Economia cresce 4,7% em 2025 e retoma 89,6% dos valores pré-pandemia

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FOTOGRAFIA ELOI CARVALHO

 

A economia do território manteve uma trajectória de recuperação estável ao longo de 2025, com o Produto Interno Bruto (PIB) a atingir os 418,04 mil milhões de patacas, um crescimento real de 4,7% face a 2024 e equivalente a 89,6% do volume económico registado em 2019, antes da pandemia. Os dados, divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), apresentam um quarto trimestre particularmente dinâmico, impulsionado por uma forte afluência turística e por uma série de eventos de grande envergadura que beneficiaram o sector dos serviços.

A economia de Macau fechou o ano de 2025 com um crescimento sustentado, atingindo os 418,04 mil milhões de patacas. Este valor representa uma recuperação de destaque e que alcançou 89,6% do nível pré-pandémico de 2019. O PIB per capita fixou-se em 607.263 patacas, o que traduz um aumento anual de 4,3% e que posicionou o território em oitavo lugar no ranking mundial do Fundo Monetário Internacional.

O deflator implícito do PIB, que mede a variação global de preços, registou uma subida de 0,5% em termos anuais, fixando-se em 100,7. A análise por componentes revela que as exportações de serviços foram o principal motor deste crescimento, expandindo-se 5% em termos homólogos. Este desempenho foi particularmente notório no quarto trimestre, onde as exportações de serviços cresceram 9,8% face ao período homólogo de 2024, beneficiando de um aumento de 15,4% no número de visitantes. Dentro deste segmento, as exportações de serviços do jogo cresceram expressivos 18,0% no trimestre, enquanto os outros serviços turísticos avançaram 3,7%.

 A procura interna também apresentou sinais positivos ao longo do ano. A despesa de consumo final do governo aumentou 3% e a despesa de consumo privado cresceu 1,3%, reflectindo uma confiança continuada dos consumidores. A formação bruta de capital fixo, no entanto, registou uma quebra de 7,8% no conjunto do ano, embora tenha apresentado um crescimento de 1,3% no quarto trimestre, sugerindo uma recuperação do investimento no final do período. No quarto trimestre de 2025, o PIB atingiu os 115,72 mil milhões de patacas, um crescimento real de 7,6% em termos homólogos, atingindo 94,1% do nível do mesmo trimestre de 2019, período pandémico. A despesa de consumo final do governo e a despesa de consumo privado cresceram, respetivamente, 2,1% e 0,7% no trimestre.

Turismo, eventos e sectores em transformação

O sector das convenções e exposições afirmou-se como um importante catalisador da actividade económica em 2025. No quarto trimestre, realizaram-se 564 eventos, mais 21,3% que no período homólogo de 2024, atraindo 487.000 participantes e visitantes, um aumento expressivo de 50,4%. Este crescimento foi impulsionado pela realização de novos eventos de grande envergadura. As receitas geradas para os ramos de actividade não jogo atingiram cerca de 2,58 mil milhões de patacas no trimestre, mais 86,6% que no mesmo período de 2024. No cômputo anual, realizaram-se 1.861 eventos, mais 22,1% que em 2024, que atraíram 1.473.000 participantes e visitantes, um crescimento de 10,7%. As receitas para a economia não jogo cifraram-se em 6,28 mil milhões de patacas, um aumento de 16,4% face ao ano anterior. Destaque para o crescimento de 47,5% nos eventos de incentivo, que totalizaram 59, e para a realização de 38 conferências, mais 31,0% que no ano anterior. A internacionalização do sector também progrediu, com os expositores internacionais a representarem 14,0% do total, mais 4,6 pontos percentuais que no ano anterior.

