Edição do dia

Quinta-feira, 4 de Junho, 2026
Cidade do Santo Nome de Deus de Macau
céu limpo
28.5 ° C
28.5 °
28.5 °
83 %
4.3kmh
4 %
Qui
35 °
Sex
35 °
Sáb
31 °
Dom
30 °
Seg
30 °

Suplementos

PUB
PUB
Mais
    More
      InícioCulturaRodrigo Leal de Carvalho: comédia humana à maneira de Macau

      Rodrigo Leal de Carvalho: comédia humana à maneira de Macau

      Escrever com ironia sobre a realidade social do território construindo personagens verdadeiras, com alguma comédia. Foi o que fascinou a Dora Gago, no escritor, Rodrigo Leal de Carvalho. A autora esteve ontem, no Festival Literário de Macau, para apresentar o livro de ensaios, “Rodrigo Leal de Carvalho: dois olhares sobre a sua obra”, escrito juntamente com Anabela Freitas, e o romance da sua autoria, “Quem rasgou os meus lençóis de linho”.

      Escrito por Anabela Freitas e Dora Gago, o livro “Rodrigo Leal de Carvalho: dois olhares sobre a sua obra” mergulha no trabalho publicado pelo escritor de Macau, ao longo da sua vida. Presente na plateia, o editor da obra de Rodrigo Leal de Carvalho, Rogério Beltrão Coelho, referiu que o autor foi, durante muito tempo, esquecido no território.

      Ao apresentar o livro, a professora da Universidade Politécnica de Macau, Lola Xavier, referiu a particularidade de Rodrigo Leal de Carvalho ter escrito mais de metade da sua obra, já em idade avançada, sem nunca afectar a qualidade. “Um dos aspectos são as personagens com sobrevida, que vão transitando entre os vários livros”, refere. Constatando-se aqui “a influência do social e do real na ficção”, ainda que, conforme o autor referiu em vida, em entrevistas, toda esta realidade seja transformada ficcionalmente.

      Abordando a questão dos refugiados que chegam a Macau, conforme se vê em “Requiem por Irina Ostrakoff” e em “A Mãe”, acabam por se explorar ainda vários problemas ao nível social. “São vários quadros de várias realidades apresentados”, sempre com alguma ironia, acrescenta a investigadora. “A ironia serve para crítica”, acrescenta Dora Gago.

      Sem querer revelar muito do conteúdo da obra, Lola Xavier remata que se trata de um livro que pode interessar estudiosos da literatura de Macau e da literatura no geral. “Nunca é tarde para continuarmos a apresentar outras literaturas para além da literatura central, a portuguesa”, salienta.

      Do ensaio à ficção

      Dora Gago não só é investigadora e ensaísta, mas é também autora de literatura de ficção. Qual é a origem de “Quem rasgou os meus lençóis de linho?”, pergunta a professora da Universidade Cidade de Macau, Sara Augusto, uma das moderadoras da sessão. A protagonista, Ana Cláudia, inspira-se numa história que vivia na sua cabeça, de alguém que sofre uma história que envolve esquizofrenia e toxicodependência e, durante anos, Dora Gago “quis fazer algo com ela”. Uma história que vive em Macau, depois de a investigadora ter trabalhado no território como professora da Universidade de Macau.