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      InícioSociedadeReestruturação do Hotel Sun Sun

      Reestruturação do Hotel Sun Sun

      Álvaro Siza Vieira também deixou obra por fazer em Macau. A reestruturação do Hotel Sun Sun, na Praça de Ponte e Horta, é disso exemplo. O hotel precisava de uma remodelação e os donos incumbiram Siza Vieira e Carlos Castanheira da realização do projecto, que acabou frustrado pela inflexibilidade das autoridades e pelas ondas de choque provocadas pela detenção de Ao Man Long.

       

      Em 2014, Álvaro Siza Vieira, em coautoria com Carlos Castanheira, projectou a remodelação do Hotel Sun Sun, na Praça de Ponte e Horta, no Porto Interior. Um projecto gorado pelas restrições das autoridades de Macau.

      Os donos do hotel – herdeiros de uma família rica e influente de Macau – convidaram o escritório de Siza Vieira para projectar a reestruturação do espaço. A obra pretendia transformar a unidade hoteleira num “hotel de charme” e tinha um orçamento de 100 milhões de dólares de Hong Kong.

      Segundo conta agora Carlos Castanheira ao PONTO FINAL, o hotel tinha uma estrutura limitativa, que obrigou a que o projecto de actualização alterasse alguns dos traços do edifício original. No entanto, por estar inserido na zona do centro histórico de Macau, acabou por não corresponder aos critérios dos governantes da altura.

      “Tivemos imensos problemas. Não queriam alterar um centímetro que fosse, tinha de ser tudo mantido. Num hotel, é normal fazerem-se actualizações, as coisas vão mudando”, lamenta Carlos Castanheira, acrescentando outro factor que, na sua opinião, terá pesado para o conservadorismo das autoridades: “Apanhámos um momento mau, logo a seguir à prisão de um dirigente por corrupção”. O dirigente era Ao Man Long, antigo secretário para os Transportes e Obras Públicas, que em 2012 foi considerado culpado por aceitar subornos de mais de 31,9 milhões de patacas e sentenciado a 29 anos de prisão. “Nessa altura ninguém queria fazer nada. Havia um ambiente de desconfiança”, comenta o coautor do projecto.

      Mais tarde, a equipa ainda fez uma segunda tentativa, apresentando uma segunda versão do projecto, com menos alterações ao original, no entanto, esse voltou a não satisfazer o Governo. “Houve imensos problemas e tivemos de desistir”, recorda.

      Na arquitectura há muita coisa que fica pelo caminho”, afirma o parceiro de Álvaro Siza Vieira, reiterando que, neste caso, a culpa foi de “legislação absurda e sem qualquer tipo de flexibilidade.

      Carlos Castanheira foi aluno de Siza Vieira na Escola Superior de Belas Artes e acabou por trabalhar de perto com aquele que é o mais premiado arquitecto português, nomeadamente nos projectos na Ásia ao longo das duas últimas décadas.