O mercado de arrendamento apresentou dinâmicas distintas entre os sectores residencial e comercial. Em 2025, a renda média por metro quadrado das fracções autónomas habitacionais fixou-se em 139 patacas, um aumento de 2,1% face a 2024. Em contraste, as rendas comerciais recuaram, especificamente, as lojas registaram uma descida de 1,7% para 469 patacas por metro quadrado, os escritórios caíram 4,8% para 281 patacas e as fracções industriais desceram 2,3% para 120 patacas. Analisando por zonas, as rendas habitacionais em Coloane, na Zona de Aterros do Porto Exterior (ZAPE) e na Baixa da Taipa cresceram 3,5%, impulsionadas por grandes edifícios residenciais. Pelo contrário, zonas como Fai Chi Kei e a Barca registaram quebras de 1,6% e 0,7%, respectivamente.

No sector comercial, o ZAPE e a baixa de Macau foram excepções positivas, com aumentos de 4,2% e 2,3% nas rendas das lojas, enquanto Horta e Costa, Barra e Manduco sofreram descidas de 6,9% e 2,4%. No quarto trimestre de 2025, a renda média habitacional manteve-se estável nas 140 patacas por metro quadrado, enquanto as rendas comerciais continuaram a ceder ligeiramente face ao trimestre anterior.

A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) divulgou também os dados relativos ao mercado de crédito em Dezembro de 2025. Os novos empréstimos hipotecários para habitação (EHHs) aprovados totalizaram 898,36 milhões de patacas, uma quebra de 28,2% face a Novembro. Todos estes empréstimos foram concedidos a residentes. A média mensal dos novos EHHs no último trimestre do ano foi de 1,11 mil milhões de patacas, menos 6,6% que no trimestre anterior.

Os novos empréstimos comerciais para actividades imobiliárias (ECAIs) também recuaram 5,4% em Dezembro, para 384,18 milhões de patacas. No entanto, a média mensal do trimestre foi de 545,35 milhões de patacas, mais 12,2% que no período anterior, sugerindo alguma volatilidade mensal. No final de Dezembro, o saldo bruto dos EHHs cifrava-se em 206,45 mil milhões de patacas, menos 5,3% que no período homólogo de 2024. O saldo bruto dos ECAIs era de 138,09 mil milhões de patacas, menos 7,9% que no final de 2024. O rácio de dívidas não pagas dos EHHs fixou-se em 3,6%, uma melhoria face a Novembro, enquanto o rácio dos ECAIs se situou em 5,4%, igualmente com uma tendência positiva mensal.

Já o uso de pagamentos móveis em Macau continuou a crescer no quarto trimestre de 2025. O valor das transacções atingiu os 8,9 mil milhões de patacas, mais 5,4% que no trimestre anterior, num total de 103,8 milhões de operações. O valor médio por transacção foi de 85,4 patacas. Até ao final do ano, o número de terminais que aceitam pagamento móvel e suportes de QR Code em Macau ascendia a 111.223 unidades. No que respeita a cartões de crédito, o crédito utilizado no quarto trimestre atingiu 6,5 mil milhões de patacas, mais 3,5% que no trimestre anterior, num total de 14 milhões de transações. O saldo de dívidas em ‘rollover’ fixou-se em 775,8 milhões de patacas, representando 27,7% do saldo total de dívidas. O rácio de débito não pago melhorou para 2,5%, menos 0,2 pontos percentuais que no final de Setembro. As transações com cartões de débito também aumentaram, atingindo 520,7 milhões de patacas, mais 9,4% que no trimestre anterior, num total de 1,9 milhões de operações.

Quanto às reservas cambiais, em Janeiro de 2026, cifravam-se em 241,8 mil milhões de patacas, o equivalente a 30,08 mil milhões de dólares norte-americanos, uma descida de 1,5% face ao mês anterior. Este montante representa cerca de 11 vezes a circulação monetária. A taxa de câmbio efetiva da pataca, ponderada pelas quotas de comércio, situou-se em 100,5 em Janeiro de 2026, uma descida de 0,65 pontos face a Dezembro e de 7,08 pontos face a Janeiro de 2025, indicando um enfraquecimento global da moeda face às divisas dos principais parceiros comerciais de Macau.