A epidemia de Covid-19 dificultou a entrada dos jovens e desempregados no mercado de trabalho. Numa interpelação apresentada pela deputada ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau, Ella Lei pede às autoridades a concretização de apoios a desempregados de longa duração, ressalvando que a prioridade no acesso ao emprego deve ser dos residentes locais.
Ella Lei mostrou-se preocupada com a alta taxa de desemprego no território numa interpelação apresentada pela deputada ao Executivo e remetida ontem às redacções.
A parlamentar ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) observou que, segundo as informações disponibilizadas pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), entre os 13.000 desempregados no primeiro trimestre deste ano, 6.400 são desempregados em situação prolongada há quatro meses ou mais, enquanto 7.200 têm idade entre 25 e 44 anos. Muitos deles são o sustento da família e têm vido a sofrer uma forte pressão financeira e psicológica, apontou a deputada.
Ella Lei alertou que o problema do desemprego pode vir a piorar devido à falta de sinais de melhoria significativa do mercado, sugerindo que as autoridades devem, para além das medidas de apoio financeiro lançadas no contexto da epidemia, concretizar alguma assistência para ajudar os desempregados a procurar emprego. A deputada lembrou que o Governo garantiu anteriormente um bom uso da reserva financeira para facilitar a recuperação económica, pedindo ao Executivo que anuncie projectos concretos para combater o desemprego.
Tendo observado que os serviços de conjugação de emprego e o plano de formação subsidiada da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) têm sido interrompidos nos últimos meses devido à crise de saúde pública no território, Ella Lei considera que as autoridades podem passar estes serviços e formações para canais digitais, em vez de presenciais, organizando sessões de recrutamento com empregadores e cursos de especialização tecnológica online. Além disso, a legisladora sugeriu a continuidade do plano de abonos provisórios para o incentivo à contratação de residentes desempregados por empregadores durante o período da epidemia.
Por outro lado, Ella Lei considera que, apesar da incerteza face aos surtos epidemiológicos e da dificuldade na recuperação económica, existe alguma procura de recursos humanos no mercado, como no domínio da construção civil de obras públicas, serviços públicos adjudicados, actividades ligadas à prevenção e controlo de epidemia, saúde e restauração.
A deputada frisou ainda a existência de manifestações sociais e revindicações apresentadas pelos residentes do território sobre a alegada “discriminação” aos trabalhadores locais quando as entidades patronais preferem empregar trabalhadores não-residentes, o que resultou numa preocupação na comunidade. Ella Lei apontou que as autoridades devem prestar apoio mais concreto aos trabalhadores locais e atenção à prioridade no acesso ao emprego dos residentes através de uma melhor fiscalização.
PONTO FINAL











