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      InícioCulturaA obra arquitectónica de Acconci e o 24 de Junho em banda-desenhada

      A obra arquitectónica de Acconci e o 24 de Junho em banda-desenhada

      Ontem, no último dia do Festival Literário Rota das Letras, o Instituto Internacional de Macau (IIM) apresentou dois livros lançados no ano passado: “Construir o Século XX – Um Italiano em Macau: Oseo Acconci e a sua Arquitectura nas décadas de 1950 e 1960”, de Jane Lei, e “Vitória, Vitória – Um Episódio da Nossa História”, escrito por Catarina Mesquita e ilustrado por Rodrigo de Matos.

      O arquitecto Oseo Acconci e a Batalha de Macau de 24 de Junho de 1622 partilharam ontem o palco numa sessão do último dia da edição deste ano do Festival Literário Rota das Letras que serviu para o Instituto Internacional de Macau (IIM) dar a conhecer duas obras publicadas no ano passado.

      “Construir o Século XX – Um Italiano em Macau: Oseo Acconci e a sua Arquitectura nas décadas de 1950 e 1960” é o título do livro de Jane Lei lançado pelo IIM no ano passado. A autora da obra, Jane Lei, participou na sessão de ontem, moderada por António Monteiro, através de vídeo, repassando a vida e obra deste arquitecto italiano que se mudou para Macau em 1941 e deixou várias marcas no território.

      No vídeo exibido, a académica que se tem dedicado ao estudo do arquitecto destacou, de entre as obras deixadas em Macau por Acconci, as igrejas, nomeadamente a Igreja de São Francisco Xavier, em Coloane, a Igreja de Nossa Senhora das Dores, em Ká-Hó, e a Igreja de Nossa Senhora de Fátima, na zona Norte de Macau.

      Jane Lei ressalvou, contudo, que os trabalhos arquitectónicos de Acconci estão “esquecidos” e que o seu legado está a ser “apagado”. “Alguns foram demolidos e o paradeiro de muitos continua desconhecido”, lamentou.

      António Monteiro, coordenador do IIM, adiantou que o organismo está a trabalhar na tradução deste livro para inglês.

      “VITÓRIA, VITÓRIA”

      “Vitória, vitória – episódio da nossa história”, uma banda-desenhada sobre o episódio da Batalha de Macau de 24 de Junho de 1622 da autoria de Catarina Mesquita e com ilustrações de Rodrigo de Matos, foi o outro livro destacado ontem na sessão.

      Na sessão, António Monteiro comentou que o objectivo do IIM quando pensou editar este livro foi permitir que este episódio histórico chegasse a uma faixa etária mais jovem, “com a arte do Rodrigo”. Este livro bilingue português-chinês também poderá vir a ter uma versão em inglês em breve, adiantou António Monteiro.

      A sessão contou com a presença do cartoonista Rodrigo de Matos, que confessou ter ficado “assustado” quando a ideia lhe foi apresentada, porque “fazer um álbum de banda-desenhada não é nada fácil, implica muitas horas de trabalho”. No entanto, rapidamente ficou convencido com o ponto de partida do livro: “E se os holandeses tivessem ganho a batalha?”.

      O enredo centra-se na Batalha de Macau de 1622, um dos eventos mais cruciais da história do território, em que os portugueses conseguiram repelir um ataque holandês apesar da inferioridade numérica. A coincidência da data com a celebração do nascimento de São João Baptista, fixado a 24 de Junho na tradição cristã, ditou que o santo se tornasse o padroeiro da cidade de Macau. A partir desta história já conhecida, a autora Catarina Mesquita constrói “uma sátira inteligente e afectuosa” que “aborda os eventos do cerco holandês de forma humorística e irreverente”, para além de estabelecer “uma ligação espirituosa com as celebrações actuais do Dia de São João Baptista”.

      A história do livro acompanha um holandês que chega a Macau durante o Arraial de São João, que se celebra precisamente no dia 24 de Junho, e encontra um macaense, perguntando-lhe que celebração é. Aí, ele começa a explicar o contexto histórico daquela celebração.

      Miguel de Senna Fernandes também fez parte desta sessão e deixou elogios ao livro: “É uma outra maneira de contar a história e dá importância ao 24 de Junho, uma data histórica para Macau”. “E se os holandeses tivessem ganho? Qual o tratamento entre chineses e holandeses? Como é que a China teria encarado a questão? Não sei se haveria a Gruta de Camões”, comentou, sublinhando que “o curso de Macau teria sido completamente diferente”.