O número de mortes por suicídio tem vindo a disparar nos últimos anos. As estatísticas demográficas da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) mostram que no ano passado foram registados 91 casos de suicídio; há dez anos, o número estava nos 50. Ao PONTO FINAL, os Serviços de Saúde dizem que “as causas de suicídios são complexas”, instando os residentes a prestarem mais atenção às pessoas à sua volta e a incentivarem os indivíduos que sofrem de perturbações emocionais a procurarem activamente apoio profissional.
Em 2025, foram registados 91 casos de suicídio, indicam as estatísticas demográficas divulgadas recentemente pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Este é o número mais elevado de sempre na RAEM.
As estatísticas demográficas mostram um aumento significativo do número de mortes por suicídio ao longo da última década. Em 2015, houve 50 suicídios, quase metade do número de 2025. Segundo os números da DSEC, em 2024 houve 86 mortes por lesões autoprovocadas voluntariamente. Anteriormente, recorde-se, os Serviços de Saúde tinham contabilizado 90 suicídios em 2024.
O PONTO FINAL foi ao arquivo da DSEC e recuou até 2000. Desde esse ano até 2015, o número de mortes por suicídio oscilou entre os 44 e os 75. Após 2015, os casos foram aumentando gradualmente. Em 2016, registaram-se 60 casos, no ano seguinte foram 66 e em 2018 mais dois. Em 2019, houve uma queda para os 56, mas em 2020 o número de suicídios disparou para os 69. Em 2021 voltou a baixar para os 50, porém, a partir daí foi sempre a subir: 73 casos em 2022; 78 em 2023; 86 em 2024 e finalmente 91 no ano passado.
Até 2024, os Serviços de Saúde divulgavam publicamente os dados estatísticos das mortes por suicídio todos os trimestres, tendo entretanto deixado de partilhar essas informações.
CAUSAS DOS SUICÍDIOS “SÃO COMPLEXAS”
Questionado pelo PONTO FINAL sobre o número de suicídios no ano passado, os Serviços de Saúde indicaram que “as causas de suicídio são complexas”, envolvendo “frequentemente doenças mentais, factores psicológicos, socioeconómicos, familiares, de relações interpessoais e factores biogenéticos”.
As autoridades ressalvam, porém, que o suicídio pode ser prevenido e, “para uma prevenção e controlo eficaz, é necessária a atenção e participação activa de todos, desempenhando o papel de ‘guardião’ de prevenção do suicídio”.
Com vista a ajudar na redução da ocorrência de suicídios, os Serviços de Saúde aconselham os residentes a manterem um contacto próximo, comunicar mais e prestar mais atenção às pessoas à sua volta e incentivar os indivíduos que sofrem de perturbações emocionais a procurarem activamente apoio profissional.
“O Governo da RAEM atribui grande importância à saúde física e mental da população, integrando os elementos de saúde em todas as políticas públicas”, frisam as autoridades, assinalando que, actualmente, os nove Centros de Saúde de Macau disponibilizam serviços de saúde mental. Além disso, apontam os Serviços de Saúde, o Governo tem financiado constantemente os serviços de psicoterapia fornecidos pela União Geral das Associações dos Moradores de Macau e pela Associação das Mulheres de Macau.
Em colaboração com o Macau Youth Development Service Centre, foi também lançada a Linha aberta de apoio emocional 28712356 – serviços de aconselhamento sobre saúde mental de 24 horas, tendo sido disponibilizada a ferramenta de auto-avaliação da saúde mental Autoverificação Emocional, “para ajudar os residentes a identificar do seu estado de saúde psicológica, encorajando aqueles que enfrentam dificuldades emocionais a ligarem, por iniciativa própria, para a Linha aberta de apoio emocional (28712356) ou para a Linha aberta de esperança de vida da Cáritas (28525222), no sentido de obterem ajuda.











