China oferece-se como “âncora estabilizadora” face a crescente fragmentação global

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A China ofereceu-se como “âncora estabilizadora” num contexto internacional marcado pela crescente fragmentação e tensões geopolíticas, após uma semana dominada por debates sobre segurança, comércio e governação global no Fórum Económico Mundial de Davos.

A mensagem foi transmitida pelo porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun, em conferência de imprensa, ao avaliar a reunião anual do fórum realizada esta semana na cidade suíça. Guo referiu-se à intervenção em Davos do vice-primeiro-ministro e principal negociador comercial chinês, He Lifeng, que defendeu o respeito mútuo com base na “consulta em pé de igualdade”. “O mundo enfrenta cada vez mais fatores de incerteza e desestabilização”, afirmou o porta-voz, que sustentou que “quanto mais complexo é o ambiente internacional, maior é a necessidade de reforçar a cooperação através do diálogo”.

Guo acrescentou que “independentemente da evolução da situação internacional”, a China “actuará como âncora estabilizadora” e disse que Pequim está disposta a “trabalhar com todas as partes para reduzir as diferenças através do diálogo, fortalecer a confiança mútua através da cooperação e cumprir os compromissos com ações concretas”.

As declarações foram feitas após uma semana marcada em Davos pela presença do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pela reativação do debate sobre a segurança europeia, a guerra na Ucrânia, a situação em Gaza e o papel da NATO no Ártico.

Nesse contexto, o Presidente chinês, Xi Jinping, e o seu homólogo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, mantiveram uma conversa telefónica. Xi pediu a Lula para “colocar-se do lado certo da história”. Ambos sublinharam o papel da China e do Brasil como “forças construtivas” para salvaguardar a paz e promover a reforma da governação global.

Durante essa conversa, Xi rejeitou as acusações externas contra Pequim e sustentou que a suposta “ameaça chinesa” é “totalmente infundada”, ao mesmo tempo que criticou as “acusações infundadas” e a prática de “inventar pretextos” para “buscar benefícios egoístas”, numa referência indireta às recentes declarações de Trump sobre o Ártico e a Gronelândia.

O Presidente chinês, Xi Jinping, apelou ao Brasil para defender, juntamente com a China, “o papel central” das Nações Unidas no sistema internacional, numa conversa com o homólogo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, noticiou a imprensa estatal.

Os dois chefes de Estado conversaram por telefone, um dia após a inauguração, pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, do seu “Conselho da Paz”, que deve trabalhar para a resolução de conflitos e é amplamente considerado um concorrente da ONU.

Embora a China e o Brasil tenham recebido um convite para participar no “Conselho da Paz”, o relato da conversa entre os presidentes Xi e Lula não menciona essa organização.

A China e o Brasil “devem posicionar-se resolutamente do lado certo da história, defender melhor os interesses comuns dos dois países e do Sul Global e defender juntos o papel central das Nações Unidas e os princípios de equidade e justiça internacionais”, afirmou Xi, citado pela imprensa chinesa. Xi também defendeu “a reforma e a melhoria da governação global”.

A China indicou ter sido convidada pelos Estados Unidos para participar no “Conselho da Paz”, mas até agora não se pronunciou sobre se aceitaria ou não.

A China, segunda potência económica mundial e membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, defende tradicionalmente o sistema da ONU, ao mesmo tempo que exige reformas.

A China e o Brasil fazem parte do grupo BRICS+, uma aliança ampliada de países emergentes que se reúnem em cimeiras anuais. Em Agosto de 2025, Xi disse a Lula que os dois países poderiam servir de exemplo de “independência” para outros países emergentes. Lusa