As autoridades confirmam que realizaram “várias reuniões” com as companhias petrolíferas locais para estas terem em consideração a capacidade financeira dos cidadãos aquando dos ajustes nos preços. Yau Yun Wah, director dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico, também deixou a garantia de que está a acompanhar a situação. Contudo, os preços dos combustíveis em Macau continuaram a subir, com três empresas a aumentarem até 3,4% a gasolina sem chumbo 98 e 14,7% o gasóleo.
Yau Yun Wah, director dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), revelou que o organismo e o Conselho de Consumidores já se reuniram “várias vezes” com as companhias petrolíferas de Macau em relação ao abastecimento e à evolução dos preços dos combustíveis.
O responsável afirmou ter apelado às empresas para que, ao ajustarem os preços, “tenham em conta a capacidade financeira dos residentes e do sector empresarial”.
Os conflitos recentes no Médio Oriente provocaram grandes flutuações nos preços internacionais do petróleo e a situação já persiste há mais de um mês. Yau Yun Wah, em declarações ao Jornal Cheng Pou à margem de um evento do Governo na sexta-feira, admitiu que Macau “é inevitavelmente afectada” pela situação, sendo o território uma pequena economia orientada para o exterior.
Yau Yun Wah salientou que os encontros com as companhias petrolíferas foram da iniciativa das autoridades e já foram realizadas por várias vezes, desde o início das tensões no Médio Oriente, também na esperança de que estas garantam, na medida do possível, a estabilidade do abastecimento.
“No futuro, a DSEDT continuará a acompanhar a evolução dos preços dos combustíveis. Paralelamente, o Conselho de Consumidores vai actualizar diariamente os respectivos preços através da sua aplicação de telemóvel e do seu site”, frisou.
Os preços dos combustíveis em Macau, no entanto, não pararam de subir. Consultando o portal do Conselho de Consumidores, verifica-se que os preços de retalho foram novamente ajustados no sábado, apesar das “várias reuniões” entre o Governo e as companhias petrolíferas.
No que diz respeito à gasolina sem chumbo 98, entre as cinco empresas fornecedoras em Macau, três aumentaram os preços no sábado, incluindo NKOIL (Nam Kwong Petroleum & Chemicals), Shell e CALTEX. Em comparação com os preços anteriores, os aumentos desta vez variaram entre 3,2% e 3,4%, fazendo com que os preços actuais variem entre um mínimo de 16,9 patacas por um litro e um máximo de 17,9 patacas.
As referidas três empresas fornecedoras impuseram também aumentos ao gasóleo com baixo teor de enxofre, com aumentos que variaram entre 13,9% e 14,7% em comparação com os preços anteriores. Um litro de gasóleo com baixo teor de enxofre custa agora entre 18,75 patacas e 21,92 patacas.
DESAFIOS PARA A AVIAÇÃO CIVIL
A subida acentuada dos preços internacionais do combustível leva também preocupações ao sector da aviação civil. Várias companhias aéreas já anunciaram aumentos das sobretaxas de combustível, o que deixou os bilhetes de voos ficarem cada vez mais caros.
Em Hong Kong, a Cathay Pacific e a Hong Kong Express anunciaram no sábado que vão ser cancelados alguns voos entre meados de Maio e o final de Junho, reduzindo a operação para fazer face aos custos elevados decorrentes da subida dos preços dos combustíveis.
Citado pelo Jornal Ou Mun, um representante do sector da aviação civil local, que não revelou a sua identidade, disse estar preocupado com a diminuição da vontade da viagem dos passageiros devido ao aumento da sobretaxa de combustível.
“Após o feriado da Páscoa, a taxa de ocupação dos voos registou uma queda, criando um ciclo vicioso que levou a uma redução significativa do lucro dos voos, ou mesmo à ausência total de lucro”, salientou. Descreveu, assim, a situação actual como o “maior desafio operacional” que o sector da aviação civil mundial enfrenta após a pandemia.











