Donald Trump ameaçou impor tarifas de 50% sobre os produtos provenientes da China, caso Pequim preste ajuda militar ao Irão na guerra no Médio Oriente. A China garantiu que aplica “controlos rigorosos” à exportação de produtos militares, em conformidade com a sua legislação e obrigações internacionais.
O Presidente norte-americano ameaçou impor tarifas de 50% sobre os produtos provenientes da China, caso Pequim preste ajuda militar ao Irão na guerra no Médio Oriente.
“Se forem apanhados a fazer isso, serão alvo de direitos aduaneiros de 50%, o que é exorbitante”, disse Donald Trump na televisão norte-americana Fox News, após a estação CNN ter avançado a possibilidade de Pequim dotar Teerão de defesas antiaéreas.
A CNN indicou que a China estaria a preparar o envio deste tipo de armamento dentro das próximas semanas para o Irão, citando três fontes familiarizadas com questões de inteligência e defesa norte-americanas sob condição de anonimato.
Duas dessas fontes anónimas revelaram que existiam indícios de que a China está a tentar encaminhar os carregamentos através de países terceiros para ocultar a sua origem, acrescentou a estação norte-americana CNN.
Embora o republicano tenha minimizado a possibilidade de Pequim enviar armas a Teerão, deixou clara a ameaça económica caso o armamento seja enviado.
“Duvido que o fizessem, porque tenho uma relação com eles e acho que não o fariam, mas talvez o tenham feito um pouco no início”, disse Trump.
“Mas se os apanharmos a fazer isso, vão ter de pagar tarifas de 50%”, continuou.
No sábado, em declarações à imprensa na Casa Branca, já tinha avisado que se Pequim enviasse armas a Teerão iria “ter grandes problemas”.
Trump deverá deslocar-se a Pequim de 14 a 15 de Maio, onde se reunirá com o homólogo chinês, Xi Jinping, após ter adiado uma cimeira anterior devido à guerra com o Irão.
A ameaça surge após o Presidente dos Estados Unidos ter anunciado que a marinha norte-americana vai iniciar um bloqueio às entradas e saídas de navios no estreito de Ormuz, após o fim das conversações com o Irão.
“Instruí a nossa marinha para procurar interceptar todas as embarcações em águas internacionais que tenham pago portagens ao Irão. Ninguém que pague uma portagem ilegal terá passagem segura em alto-mar”, disse Trump.
As negociações presenciais terminaramontem, após 21 horas, deixando em dúvida um frágil cessar-fogo de duas semanas.
A delegação norte-americana disse que as negociações falharam devido ao que descreveram como a recusa do Irão em comprometer-se a abandonar o caminho para uma arma nuclear.
CHINA REJEITA AMEAÇAS AMERICANAS SOBRE APLICAÇÃO DE TARIFAS
A China rejeitou a ameaça do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de 50% sobre produtos chineses caso Pequim forneça armamento ao Irão, defendendo uma política de exportação de material militar “responsável”.
O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou, em conferência de imprensa, que a China aplica “controlos rigorosos” à exportação de produtos militares, em conformidade com a sua legislação e obrigações internacionais.
O responsável acrescentou que Pequim “se opõe a difamações infundadas ou associações maliciosas” relacionadas com alegados envios de equipamento militar ou tecnologia de duplo uso para o Irão.
A China defendeu ainda a necessidade de garantir uma navegação “sem entraves” no Estreito de Ormuz, horas antes do bloqueio anunciado de portos iranianos pelos Estados Unidos, e pediu a Washington e Teerão para manterem o cessar-fogo.
“O Estreito de Ormuz é uma via comercial internacional crucial para bens e energia, e é do interesse comum da comunidade internacional garantir a sua segurança, estabilidade e um tráfego sem entraves”, afirmou o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun, em conferência de imprensa.
O responsável reiterou que a guerra desencadeada pelos Estados Unidos e por Israel é a “causa principal” da quase paralisação do Estreito de Ormuz.
“A solução passa por um cessar-fogo imediato e pelo fim das hostilidades. Todas as partes devem manter a calma e exercer contenção”, acrescentou.
A diplomacia chinesa tem sido apontada como um dos factores que contribuíram para o actual cessar-fogo entre o Irão e os Estados Unidos, apesar da discrição de Pequim.
A China é um parceiro importante do Irão, que antes da guerra destinava ao país asiático mais de 80% das suas exportações de petróleo, segundo a consultora Kpler.
Mais de metade das importações chinesas de petróleo transportado por via marítima provinha do Médio Oriente e transitava maioritariamente pelo Estreito de Ormuz, segundo a mesma fonte.
“A China está disposta a continuar a desempenhar um papel positivo e construtivo”, afirmou Guo Jiakun.
Pequim apelou a Teerão e Washington para prosseguirem a via diplomática, apesar do fracasso das negociações no Paquistão, considerando que essas conversações “constituem um passo rumo à paz”.
“A China espera que as partes respeitem o acordo temporário de cessar-fogo, continuem a resolver as divergências por meios políticos e diplomáticos, evitem retomar as hostilidades e criem condições para um rápido regresso à paz”, afirmou.
Lusa













