Dono de clínica suspeito de ter agredido e aprisionado mulher

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O proprietário de um centro médico da zona centro de Macau é suspeito da prática de violência doméstica. A vítima, actualmente sua ex-mulher, alega que durante o casamento o homem a agrediu repetidamente ao longo dos anos, tendo-a sequestrado durante várias horas, atando-lhe as mãos e prendendo-a pelo pescoço. O caso foi relatado ontem pela Polícia Judiciária. O homem está acusado dos crimes de sequestro e de violência doméstica.

A Polícia Judiciária (PJ) deteve um homem de 49 anos, proprietário de um centro médico da zona centro da península de Macau, sob a suspeita da prática do crime de violência doméstica e sequestro. A denúncia foi feita pela ex-mulher do suspeito, que disse às autoridades policiais que o homem a agrediu repetidamente ao longo dos anos em que estiveram casados.

A vítima, de 32 anos, contou às autoridades que, numa ocasião, no dia 29 de Janeiro do ano passado, o suspeito a aprisionou durante seis horas – até às 2h da manhã – numa sala das instalações do centro médico que possui no centro de Macau. Segundo a mulher, depois de ter sido levada à força para a sala, o homem amarrou-lhe o pescoço com um pano e atou-lhe as mãos de forma a que ela não pudesse fugir. Durante as horas em que esteve presa na sala, a mulher terá pedido ajuda às funcionárias do centro médico, que a terão ignorado deliberadamente, indicou a PJ. O suspeito terá justificado o aprisionamento da mulher com o facto de ela não ter conseguido recuperar um objecto perdido.

Numa outra ocasião, segundo contou a vítima, o suspeito humilhou-a, agredindo-a com um piaçaba na cara. De acordo com os relatos, a mulher era frequentemente agredida pelo homem, que a puxava pelos cabelos e a pontapeava. Segundo a PJ, o suspeito chegou também a estrangular a mulher com um cinto.

A mulher, que também trabalhava na clínica médica, casou com o suspeito em 2014 e tem um filho de oito anos com ele. Após o aprisionamento, a mulher divorciou-se do suspeito. Só agora é que a vítima denunciou o caso às autoridades policiais, depois de ter sido persuadida por uma assistente social, que a acompanhou a fazer a denúncia.

Mesmo depois de se ter divorciado do suspeito, a mulher continuou a trabalhar na clínica, sendo alvo de abusos dentro e fora do local de trabalho praticados pelo ex-marido. Segundo a PJ, a mulher “estava a viver numa situação económica difícil e tolerou os abusos por temer perder o emprego”.

O suspeito foi detido na terça-feira passada, tendo negado as acusações de violência doméstica. O homem está acusado do crime de sequestro e de violência doméstica e de circunstâncias agravantes. Os agentes da PJ também detiveram dois trabalhadores não-residentes por alegadamente terem ignorado os pedidos de ajuda da vítima, não tendo prestado auxílio.