Após o registo em 2025 do menor número de recém-nascidos das últimas cinco décadas, os Serviços de Saúde dizem esperar que os casais jovens locais tenham mais filhos neste Ano Lunar do Cavalo e que os nascimentos em Macau voltem a subir para mais de três mil.
Os Serviços de Saúde estão preocupados com a queda contínua da taxa de natalidade e esperam que o número de recém-nascidos volte a aumentar e superar o nível de três mil. A questão foi abordada depois de Macau ter registado apenas 2.871 bebés nascidos no ano passado, sendo o número mais baixo desde 1978.
Tai Wa Hou, director substituto do Centro Hospitalar Conde de São Januário, admitiu que a taxa de natalidade é difícil de prever, mas espera que os casais jovens de Macau “tenham mais filhos”, tendo em conta que este Ano do Cavalo “é considerado auspicioso”.
Recorde-se que o número de recém-nascidos em 2025 foi de 2.871, o que representa uma diminuição de mais de 20%, ou 735, em comparação com os 3.606 registados em 2024. Foi assim também a primeira vez que este número caiu abaixo dos 3.000 há quase cinco décadas, de acordo com os Serviços de Estatística e Censos.
A taxa de fecundidade da RAEM, de acordo com o Relatório Mundial sobre Fertilidade de 2024 das Nações Unidas, situa-se em apenas 0,68, o mais baixo do mundo. Esta taxa implica que, em média, cada mulher em Macau dá à luz menos de um filho durante a sua vida, ficando muito aquém do nível de 2,1 para a substituição de gerações ou para manter uma população estável.
Em declarações à Rádio Macau em língua chinesa, à margem de uma visita dos primeiros bebés nascidos no Ano Novo Lunar, Tai Wa Hou sublinha que as autoridades lançaram serviços “de alta qualidade” que cobrem todo o ciclo da gravidez, sendo medidas de promoção de nascimentos e favoráveis ao desenvolvimento infantil.
Segundo o também subdirector substituto dos Serviços de Saúde, foram lançados, desde 1 de Janeiro deste ano, serviços gratuitos de Teste Pré-Natal Não Invasivo (NIPT) às grávidas residentes de Macau, em todas as faixas etárias, com intuito de proteger a saúde das grávidas e dos fetos.
O NIPT, enquanto ferramenta de rastreio cromossómico não invasiva que requer uma amostra de sangue da grávida, permite identificar o ácido desoxirribonucleico (ADN) fetal e detectar, de forma precoce, anomalias cromossómicas e doenças genéticas, como a síndrome de Down, a síndrome de Edwards ou a síndrome de Patau.
“Em comparação com os métodos de diagnóstico invasivos tradicionais, como a amniocentese, este teste apresenta as vantagens de uma elevada precisão, segurança e ausência de risco de aborto espontâneo”, garantiu.
Tai Wa Hou acrescentou que o Governo lançou ainda a Plataforma de gestão da saúde de grávidas e puérperas, iniciativa que “apoia os cuidados pré-natais e salvaguarda a saúde das grávidas e dos recém-nascidos”, disse o também médico.
A baixa natalidade tem sido tema recorrente na sociedade. Em Julho do ano passado, o Governo lançou a medida de “subsídio de assistência na infância”, de natureza provisória, para reforçar o apoio financeiro aos pais dos recém-nascidos, com um valor total de 54 mil patacas para as crianças até aos três anos. O Executivo lançou também uma consulta pública sobre o aumento, no sector privado, da licença de maternidade, de 70 para 90 dias, e das férias anuais, de seis para 12 dias, para os trabalhadores poderem “obter um melhor equilíbrio entre o trabalho e a vida familiar”.
ONZE CASOS COLECTIVOS DE GASTROENTERITE
As autoridades de Macau receberam relatos de onze incidentes de intoxicação alimentar desde o início deste ano, seis dos quais associados ao consumo de ostras cruas. Tai Wai Hou revelou que a maioria dos casos envolveu sintomas leves, como diarreia causada por infecção por norovírus.
Tendo em consideração a detecção de vários casos de gastroenterite associados ao consumo de ostras cruas em Macau e Hong Kong, Tai Wa Hou lembrou ao público que deve prestar atenção à segurança alimentar, e os indivíduos com sistemas imunitários enfraquecidos e idosos devem evitar o consumo de ostras cruas sempre que possível.
O responsável falou também sobre a situação da gripe em Macau, revelando que, desde o início da vacinação contra a gripe em Setembro do ano passado, foram administradas mais de 200.000 doses de vacinas. Segundo Tai Wa Hou, a actual taxa de positividade para o vírus influenza monitorada nos laboratórios e no Serviço de Urgência é de aproximadamente 6%, permanecendo abaixo do limiar de alerta e não constituindo um período activo de gripe.
No entanto, Tai alerta para a subida dos riscos de infecção de gripe devido ao número de visitantes durante o período do Ano Novo Lunar, apelando à vacinação dos residentes não vacinados e que o público evite visitar locais lotados.











