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      “Vamos trabalhar para sermos reconhecidos como uma instituição de turismo e hotelaria líder a nível mundial”  

      O Instituto de Formação Turística de Macau anunciou nos últimos meses o lançamento de pelo menos cinco novos cursos para o próximo ano lectivo. Ao PONTO FINAL, Fanny Vong, presidente da instituição, manifestou a sua esperança de “fomentar novo capital humano para a indústria local”, sendo que um dos principais rumos do desenvolvimento do território situa-se na indústria de turismo integrado. A taxa de empregabilidade entre os finalistas de pós-graduação do ano passado atingiu 85%, e maioria está a servir a indústria hoteleira e de viagens. Fanny Vong espera ainda aumentar o interesse do público sobre a gastronomia macaense através da realização de diversos eventos.

       

      “Turismo” poderá ser a palavra-chave para Macau no ano de 2023, com o fim das restrições epidémicas. Enquanto instituição que se dedica à formação de quadros qualificados desse sector, o Instituto de Formação Turística de Macau (IFT) tem estado a lançar nos últimos meses novos cursos de diferentes graus. Em entrevista ao PONTO FINAL, Fanny Vong, presidente do IFT, afirma que as novas apostas da instituição visam reforçar o seu posicionamento como “uma instituição de ensino superior de turismo e hotelaria líder a nível mundial”. Fanny Vong diz que o IFT está a diversificar o conteúdo dos programas pedagógicos e a cooperar com organizações internacionais de renome para elevar a competência dos talentos locais para a indústria do turismo, em articulação com a estratégia “1+4” do Governo sobre a diversificação económica. Segundo a académica, o território continua a ser um destino atractivo para muitos visitantes, mas é preciso trabalhar para se abrir mais ao mercado internacional.

       

      O IFT recebeu neste ano lectivo cerca de 600 novos alunos de licenciatura, mestrado e doutoramento. Quantos alunos tem o IFT no total neste momento? E qual é a percentagem de estudantes locais, do interior da China e internacionais?

       

      No ano lectivo de 2023/2024, cerca de 1.900 alunos estão a prosseguir o seu estudo nos cursos de licenciatura, mestrado e doutoramento no IFT. Os nossos alunos são oriundos de 28 países e regiões. À medida que expandimos os nossos programas de pós-graduação, temos conseguido atrair e admitir mais alunos de fora para este nível avançado de estudos.

       

      O IFT terá planos para alargar o escopo de admissão de alunos? Ou planeia receber mais alunos de fora de Macau, como do Continente ou do estrangeiro?

       

      Em resposta à evolução das necessidades do mercado, o IFT tem vindo a oferecer novos programas de diferentes níveis do ensino superior, por exemplo, os recentes programas de mestrado em Tecnologias Inteligentes no Turismo e na Hotelaria, e Marketing Digital e Análise, o doutoramento em gestão empresarial (DBA), bem como os novos cursos que estão em preparação, como um mestrado em gestão de eventos, uma licenciatura em comunicação inovadora, entre os outros, sujeitos à aprovação por parte das autoridades locais. Tudo isto está em conformidade com a estratégia de “1+4” de diversificação económica de Macau, sendo “1” a indústria de turismo integrado e que um dos “4” está relacionado com a cultural, o desporto e os eventos. Temos também planos para oferecer alguns programas de graus em língua chinesa, dado que existe uma procura crescente de alunos interessados em estudar na sua língua materna da área da Grande Baía e de lugares mais longe. Tendo em conta o avanço da tecnologia hoje em dia, a língua não se deve tornar um obstáculo à aprendizagem. Sendo assim, é evidente que iremos alargar o número da admissão de estudantes. No entanto, sendo uma instituição pública de ensino superior, a nossa prioridade será colocada na admissão local. Só depois de satisfazer a procura local é que vamos abrir os lugares a estudantes de fora.

       

      Qual é a taxa de empregabilidade dos graduados do ano passado?

       

      O IFT lançou um inquérito online em Outubro deste ano para acompanhar a situação de emprego dos alunos graduados no ano lectivo 2022/2023. Para os graduados dos cursos de diplomas de pós-graduação e do mestrado, 85,3 % dos inquiridos foram empregados a tempo inteiro. Os resultados mostram ainda que 57,1% dos inquiridos trabalham no sector da hotelaria e restauração, seguido do sector dos serviços de viagens (10,7%), da administração pública, as forças de segurança e outros departamentos (7,1%) e do sector bancário, financeiro e dos seguros (7,1%). Além dos empregados, 8,8% dos alunos inquiridos optaram por prosseguir um doutoramento. Quanto aos alunos que terminaram a licenciatura, 61,8% dos inquiridos foram empregados, 86,4% dos quais trabalham a tempo inteiro. E 38,3% dos inquiridos trabalham no sector da hotelaria e restauração, seguido do sector do comércio, da venda por grosso e do retalho (18%), do sector MICE (9%), do sector bancário, de finanças e seguros (8,3%). Para além dos que entraram no mercado de trabalho, 25,5% dos inquiridos estão a frequentar os estudos mais avançados.

