A sociedade tem-se mostrado preocupada com a relocalização de dez árvores antigas situadas no lote da povoação de Cheok Ká, na Taipa, esperando que as autoridades esclareçam a fundamentação para o transplante dessas árvores. O presidente da direcção da Associação para a Promoção do Paisagismo e da Arborização em Macau considera que o espaço físico destinado ao crescimento e ao desenvolvimento dessas árvores “não é satisfatório”, e que a sua conservação no mesmo local está em risco se não houver espaço suficiente para a restauração ecológica, pedindo, por isso, uma avaliação adequada.
A conservação de árvores antigas esteve ontem em destaque num programa radiofónico do canal chinês da Rádio Macau. Na ocasião, o presidente da direcção da Associação para a Promoção do Paisagismo e da Arborização em Macau (APLGM, na sigla em inglês), Leong Kun Fong, e membro do Conselho Consultivo para os Assuntos Municipais, Ku Man Tat, estiveram presentes no programa.
Os convidados defendem que, para as dez árvores antigas que se localizaram na povoação de Cheok Ká, na Taipa, independentemente da sua conservação ou transplante, será necessária uma avaliação ambiental na sua vertente técnico-científica. O especialista considera também que o espaço físico destinado ao crescimento e ao desenvolvimento dessas árvores “não é satisfatório”, realçando que cabe às autoridades competentes a responsabilidade de assegurar a execução da lei no que diz respeito à salvaguarda de árvores antigas.
Recorde-se que a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) referiu recentemente que pretende executar um novo pavimento viário no lote onde está situada a povoação de Cheok Ká e exigir a transferência de dez árvores antigas do local. Leong Kun Fong frisou que o órgão de gestão de árvores do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) solicitou que as árvores antigas devem ser mantidas. No entanto, o Instituto Cultural, que assume o papel de serviço competente, ainda não apresentou qualquer opinião em matéria de tratamento.
O especialista pede às autoridades um esclarecimento sobre a fundamentação de transplante, e apontou que, actualmente, 616 árvores são tuteladas sob a égide da Lei de Salvaguarda do Património Cultural, realçando que a salvaguarda de árvores antigas é de fundamental importância para a ecologia urbana e o desenvolvimento educativo numa perspectiva histórico-cultural. Em caso de as autoridades necessitarem de transplantar as árvores antigas, será preciso esclarecer à sociedade o estado dessas árvores e a base científica para essa medida.
No que toca à conservação global de árvores antigas em Macau, Leong Kun Fong reiterou que, devido às necessidades de desenvolvimento urbano, o espaço físico destinado ao crescimento e ao desenvolvimento de árvores “não é satisfatório”, acrescentando que uma vez que o Governo promulgou legislação para salvaguardar as árvores, os serviços relevantes têm a responsabilidade de assegurar a sua execução. O especialista assinalou que as dez árvores antigas em causa também não estão num estado saudável em termos de crescimento e desenvolvimento, e se as autoridades decidirem conservar as árvores no mesmo local, será indispensável levar em consideração o planeamento do desenvolvimento e do espaço físico e a realização de avaliações científicas. Se for necessário proceder ao transplante, o organismo deve ter em conta o cuidado das raízes, a poda necessária de árvores e a segurança na elevação e transporte. As autoridades devem preservar a maior quantidade de raízes possíveis, se as circunstâncias assim o permitirem, e o novo local de destino deve ter melhores condições, reiterou.
Na observação de Leong Kun Fong, o ambiente para o crescimento e desenvolvimento das dez árvores antigas está num estado “razoável” devido à “construção descontrolada” nas proximidades ao longo dos anos.
Ku Man Tat disse que a sensibilização do público para a conservação de árvores tem aumentado nos últimos anos e que o IAM tem apostado mais nesta área. Reiterou também que o organismo manteve uma postura firme em relação à preservação de dez árvores antigas na povoação de Cheok Ká, realçando que as árvores têm mais de 100 anos de idade. O representante acredita que seria difícil obter o reconhecimento comunitário se estas fossem removidas simplesmente por causa das obras de arrumamento de acesso viário, frisando que o transplante de árvores antigas tem que levar em consideração a opinião pública, terrenos e técnicas de transplante, e que, se forem preservadas no local original, devem ser consideradas melhores condições ambientais para o seu crescimento e desenvolvimento.
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