As autoridades de Macau negaram qualquer interferência no cancelamento de pelo menos três concertos com artistas japoneses marcados para o território. “Acho que diferentes partes têm os seus factores de ponderação”, disse, numa conferência de imprensa, a presidente do Conselho do Património Cultural de Macau, Leong Wai Man.
O Governo de Macau negou qualquer interferência no cancelamento de pelo menos três concertos com artistas japoneses marcados para a região e garantiu que se trataram apenas de decisões comerciais dos organizadores. “Acho que diferentes partes têm os seus factores de ponderação”, disse, numa conferência de imprensa, a presidente do Conselho do Património Cultural de Macau, Leong Wai Man. “É normal ter ajustamento sobre concertos ou diferentes eventos. Situações de cancelamento por força maior, é algo corrente”, acrescentou a também líder do Instituto Cultural de Macau.
Na terça-feira, o hotel-casino Venetian Macau anunciou o cancelamento de um concerto da cantora de ‘pop’ japonesa Ayumi Hamasaki, em 10 de Janeiro. Isto após o concerto de Hamasaki em Xangai, em 29 de Novembro, ter sido cancelado.
Na quarta-feira, foi também cancelado um espectáculo de Natal, previsto para 25 de Dezembro, em outro hotel-casino, Studio City, que incluía a banda feminina Say My Name, que integra a japonesa Hitomi Honda.
No mesmo dia, foi cancelado um terceiro espetáculo, desta vez da banda Hi-Fi Un!corn, grupo que integra artistas japoneses, e que estava marcado para 21 de dezembro, num terceiro hotel-casino, Galaxy Macau.
Questionada pela Lusa sobre se havia indicações do Governo para a não realização de eventos culturais com artistas do Japão, Leong Wai Man garantiu que “esta é uma questão do setor comercial, é uma decisão do organizador”. “Não tenho mais nada a acrescentar”, sublinhou a dirigente. Ainda assim, Leong defendeu que a vaga de cancelamentos “não vai causar grande impacto” ao plano do executivo para posicionar Macau como uma cidade internacional de espetáculos.
Em 15 de Novembro, Macau pediu aos residentes e turistas do território no Japão para elevarem o estado de alerta, após Pequim desaconselhar deslocações ao país na sequência de declarações da líder nipónica sobre uma eventual intervenção japonesa num conflito com Taiwan.
O aviso da Direcção dos Serviços de Turismo surgiu “dado que a partir de meados deste ano, a tendência de ocorrência de ataques no Japão contra cidadãos chineses tem vindo a aumentar”. O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China emitiu um alerta, no qual desaconselha as viagens para o Japão devido à deterioração do ambiente de segurança. As principais companhias aéreas da China continental, Macau e Hong Kong anunciaram o reembolso total dos voos com destino ao Japão, após o apelo do Governo.
A medida foi tomada numa altura em que as tensões entre Pequim e Tóquio voltaram a agravar-se, após declarações da primeira-ministra nipónica, Sanae Takaichi. Takaichi afirmou no parlamento que, se uma situação de emergência em Taiwan implicasse “o envio de navios de guerra e o recurso à força, isso poderia constituir uma ameaça à sobrevivência do Japão”.
Novo fórum quer mostrar Macau como “bom exemplo” de laços entre civilizações
Especialistas de Portugal vão participar na primeira edição de um fórum internacional que pretende apresentar Macau como “um bom exemplo” das ligações entre diferentes civilizações. “Macau é uma cidade fascinante para mostrar esta coexistência harmoniosa de diferentes culturas”, defendeu a presidente do Conselho do Património Cultural, Leong Wai Man, numa conferência de imprensa.
O Fórum Internacional de Intercâmbio Civilizacional 2025 vai decorrer em 16 e 17 de dezembro, com 40 dirigentes governamentais e representantes de organizações internacionais de uma dezena de países. Entre os convidados estão especialistas e académicos de Portugal, China continental, Egipto, Indonésia, Tunísia, Itália, Alemanha, Reino Unido e Canadá, disse o IC, num comunicado.
Leong Wai Man recordou que passam 20 anos desde que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) classificou o centro histórico de Macau como Património Mundial. “O património cultural de Macau tem a sua particularidade, características chinesas e ocidentais, alguns monumentos com característica de fusão de culturas”, sublinhou a também presidente do IC.
Além de “elementos únicos de construção”, a história da cidade, que durante mais de 400 anos esteve sob administração portuguesa, reflete-se nos “costumes, tradições, modo de vida e até no património intangível”, defendeu Leong. “Tudo isto tem rico valor cultural para divulgar para o mundo”, referiu a dirigente, que destacou ainda o que disse ser o sucesso de Macau nos trabalhos de salvaguarda do património cultural. Lusa