       

      O IFT tem se empenhado para lançar diversos novos cursos. Qual é o rumo de desenvolvimento da instituição no futuro?

       

      Os novos programas que estamos a lançar continuam a situar-se principalmente no domínio do turismo e da hotelaria, e do sector dos serviços em geral. Vamos continuar a manter a nossa posição firme neste âmbito e a trabalhar para sermos reconhecidos como uma instituição de ensino superior de turismo e hotelaria líder a nível mundial. Ao mesmo tempo, utilizaremos os nossos pontos fortes para servir as necessidades da indústria local, bem como da Grande Baía, uma vez que Macau foi designada como a base de educação e formação em turismo da área da Grande Baía, sendo o IFT a unidade executiva.

       

      O IFT anunciou que serão disponibilizados dois novos programas de pós-graduação no próximo ano lectivo, um é Master of Philosophy (MPhil) in International Hospitality and Tourism Management (specialisation in Events Management), e o outro é Master of Science (MSc) in International Events Management. O que impulsionou o lançamento dos novos cursos? Qual o conteúdo do programa e qual é o grupo-alvo de alunos?

       

      O programa destina-se a formar líderes do futuro, que são ambiciosos, independentes e resistentes, com uma visão global para compreender e ser responsável por uma indústria sustentável através de boas práticas em eventos. O programa tem por objectivo inspirar talentos ambiciosos com um ensino de alta qualidade no domínio da gestão de eventos, através de tecnologias modernas, inteligentes e inovadoras no âmbito da pedagogia informada pela mais recente investigação de ponta. Foi concebido para preparar e visionar as gerações futuras por meio do envolvimento na indústria de eventos com conhecimentos aprofundados para maximizar o papel dos eventos na comunidade, abordando e alcançando objectivos económicos, sociais, ambientais e políticos a nível local, regional e internacional. Os novos cursos têm destaques no currículo de equipar os alunos com competências e conhecimentos avançados em gestão de eventos, com uma visão global e perspectivas locais da indústria de eventos; bem como inculcar e habilitar uma aprendizagem aprofundada e as percepções da indústria de eventos por projetos industriais ou estágios no mundo real.

       

      Muitas instituições de ensino superior de Macau enfrentaram escassez de recursos humanos de docentes estrangeiros nos tempos da pandemia, sendo difícil contratar professores do exterior. No IFT encontrou-se o mesmo problema? E como está a situação actual de recursos da equipa de ensino? Vão ser recrutados mais profissionais pedagógicos de fora?

       

      Durante a Covid, nós também enfrentámos desafios semelhantes, especialmente porque alguns dos nossos professores são provenientes do estrangeiro. Não puderam regressar a casa durante muito tempo, pelo que alguns optaram por deixar o seu emprego aqui. Nessa altura, era impossível recrutar docentes de fora do país devido às restrições de viagem. Felizmente, nós utilizámos assim meios online para ligar os recursos didácticos estrangeiros aos nossos alunos. Agora a mobilidade foi retomada e demos início de novo ao recrutamento a nível mundial. Anunciámos as vagas de trabalho em vários meios de comunicação social para atrair talentos globais e avaliá-los com base em critérios objectivos.

       

      Houve uma retoma do turismo de Macau após a pandemia. Como vê a direcção do desenvolvimento das actividades turísticas nos próximos anos? Acha que a indústria está a enfrentar, ou enfrentará carência de recursos humanos?

       

      Penso que Macau vai retomar a tendência de crescimento que foi interrompida pela Covid. Depois de as restrições de viagem terem sido levantadas em Janeiro, notámos que houve imediatamente um bom afluxo de turistas do interior da China a Macau. É um sinal de que Macau continua a ser um destino atractivo para muitos deles. No entanto, temos de trabalhar arduamente para nos abrirmos ao mercado internacional, a fim de reduzir o risco de dependência excessiva de um único mercado. As reacções dos profissionais do sector local revelam que continua a haver falta de mão de obra, especialmente para cargos operacionais como o serviço de limpeza, o serviço de restauração, entre outros. Creio que continue a ser necessária uma combinação de talentos locais e importados, de modo a manter o motor a funcionar.

