Produtos gourmet da Europa mais caros devido a elevados custos de transporte

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FOTOGRAFIA ELOI CARVALHO

Os preços dos produtos alimentares gourmet e de papel importados da Europa estão a subir acentuadamente devido a custos de transporte cada vez mais elevados. Os fornecedores de Macau estão preocupados com o prolongamento dos prazos de entrega de mercadorias vindas da Europa, bem como o aumento dos preços do combustível. Segundo a indústria, os chocolates, ingredientes de alta qualidade, guardanapos de papel para hotéis e fraldas são os produtos mais afectados.

 

O fornecimento mais apertado dos produtos vindos da Europa para Macau fez disparar os preços, com o impacto mais severo a sentir-se nos produtos gourmet importados, alerta a indústria local, que destaca a subida do preço do petróleo e o atraso na cadeia de abastecimento mundial.

Sunny Ip, presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau, afirmou que a escalada de tensões no Médio Oriente continua a afectar as rotas marítimas globais da logística e a fazer subir os custos do combustível, o que aumenta os preços de importação de alimentos de qualidade superior produzidos na Europa.

No entanto, os produtos de consumo do dia a dia não registaram grande variação de preços, tendo verificado um aumento ligeiro entre 2% e 4%. O sector estima que os preços dos produtos de primeira necessidade se mantenham relativamente estáveis nos próximos um ou dois meses.

“O tempo de viagem dos navios da Europa para a Ásia já passou de um mês para dois meses. Agora, com a tensão no Estreito de Ormuz, são necessários três meses ou mais para chegar”, explicou Sunny Ip, em declarações ao Jornal Ou Mun.

O representante acrescentou que o bloqueio contínuo das rotas marítimas também levou a uma queda significativa na eficiência da rotação dos navios. O número de viagens anuais nas rotas em causa passou de três a quatro para apenas duas. Já a subida dos preços do combustível, conjugado com o prolongamento dos prazos de entrega, fez com que os custos de transporte internacional aumentassem ainda mais, disse Sunny Ip.

De acordo com o sector, as despesas das rotas marítimas da Tailândia já subiram 500 patacas, sem contar com a sobretaxa de combustível, enquanto o aumento de custos em outras rotas de longo curso é ainda mais acentuado.

Sunny Ip mostrou-se preocupado sobretudo com a importação dos produtos gourmet da Europa, uma vez que “os stocks de chocolates, ingredientes de alta qualidade e outros produtos europeus já estão quase esgotados [em Macau]”.

Salientou que alguns produtos europeus correm o risco de ficar em falta no mercado local, sendo que o prazo de entrega das novas encomendas chega a três meses e a Europa está a entrar nas férias de Verão, fazendo com que o período para encomendas fique ainda mais restrito.

Determinados produtos europeus mantêm a pressão sobre a oferta no mercado. Sunny Ip citou o exemplo do leite em pó, cujos consumidores mostram uma elevada fidelidade a determinados produtos e marcas, pois é difícil encontrar produtos substitutos a curto prazo.

O mesmo fenómeno ocorre igualmente no mercado dos produtos de papel. Segundo o representante, os produtos de papel de alta qualidade provenientes do Sudeste Asiático e da Europa, tais como guardanapos de mesa para hotéis e fraldas de papel do Japão e da Europa, enfrentam uma pressão de subida significativa de preços devido ao aumento dos custos de transporte.

Sunny Ip avançou que os fornecedores locais já iniciaram a procura de alternativas, estando a encontrar, de forma activa, produtos substitutos nas províncias e cidades produtoras de papel no interior da China, com vista a “reduzir os custos e aliviar o encargo financeiro dos consumidores”.

Segundo acrescentou o responsável, actualmente, o papel higiénico e os produtos de papel comuns, utilizados no dia-a-dia pelas famílias e pelo público em geral, são produzidos principalmente em províncias chinesas como Guangdong, Hunan e Fujian, onde os custos de transporte registaram apenas um ligeiro aumento, com impacto limitado nos preços de mercado.