Utilização de água reciclada em Macau prevista para Março de 2026

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O fornecimento da água reciclada vai estar disponível no território a partir do primeiro trimestre do próximo ano, preveem os Serviços de Assuntos Marítimos e de Água, com arranque do serviço nas habitações públicas em Seac Pai Van e na Universidade de Macau, atendendo cerca 9.000 fracções.

A Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA) pretende começar o abastecimento de água reciclada em Macau a 1 de Março do próximo ano, abrangendo na sua fase inicial as habitações públicas de Seac Pai Van e a Universidade de Macau, que envolvem aproximadamente 9.000 fracções.

Susana Wong, directora da DSAMA, revelou ontem que a primeira fase de construção da Estação de Água Reciclada de Coloane já foi basicamente concluída, mais cedo do que o previsto, para o primeiro trimestre de 2026.

Estando em curso os testes a vários sistemas, o objectivo do Governo é de iniciar a utilização da água reciclada até ao próximo mês de Março. A responsável, em declarações ao Jornal Ou Mun, sublinhou que a água reciclada não será introduzida até que todos os testes do sistema tenham sido concluídos com sucesso, garantindo assim a segurança do abastecimento de água.

Em relação aos preços, prevê-se que as despesas da água reciclada sejam “ligeiramente inferiores” às da água potável. “Será adoptada a abordagem de escalão das tarifas semelhante à da água potável, o que significa que vamos cobrar um preço para o consumo doméstico e outro preço para o consumo comercial não doméstico”, frisou.

O Governo ainda não fixou o preço definido para o consumo de água reciclada, e a directora indica que o montante será determinado por meio de ordem executiva. Já o valor do subsídio do Governo às despesas da água reciclada só será fixado assim que o preço do consumo seja confirmado.

Susana Wong, à margem de uma reunião do 12.º Grupo de Ligação ao Cliente (2024-2027) da Macao Water, avançou também que, a partir de Janeiro do próximo ano, serão montados postos e distribuídos folhetos nas ruas para promover o uso de água reciclada junto do público.

As informações anteriormente divulgadas pelas autoridades mostram que a água reciclada fornecida nas habitações públicas de Seac Pai Van e na Universidade de Macau servirá para descarga de sanitas e irrigação de espaços verdes. Além destes dois locais, a rede de abastecimento de água reciclada já se encontra instalada também na habitação temporária no Lote P na Areia Preta e na Estrada de Flor de Lótus, estando a rede na Zona A dos Novos Aterros Urbanos a ser assentada em simultâneo com o arruamento da zona.

No entanto, o Executivo afirmou que, nas zonas antigas da cidade, devido à falta de espaço e condições para o assentamento de condutas de água reciclada, não estão reunidas as devidas condições para a sua utilização.

O Governo entende que a utilização da água reciclada é uma “política fundamental” para promover a reutilização dos recursos hídricos e salvaguardar a segurança no abastecimento de água no território, salientando o facto de que Macau enfrenta uma escassez significativa de água doce, sendo que cerca de 99% da água bruta consumida provém do interior da China.

AUMENTO DO CONSUMO DE ÁGUA EM 2026

 

Em relação à situação do consumo de água em Macau, Nacky Kuan, directora executiva da Macao Water, prevê um aumento de 3% para o próximo ano, tendo em conta o aumento gradual da ocupação de complexos de habitação pública na Zona A e de edifícios residenciais no Lote P, juntamente com o arranque de novos projectos hoteleiros no COTAI.

Nacky Kuan, na sua intervenção na reunião da empresa, realçou que o consumo anual de água deste ano deverá registar um ligeiro decréscimo. Destacou que diferentes zonas da cidade sofreram alterações significativas na sua estrutura económica, à medida que vários grandes projectos de construção de edifícios e infra-estruturas vão sendo concluídos.

“A procura de água diminuiu em certas zonas devido ao encerramento de projectos de jogo; já na zona do COTAI, registou-se um aumento do consumo de água, impulsionado por grandes eventos e pelo turismo”, analisou. Nacky Kuan adiantou que, até Novembro, o consumo total de água atingiu 86 milhões de metros cúbicos, representando um ligeiro decréscimo de 0,4% em comparação com o período homólogo do ano passado.

A Macao Water divulgou, na mesma ocasião, os resultados do inquérito de satisfação do cliente de 2025. Foram recolhidas 361 respostas válidas e o inquérito revela um índice de satisfação global de 84,3, evidenciando uma melhoria em relação aos anos anteriores.