       

      A Assembleia Legislativa está a analisar a proposta de lei do Instituto de Formação Turística de Macau, um dos temas importantes é a ideia de tornar o IFT numa universidade. Como se vê essa sugestão? Se o IFT passar a ser universidade, a instituição tem alguns novos planos de desenvolvimento?

       

      Esta é uma excelente oportunidade para reforçar ainda mais a posição de Macau como um centro global de educação em turismo e hotelaria. A mudança de nome do Instituto para Universidade vai ajudar a construção da marca e a promoção no Continente, que é uma importante fonte de estudantes. No interior da China, um instituto é entendido como inferior a uma universidade ou como uma opção de ensino superior de segundo nível. Se a alteração de nome para universidade for apoiada pelo Governo e pela Assembleia Legislativa, o IFT continuará a desenvolver novos programas, combinando, particularmente, a tecnologia e o turismo, tanto como a aumentar a produção de investigação, e os serviços comunitários.

       

      O Governo de Macau está a promover a implementação da estratégia de desenvolvimento de diversificação adequada “1+4”. Qual papel do IFT nessa direcção de desenvolvimento? Como vai ajudar a implementação dessa política?

       

      Para além de desenvolver novos programas para cultivar a capacidade humana do território em articulação com a estratégia “1+4”, o IFT trabalha também com as organizações internacionais, como a Organização Mundial do Turismo das Nações Unidas (UNWTO na sigla em inglês) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO na sigla em inglês), para proporcionar qualificações internacionalmente reconhecidas, de modo a aumentar a competência dos talentos locais e ajudar a melhorar os padrões da indústria local. Por exemplo, na colaboração com a UNESCO, os guias turísticos de Macau têm agora a oportunidade de obter o prestigiado reconhecimento da Guia Especialista em Património Mundial certificado pela UNESCO, mediante o cumprimento de requisitos de aprendizagem adicionais. Isto ajuda a melhorar os conhecimentos e os padrões de serviço dos guias turísticos locais em ascensão. Após a conclusão, ser-lhes-á atribuído um distintivo de Guia Especialista que podem usar juntamente com a acreditação de guia turístico da Direcção dos Serviços de Turismo de Macau. Este é um exemplo da actualização da existente reserva de talentos locais. Em suma, o IFT continua a fomentar um novo capital humano para a indústria local, através da diversificação do portfólio dos nossos programas e de trabalhar com organizações internacionais, melhorando a competência dos talentos existentes por meio da oferta de formação avançada, bem como a alargar a fronteira da investigação em turismo.

       

      O IFT obteve o 10.º lugar do mundo e o 1.º lugar da Ásia no QS (Quacquarelli Symonds) World University Rankings 2023 em termos do Turismo e Hospitalidade, que foi o melhor ranking da categoria alcançado entre as instituições do ensino superior de Macau. Qual é a importância do ranking alcançado? Ao comparar com o nível internacional, como vê a qualidade do ensino superior de Macau? Como vê a tendência dessa qualidade no futuro a curto prazo?

       

      Trata-se de um reconhecimento muito importante sobre a qualidade do ensino do turismo em Macau. Para além do IFT, muitas instituições de ensino superior de Macau também oferecem programas relacionados com o turismo. Este reconhecimento ajuda todos a promover estes programas, o que reforçará ainda mais a reputação de Macau enquanto um centro global de educação em turismo e hotelaria. Este resultado é também um grande encorajamento para a equipa do IFT e motivar-nos-á para continuarmos a ser excelentes. Dito isto, a classificação é uma responsabilidade pesada – temos de estar à altura das elevadas expectativas do meio académico internacional e da comunidade local. Nos últimos anos, as instituições de ensino superior locais foram reconhecidas globalmente em diversas classificações mundiais e em projectos importantes. Penso que este reforço positivo irá motivar-nos para trabalhar mais arduamente para proporcionar um ensino de qualidade e servir bem a nossa comunidade e o nosso país.

       

      O IFT é a entidade responsável pela protecção das manifestações da Gastronomia Macaense incluída na lista de itens representativos do Património Cultural Intangível Nacional da China. No futuro vão ser lançadas mais medidas para promover e salvaguardar a cultura da gastronomia macaense?

       

      Sentimo-nos honrados por nos ter sido atribuída essa responsabilidade. Continuaremos a dar formação sobre as artes culinárias da gastronomia macaense e a promover a sua importância. É de salientar que já incluímos as artes culinárias macaenses nos nossos programas. Os nossos professores também têm estado a investigar este tema. O IFT também serve de um ponto de recolha de receitas antigas da cozinha macaense, bem como documenta e digitaliza informações sobre as artes culinárias macaenses. O IFT organiza anualmente, em colaboração com várias entidades, concursos sobre a cozinha macaense. Esperamos aumentar a consciência e o interesse do público pela gastronomia macaense.