As autoridades de Hong Kong disseram que pelo menos dois residentes do território morreram em combate pela Ucrânia, que há quase quatro anos enfrenta uma invasão por parte da Rússia.
O secretário para a Segurança de Hong Kong disse no Conselho Legislativo que alguns homens tinham ido como voluntários para a Ucrânia. Numa reunião da comissão parlamentar de segurança, Chris Tang Ping-keung disse que um dos objetivos destes residentes era “ganhar experiência militar” para, mais tarde, de regresso à região, organizarem actividades contra o Governo local. “Hong Kong é um lugar muito pacífico, mas foi incitado à resistência e doutrinado com ideias de violência. Acredito que isso envenenou a mente dos jovens de Hong Kong e levou ao sacrifício de duas vidas”, lamentou Chris Tang.
De acordo com a imprensa de Hong Kong, os dois homens, de 23 e 30 anos, morreram num ataque das forças russas na zona de Zaporijia, no sul da Ucrânia, em 26 de dezembro.
Além de recrutar mercenários vindos do exterior, a Rússia tem sido acusada de enganar estrangeiros, levando-os a viajar para o país, sob o pretexto de lhes oferecer empregos, sendo depois obrigados a lutar na Ucrânia. Moscovo tem acusado Kiev de também recrutar mercenários estrangeiros, algo que a Ucrânia nega, garantindo que apenas aceita combatentes voluntários vindos do exterior.
A China tem adoptado uma posição ambígua face à guerra na Ucrânia, apelando ao respeito pela “integridade territorial de todos os países”, incluindo de Kiev, mas também pelas “legítimas preocupações de segurança” de Moscovo.
Chris Tang defendeu que o executivo de Hong Kong não pode ser complacente face aos riscos para a segurança nacional e alegou a persistência de ‘resistência suave’ para “disseminar o ódio”.
O conceito de ‘soft resistance’, ou ‘resistência suave’, tem sido usado pelas autoridades de Hong Kong para atacar discurso crítico do Governo ou da região em obras culturais ou organizações da sociedade civil. O secretário deu como exemplo a detenção, em 12 de dezembro, de nove homens, entre os 20 e 25 anos, por alegadamente participarem em treinos militares ilegais envolvendo armas de fogo.
Na altura, o superintendente do Departamento de Segurança Nacional (NSD, na sigla em inglês) da polícia, Chow Hok-yin, disse que apreenderam armas de ar comprido, “objetos suspeitos de serem explosivos” e objetos com slogans antigovernamentais.
O superintendente-chefe do NSD, Steve Li Kwai-wah, disse que um dos detidos indicou que o grupo poderia usar os treinos militares e de combate para atacar polícias ou apoiantes do Governo em caso de protestos semelhantes aos de 2019.
Alguns dos suspeitos apareceram no memorial em Wang Fuk Court, onde o pior incêndio a atingir Hong Kong em quase oito décadas causou 168 mortos, em 26 de novembro, acrescentou Steve Li.
Chris Tang lamentou que tenham circulado nas redes sociais “informações falsas” sobre o incêndio em Tai Po, incluindo que seis mil polícias de choque iriam avançar sob os residentes afetados. O secretário acusou a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA, na sigla em inglês), de tentar recrutar informadores em Hong Kong para “incitar outros a trair” a China. Lusa













