Mais de 4.000 pessoas diagnosticadas com demência em tratamento no São Januário

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FOTOGRAFIA EDUARDO MARTINS

Os casos de demência estão em subida em Macau. Há actualmente mais de 4.000 pessoas, diagnosticadas com demência, a receber tratamento médico no Centro Hospital Conde de São Januário, que prevê um aumento de 600 portadores de demência por ano. Já o Hospital Kiang Wu estima que, com o envelhecimento da população, o número de pessoas com demência aumente para 10.000 em 2036.

Mais de quatro mil residentes estão a receber tratamentos médicos de demência no Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ), revela o sistema de registo de demência dos Serviços de Saúde. Os dados evidenciam um aumento gradual em Macau de pessoas diagnosticadas e tratadas com demência, uma vez que o registo de pacientes tratados no hospital em Outubro do ano passado foi de 3.830, aumentando quase 200 casos nos últimos meses.

Os Serviços de Saúde admitem a possibilidade de serem diagnosticados mais casos de demência no futuro, com um aumento anual de 600. A média de novos casos prevista pelas autoridades foi também de 600 no ano passado, enquanto nos anos anteriores foi cerca de 500. “Há mais de 4.000 doentes com demência em tratamento em Macau. Anualmente, são diagnosticados mais de 600 novos casos de demência. Isso representa um número bastante elevado”, afirmou Wong Sio Mui, coordenadora do Centro de Avaliação e Tratamento da Demência do CHCSJ, que falou ontem no programa matutino Fórum Macau da Rádio Macau em língua chinesa.

A demência é uma doença crónica comum entre os idosos que afecta as suas funções cognitivas, apontou Wong Sio Mui, indicando que os Serviços de Saúde, em colaboração com o Instituto de Acção Social (IAS), criaram o Centro de Avaliação e Tratamento da Demência para prestar serviços de diagnóstico e tratamento integrados. O Centro estabeleceu ainda um mecanismo de encaminhamento recíproco de casos com os centros de saúde.

Nesse sentido, o tempo de espera da avaliação das funções cognitivas até à consulta de demência “foi reduzido para cerca de quatro semanas”, com vista à intervenção precoce dos casos, destacou a responsável.

O Governo adiantou que há anualmente mais de 2.000 pessoas a submeterem-se à avaliação da função cognitiva nos serviços públicos de saúde, tendo mais de 2.270 pessoas realizado o “mini exame do estado mental” nos primeiros oito meses do ano passado.

No mesmo programa da rádio, o IAS assegurou recursos alocados aos serviços para pessoas com demência em Macau, com a criação de instalações de cuidados diurnos e serviços integrados.

O IAS acrescentou ter implementado, em mais de 10 instituições para idosos, formações sobre cuidados para idosos e aconselhamento emocional, de forma a reforçar o apoio aos pacientes e aliviar a pressão sobre os cuidadores.

Referiu ainda que foi estabelecida a “União Amigável da Demência”, que conta agora com a adesão de 209 associações locais de serviços sociais, da área de saúde, de ensino e de jovens, para “promover a sensibilização da população para a demência e reduzir os estigmas sociais”, frisou.

NÚMERO PODE ATINGIR OS 10 MIL ATÉ 2036

 

O Hospital Kiang Wu, por sua vez, prevê que o número de portadores de demência em Macau aumente para 10.000 em 2036, à medida que o envelhecimento da população se agrave no território. A instituição médica avançou que introduziu a terapia cognitiva digital que permite avaliar e rastrear os pacientes de forma abrangente mesmo na sua fase inicial.

A Associação da Doença de Alzheimer de Macau referiu estar atenta à prevenção da demência, afirmando que o conhecimento da população sobre a doença aumentou, mas existe “conhecimento insuficiente” sobre os factores de risco e a prevenção dessa doença, pelo que é necessária uma maior sensibilização ao público. A associação tinha adiantado no ano passado que existiam cerca de 6.000 pacientes com demência em Macau, dos quais dois terços são tratados no hospital público, e que tem recebido em média um a dois pedidos de assistência por semana para se submeterem a rastreio gratuito.

A síndrome demencial é uma doença de degeneração progressiva cerebral, que é constituída por um conjunto de sintomas que correspondem a um declínio contínuo e geralmente progressivo das funções nervosas superiores, que incluem a perda de memória, a diminuição da agilidade mental, a diminuição das funções executivas, dificuldades de expressão, bem como problemas de compreensão e de capacidade de decisão.

As formas de demência mais comuns são a doença de Alzheimer e as demências de causa vascular.

A Organização Mundial da Saúde diz que há um novo paciente com demência a cada 3 segundos, estimando-se que, em 2050, haverá 152 milhões de pessoas com demência em todo o mundo.