabalhadores dos lares, quer através das orientações técnicas, quer através das acções de formação, na aquisição de conhecimentos e formas para lidar com as dificuldades sentidas pelas pessoas idosas na deglutinação”, mencionou ainda Alvis Lo.
Também foi abordada a questão da formação de terapeutas da fala, com o deputado a frisar que o número de profissionais em 2022 era de 51, uma oferta “longe de ser suficiente para satisfazer a procura potencial” dos próximos anos. José Pereira Coutinho criticou o facto de o curso da Universidade Politécnica não ser oferecido anualmente, o que faz com que não haja inscrições suficientes. Alvis Lo referiu que, desde 2017, o Curso de Licenciatura em Ciências de Terapia da Fala e Linguagem já formou 58 graduados nas suas três edições, e que está prevista a entrada de 20 alunos novos no ano lectivo de 2023/2024.











