Mais animais abatidos e menos gatos adoptados no primeiro trimestre

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FOTOGRAFIA GONÇALO LOBO PINHEIRO

Entre Janeiro e Março, o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) abateu um número recorde de 187 animais. As estatísticas do primeiro trimestre ficaram marcadas pelo aumento das occisões e a redução das adopções de gatos. Pela primeira vez desde que há registo, os cães mostraram-se mais populares entre os adoptantes de Macau.

 

O Canil Municipal abateu 187 animais no primeiro trimestre deste ano – o número mais elevado desde, pelo menos 2024, ano a que remontam os últimos registos. Segundo os dados divulgados na página do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), houve 66 occisões de gatos e 121 de cães no período em questão.

Nos trimestres homólogos dos dois anos anteriores, 2025 e 2024, o número total de occisões foi de 101 e 175, respectivamente. Recorde-se que, após uma actualização recente, os dados estatísticos da DICV (Divisão de Inspecção e Controlo Veterinário) passaram apenas a abranger o ano actual e os dois anos transactos.

O número de gatos abatidos destaca-se nas estatísticas deste trimestre, com um aumento homólogo de 106,25%. No ano passado, já se tinha observado um aumento significativo deste tipo de occisões – de 11, no segundo trimestre, o número evoluiu depois para 56 e 59 nos terceiro e quarto trimestres, respectivamente. Por outro lado, o número de cães abatidos subiu 75,4% comparativamente ao período homólogo e 34,4% em relação aos últimos três meses de 2025.

Tal como as occisões, o número total de casos de adopção e de reclamação de animais no Canil Municipal de Coloane também registou um aumento na ordem dos 3,81%, com 136 casos desta natureza. No entanto, os dados sugerem uma tendência evolutiva bastante diferente no que respeita às duas espécies: as adopções e reclamações de gatos diminuíram 38,2% em termos anuais, ao passo que os cães adoptados e reclamados tiveram um crescimento expressivo de 151,7%.

Segundo as informações disponibilizadas pelo DICV, nunca houve tão poucos gatos adoptados ou reclamados num primeiro trimestre nem tantos cães adoptados ou reclamados no mesmo período de análise. Esta é, aliás, a primeira vez que o número de adopções de cães supera o número de adopções de gatos – até então, os felídeos sempre registaram uma popularidade muito mais significativa entre os residentes de Macau. Nos primeiros três meses de 2025, por exemplo, houve 102 adopções e reclamações de gatos e só 29 de cães.

Também os casos de devoluções de animais ao IAM tiveram um aumento significativo de dois (um gato e um cão), no primeiro trimestre do ano passado, para 13 (seis gatos e sete cães), no trimestre finalizado em Março. Esta categoria diz respeito aos casos em que os donos ou tutores devolvem os seus animais ao cuidado do IAM, por alegada impossibilidade de criação.

Houve também 338 animais capturados nos três primeiros meses do ano, o maior número de capturas desde o segundo trimestre de 2024, sendo que só oito destes animais possuíam microchip. Em comparação com os períodos homólogos de 2025 e 2024, registaram-se aumentos respectivos de 26,1% e 27%.

Quanto às acusações por infracções à Lei de Protecção dos Animais, foram contabilizadas 18 situações ao longo das três vertentes consideradas pelo IAM. O primeiro parâmetro refere-se ao abandono do animal (artigo 5.º da lei) e registou uma única infracção, tal como no ano passado. No que diz respeito ao passeio de animais em espaços públicos sem a documentação, os acessórios ou os meios de transporte necessários, ocorreram três casos – mais um do que em 2025. A lei exige também a aquisição de uma licença para os cães com idade superior a três meses, obrigatoriedade que foi transgredida 14 vezes no trimestre mais recente. No total, havia 11.856 licenças de cão válidas até Março, o número mais baixo de sempre.

De acordo com os dados divulgados pelo organismo, é ainda possível verificar que houve uma ligeira redução homóloga dos casos de animais envolvidos em agressões, de 31 para 26. No sentido contrário, o Canil introduziu 526 microchips no primeiro trimestre do ano, o que representa um aumento de aproximadamente 36,3%.

As cirurgias de esterilização fixaram-se em 291, mais duas cirurgias relativamente ao primeiro trimestre de 2025. Contabilizaram-se também 2.013 vacinações contra a raiva, uma subida de 18,1% face a 2025 e de 11,6% face a 2024.