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      InícioCultura"Camilo Pessanha é Portugal no mundo"

      “Camilo Pessanha é Portugal no mundo”

      Fez ontem precisamente 100 anos que Camilo Pessanha morreu. A data foi assinalada com uma mesa-redonda na Casa Garden em que Carlos Morais José, António Carlos Cortez, Diego Giménez, Carlos Marreiros, Sérgio Sousa, Christopher Chu e Maggie Hoi recordaram o poeta e destacaram o legado deixado por Pessanha.

      Camilo Pessanha faleceu no dia 1 de Março de 1926, fez ontem precisamente 100 anos. A data foi assinalada na Casa Garden com uma sessão evocativa do poeta que viveu mais de três décadas em Macau. Da sessão, moderada pelo professor catedrático no Departamento de Português da Faculdade de Letras da Universidade de Macau (UM), Sérgio Guimarães de Sousa, fizeram ainda parte o arquitecto Carlos Marreiros, o escritor Carlos Morais José, o professor e ensaísta António Carlos Cortez, o professor da UM Diego Giménez, bem como o escritor Christopher Chu e professora universitária Maggie Hoi.

      António Carlos Cortez começou a sua intervenção a dar destaque à “importância da poesia em tempo de triunfalismo digital”. O professor assinalou que, “nos últimos 25, 30 anos, ao nível da linguagem, houve uma rasura para empobrecer ao nível imediato dos produtos e das palavras”. O “empobrecimento é real, acelerado e profundo”, frisou Cortez, acrescentando que a poesia de Pessanha o marcou “profundamente”.

      O arquitecto Carlos Marreiros falou sobre os desenhos que fez de Camilo Pessanha entre 1977 e 1997 compilados numa obra intitulada “O Poeta e a Cidade”. “Camilo Pessanha é uma fixação de liceu”, confidenciou, confessando que teve “sorte na vida” por ter tido oportunidade de desenhar o poeta.

      Carlos Morais José, por seu turno, destacou Pessanha enquanto marco da presença portuguesa em Macau. Por isso, defendeu, “há o dever da comunidade portuguesa para celebrar e comemorar o poeta”.

      “Camilo Pessanha é Portugal no mundo”, afirmou Carlos Morais José, explicando: “É o Portugal que existe em todo o resto do mundo, os grandes escritores portugueses foram esses”, dando os exemplos de Fernando Pessoa, que nasceu na África do Sul, e de Eça de Queiroz que viveu quase sempre fora de Portugal. Mas Pessanha distingue-se, uma vez que veio para “o ponto mais remotoda presença portuguesa no mundo. Remoto em termos culturais porque se confronta com a mais forte e estruturada cultura que existe, a cultura chinesa”, comentou. Por isso, “temos obrigação de manter a sua memória viva”, reiterou.

      Diego Giménez defendeu a preservação da obra de Pessanha – e de toda a literatura em geral – em formato digital para a construção de arquivos digitais. Christopher Chu e Maggie Choi falaram sobre a iniciativa “Um Passeio Com História” que será organizada no dia 8 de Março, pelas 11h, no âmbito do Festival Literário Rota das Letras. Um passeio que vai levar os interessados a vários pontos da cidade com ligações a Pessanha.

      Amanhã às 18h30, o IPOR – Instituto Português do Oriente recebe mais uma sessão para recordar o poeta no centenário da sua morte. Nesta mesa-redonda, onde serão exploradas as várias facetas de Pessanha, participarão José Basto da Silva, Frederico Rato, Shee Vá e também António Carlos Cortez.

      Ideia do museu de Camilo Pessanha volta à agenda

      Na sessão evocativa de ontem, Carlos Marreiros voltou a lançar a ideia da construção de um museu com foco em Camilo Pessanha em Macau. “Macau tem de associar Pessanha a esta terra; não falta material para explorar”. Seria “muito merecido”, já que “ele é mais de Macau do que de Coimbra”, frisou. O arquitecto defendeu que a iniciativa da construção de um museu dedicado ao poeta deve partir do público.