Depois dos sacos de plástico e dos talheres descartáveis, o Governo vai reforçar a redução de resíduos no território com a restrição da importação de cotonetes com hastes de plástico, tubos para insuflar balões e hastes plásticas para balões. O director dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), Ip Kuok Lam, prevê que a medida entre em vigor já a partir de 2026.
O Governo vai proibir a importação de cotonetes com hastes de plástico, tubos para insuflar balões e hastes plásticas para balões a partir do próximo ano, assinalando uma nova fase no plano de restrição de produtos plásticos descartáveis no território. A medida foi anunciada no sábado pelo director dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), Ip Kuok Lam, em declarações ao canal de rádio da TDM em língua chinesa.
De acordo com números citados pelo director da DSPA, Macau importa anualmente 2,4 milhões de embalagens de cotonetes com hastes de plástico, 100 mil varetas para balões e 500 mil balões insufláveis. Ip Kuok Lam refere que o Governo já “obteve o apoio do sector” e que espera, agora, poder “concluir o regulamento ainda no final deste ano, para entrar em vigor já a partir do próximo ano”.
As declarações do director da DSPA foram feitas à margem do “Festival para comemorar o Dia Mundial do Ambiente 2025 entre a Grande Baía Guangdong-Hong-Kong-Macau”, no sábado, a propósito da celebração do Dia Mundial do Ambiente no dia 5 de Junho, quinta-feira. Na mesma intervenção, o responsável adiantou que, com a inauguração do novo Centro Ambiental Alegria na Doca do Lam Mau, o número de postos para a recolha de resíduos na região vai aumentar de 16 para 32.
O evento, com a organização da DSPA e co-organizado pelos departamentos de protecção ambiental das 11 províncias e cidades da Grande Baía, dinamizou uma série de actividades relativas ao ambiente, como tendas de jogos, áreas de exposição e um posto de recolha provisório. Para além da apresentação da Estratégia de Descarbonização da Longo Prazo de Macau deste ano, realizaram-se ainda as cerimónias de doação das taxas de sacos de plástico cobradas e de entrega de prémios no âmbito do programa de reciclagem “Pontos Verdes”.
Em comunicado, a DSPA frisa que, nos últimos anos, “tem vindo a alargar a rede de reciclagem da comunidade, a fim de tornar mais conveniente para os cidadãos a prática de todos os tipos de comportamentos ambientais, tais como a redução de carbono e a redução de resíduos, em resposta à concretização da ‘Dupla Meta de Carbono’ nacional”.
O organismo tem já algumas actividades temáticas planeadas para este Verão, como a iniciativa “Desligar as luzes durante 1 hora”, que decorrerá este sábado entre as 20:30 e as 21:30; a sugestão “Vestuário Informal de Verão – Vamos Todos Conservar Energia!”, que incentiva os trabalhadores a optar por vestuário leve e casual durante os meses de maior calor; ou o sorteio “Poupança de Energia – Acção de Conservação de 5% de Energia”, elegível aos participantes que poupem um mínimo de 5% no consumo de energia eléctrica entre Julho e Outubro deste ano em comparação com o período homólogo de 2024.
CONTAMINAÇÃO POR MICROPLÁSTICOS EM MACAU É DAS MAIS ELEVADAS DO MUNDO
As novas restrições surgem na sequência de diversas medidas amigas do ambiente implementadas ao longo dos anos, como a taxação de sacos de plástico, o controlo da circulação de caixas alimentares feitas de esferovite e a restrição de palhinhas e utensílios de mesa descartáveis.
A lei das restrições ao fornecimento de sacos de plástico entrou em vigor em Novembro de 2019, estipulando que os estabelecimentos comerciais deveriam cobrar um valor fixo de uma pataca por cada saco de plástico fornecido no acto de venda a retalho. Seguiu-se o controlo da importação de utensílios de mesa descartáveis de esferovite, a partir de 2021, e a proibição da importação e circulação de palhinhas de plástico e agitadores de bebidas descartáveis e não-biodegradáveis em 2022. No ano seguinte, a “lista negra” das autoridades passou a incluir facas, garfos e colheres descartáveis e não-biodegradáveis, sendo que muitos restaurantes de operadoras de jogo já optavam por substitutos de madeira ou papel.
Recorde-se que, em 2022, o director do Instituto de Ciência e Ambiente da Universidade de São José (USJ), David Gonçalves, admitiu à Lusa que o Rio das Pérolas, no sul da China, está entre os dez que mais contribui ao nível da contaminação oceânica com plásticos, microplásticos e nanoplásticos. Os estudos citados pelo académico indicavam que os índices de contaminação nas praias e zonas costeiras de Macau, a oeste da foz do rio, eram “dos mais elevados do mundo”, com mais de duas mil partículas de microplástico detectadas num litro de areia.
C.B.











