A “ocorrência frequente” de catástrofes naturais, bem como incêndios como o que aconteceu recentemente em Hong Kong, deixaram as autoridades de Macau em alerta sobre a urgência de aumentar a capacidade de protecção civil. O secretário para a Segurança aponta “consequências inimagináveis” de eventuais catástrofes em Macau devido à densidade populacional e à concentração de edifícios.
Chan Tsz King, secretário para a Segurança, defende o plano de reforçar a capacidade global da protecção civil em Macau, nomeadamente as acções de prevenção e mitigação de desastres. “Desde 2025, a ocorrência frequente de catástrofes naturais graves em várias partes do mundo, bem como o grave incêndio ocorrido em Hong Kong, servem de alerta profundo para os trabalhos de prevenção de desastres e de resposta a emergências em Macau”, admitiu Chan Tsz King, numa reunião da Estrutura de Protecção Civil, realizada na terça-feira.
O secretário, ao fazer referência à tragédia em Hong Kong em Novembro do ano passado, que fez pelo menos 168 mortos em sete complexos habitacionais que foram consumidos pelas chamas, salientou que uma eventual catástrofe no território teria consequências “inimagináveis” dada a elevada densidade populacional e de edifícios.
O Executivo disse que vai, neste caso, rever e melhorar os planos e procedimentos dos planos de contingência, para garantir que as medidas de resposta a riscos e desastres sejam mais pragmáticas.
Os membros da Protecção Civil, segundo o secretário, devem permanecer em alerta e “manter um pensamento aberto” na realização de inspecções abrangentes, para identificar, de forma exaustiva, os riscos e perigos, elaborando planos de contingência específicos.
Nesta reunião, Chan Tsz King abordou ainda os riscos meteorológicos que Macau vai enfrentar este ano. De acordo com a previsão da Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG), a região poderá ser afectada em 2026 por entre cinco e oito tempestades tropicais, sendo que alguma delas poderá atingir o nível de tufão severo ou superior. Relativamente à chuva, entre Abril e Setembro, é provável a ocorrência de processos de precipitação extremamente forte.
Chan Tsz King observou que, face às condições meteorológicas extremas, a estrutura da Protecção Civil deve manter-se vigilante, preparando-se antecipadamente e tomando todas as medidas para responder a eventuais incidentes, “assegurando que todos os preparativos estejam concluídos antes do início da época dos ciclones”, frisou.
O Governo realizará, desse modo, o exercício anual de protecção civil “Peixe de Cristal” no dia 25 de Abril, que “sintetiza a experiência prática do ano passado em resposta a um super-tufão, criando cenários extremos para reforçar a eficácia das medidas de resposta”, indicou.
O exercício vai contar novamente com a participação de associações que integram o mecanismo de ligação comunitária de protecção civil, instituições profissionais, voluntários de protecção civil e outros residentes. O secretário espera, através do simulacro, “melhorar a consciência do público acerca da prevenção de desastres”.
De acordo com uma nota divulgada pelos Serviços de Polícia Unitários (SPU), durante a mesma reunião, os SMG apresentaram também a previsão de ciclones tropicais e precipitação para 2026. Segundo o relatório, estima-se que a época de tufões tenha início em Junho, ou posteriormente, e se prolongue até Outubro. O documento prevê ainda que, durante a estação chuvosa de Abril a Setembro, a temperatura média se situe entre valores normais e acima do normal, enquanto a precipitação acumulada irá apresentar-se igualmente entre normal e acima do normal, podendo ainda ocorrer “episódios de precipitação extrema”.
Recorde-se que em 2025 registaram-se 14 ciclones tropicais que afectaram Macau, ultrapassando o recorde histórico de 12 ocorrido em 1974, tornando-se assim o ano com maior número de ciclones tropicais a afectar o território desde o início dos registos sistemáticos, em 1968.











