Macau surge entre os 100 principais destinos do mundo para a Euromonitor

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FOTOGRAFIA: GONÇALO LOBO PINHEIRO

No entanto, o território quedou-se por uma posição modesta (73.º lugar), com destaque apenas para a sétima posição no ranking específico para o critério “desempenho económico e empresarial”. Devido à pandemia de Covid-19, a empresa de estudos de mercado britânica começou a comparar 100 cidades em todo o mundo usando seis pilares de desempenho. Fracas prestações em “infra-estruturas turísticas” e “sustentabilidade” tramaram a RAEM.

 

A Euromonitor anunciou, recentemente, o seu ranking e relatório anuais sobre os 100 principais destinos urbanos do mundo. Macau, num modesto 73.º lugar na lista, apenas se destaca no critério “desempenho económico e empresarial”. “A Ásia está a recuperar-se à frente de outras regiões do mundo, com quatro cidades entre as 10 melhores em desempenho económico e empresarial. Singapura, Taipei e Hong Kong são os líderes globais e Macau deu o maior passo em 2021, aumentando a sua classificação em 18 lugares. Macau registou uma melhoria notável no crescimento do PIB devido ao aumento das exportações de serviços de jogo e à redução das taxas de desemprego. Ambos levaram a uma melhoria do PIB per capita e da renda disponível per capita. Esses factores também impulsionaram os gastos dos consumidores durante 2021, apoiando fortemente o sector de turismo local”, pode ler-se no relatório da empresa de estudos de mercado britânica.

Em contraciclo, e num contexto de eficácia na resposta à pandemia de Covid-19, a Região Administrativa Especial de Macau obteve fracos resultados em critérios como “desempenho turístico”, onde ficou em 26.º lugar, “política e atractividade do turismo” quedou-se pela 98.ª posição, “infra-estruturas turísticas” em 107.º lugar, “saúde e segurança” arrecadou a 31.ª posição e “sustentabilidade”, onde obteve o lugar 110.

Recorde-se que em 2019, a mesmo lista era dominada por destinos asiáticos, como Hong Kong ou Banguecoque, mas depois de analisado o ano de 2021 os resultados revelaram oito cidades europeias no top 10. “Assim como a lista pré-pandemia, o índice de 2021 é um instantâneo no tempo. No ano passado, as cidades recuperaram-se após uma crise global, com algumas a abrirem-se ao mundo mais rapidamente do que outras. A lista do próximo ano, sem dúvida, será diferente novamente”, admitiu a Euromonitor nas análises.

A cidade de Paris foi eleita o destino urbano mais atraente do mundo. Ficou em primeiro lugar no pilar “desempenho turístico” e em segundo lugar em ” política e atractividade do turismo”. Nos outros factores, nunca saiu do top 100, o que lhe deu, de acordo com a Euromonitor, uma estabilidade que justifica liderar o ranking de 2021. “Beneficiou-se do retorno de turistas americanos e asiáticos”, disse o Euromonitor.

O Dubai, nos Emirados Árabes Unidos – que ficou em primeiro lugar no índice de 2020 –, ocupa no novo ranking o segundo lugar e é a única cidade num mercado emergente a ficar entre as 10 primeiras. Aquela cidade do Médio Oriente teve a vantagem ao reabrir para turistas internacionais em Julho de 2020 e no ano passado recebeu um impulso da adiada Expo2020, que começou em Outubro de 2021. Arrecadou o quarto lugar global no pilar de desempenho “saúde e segurança”, graças ao rigoroso protocolo Covid-19 introduzido pelo Governo. Neste momento, mais de 98% da população do emirado está vacinada contra a Covid-19 e o uso de máscaras continua a ser obrigatório em espaços públicos fechados.

Por fim, Amsterdão encerra o pódio. A pequena cidade dos Países Baixios, com uma população turística historicamente grande, enfrenta agora o excesso de turismo tecnológico. A Euromonitor elogia o seu projecto de monitorização de multidões Public Eye, que usa tecnologia de inteligência artificial para ajudar na navegação em grandes fluxos de pessoas e reduzir o congestionamento. O mesmo relatório faz notar que Amesterdão, juntamente com Barcelona e Oslo, “tomou medidas para reduzir as vagas de estacionamento”, além de ter introduzido “uma extensa infra-estrutura de bicicletas para revolucionar as redes de transporte e criar um lugar mais habitável e inclusivo”.

 

Duas cidades portuguesas na lista

 

Lisboa e Porto são as cidades de Portugal representadas na lista dos 100 melhores destinos urbanos do mundo. Contudo, se a capital ficou num honroso 17.º lugar, a Invicta quedou-se numa posição mais baixa, perto de Macau, no 68.º posto. Nos rankings específicos de cada critério, é de destacar o 12.º lugar mundial de Lisboa no plano da sustentabilidade, que também consegue um 19.º posto no que toca “política e atractividade do turismo”. Já o Porto não consegue melhor do que um 43.º lugar no ranking de “saúde e saúde”.

A Euromonitor considera, nas suas conclusões, que “a necessidade de estratégias de turismo equilibradas é fundamental para as cidades, como destacado pela pandemia”. Por isso, acrescenta a empresa de estudos de mercado sediada no Reino Unido, “as estratégias devem centrar-se no investimento em infra-estruturas turísticas e na promoção da atratividade turística, bem como dar maior ênfase a uma oferta turística sustentável que eleve os destinos em termos de saúde e segurança e promova a procura de viagens domésticas”.

Embora se espere que a tecnologia desempenhe um papel fundamental na facilitação de muitos desses esforços, a Euromonitor acredita que “o envolvimento das comunidades e empresas locais será vital à medida que as cidades trabalham para aliviar o impacto da pandemia nas economias locais”.

 

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