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      Desfile de trajes e alegorias dá mote a luta contra o VIH  

      O evento foi adiado de Junho para ontem devido à pandemia de Covid-19. Mais de uma centena de pessoas se uniram para lutar contra o vírus da imunodeficiência humana, numa celebração organizada pelo Projecto Be Cool da Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau. Aiza Marie B. Ramos da comunidade filipina foi a vencedora do melhor traje e recebeu 950 patacas em vouchers.

      Uma caminhada que se cingiu à Rotunda de Carlos da Maia, local comummente conhecido como Três Candeeiros. Dezenas de pessoas, a maioria do sexo feminino, desfilaram ontem, pelas 15h, com trajes criados por si, ou simplesmente vestimentas tradicionais do país de origem. Organizada pelo Projecto Be Cool da Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM) o evento esteve aberto a todos os maiores de 16 anos e serviu de consciencialização sobre a importância do uso do preservativo durante as práticas sexuais, na luta contra o vírus da imunodeficiência humana (VIH) e contra a SIDA.

      Apoiados por conterrâneos e associações, as participantes eram maioritariamente trabalhadoras não-residentes originárias de países como o Vietname, o Myanmar, as Filipinas ou a Indonésia, entre outros países ou regiões, e desfilaram perante um júri ao qual coube escolher o melhor figurino. A vencedora do melhor traje foi Aiza Marie B. Ramos da comunidade filipina e recebeu 950 patacas em vouchers.

      Durante o evento, que também tinha barraquinhas com jogos e distribuição de panfletos, a ARTM sublinhou que os homens “estão desproporcionalmente em risco de infecção pelo VIH, pois a transmissão ocorre muito mais facilmente através do sexo anal receptivo, em comparação com o sexo peniano-vaginal”.

      A associação pretendeu ainda com esta actividade, que juntou mais de uma centena de pessoas, sensibilizar para a importância de reduzir o risco de contrair doenças sexualmente transmissíveis (DST), bem como aumentar a sensibilização para o uso do preservativo. “Se virmos as estatísticas de VIH no que concerne a novas infecções em Macau, desde 2016 existe um aumento constante de infecções entre os homossexuais, e em 2021, pela primeira vez, os bissexuais tiveram mais infecções.

      Na verdade, dados oficiais dos Serviços de Saúde mostram que, desde 2016, um total de 297 pessoas foram infectadas com o vírus da imunodeficiência humana (VIH) em Macau. Desses, 201 são chineses e 96 não-chineses. Ainda declararam ser heterossexuais 82 pessoas, 146 disseram ser homossexuais e 23 admitiram ser bissexuais. 46 indivíduos não responderam sobre a sua orientação sexual.

      No âmbito dos contágios entre toxicodependentes, neste momento não há casos confirmados. “Para isso muito contribui o programa de distribuição de seringas da Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau e o programa de manutenção de metadona do Instituto de Acção Social, defendeu o presidente da ARTM, em tempos, ao PONTO FINAL. Augusto Nogueira enalteceu que o programa é, inclusive, “elogiado lá fora”.

      Portanto, esta ‘Pride Walk’ acabou por surtir o efeito pretendido que foi o de sensibilizar para a importância de reduzir o risco de contrair doenças sexualmente transmissíveis (DST), incluindo o VIH, e aumentar a sensibilização para o uso do preservativo.

      Recorde-se que as autoridades sanitárias têm vindo a incentivar, ao longo dos últimos anos, os residentes a compreenderem o seu estado de infecção, através de fornecimento de várias opções de teste rápido gratuito de VIH. O Programa Piloto de Autoteste de VIH está destinado a pessoas com mais de 18 anos, independentemente de residentes locais ou não residentes, e pode ser realizado com recurso a fluído oral ou por sangue.

      Dados ainda do tempo da Administração Portuguesa e até 2009, numa altura em que a ciência tinha mais dificuldade para controlar o avanço da doença, mostram que, desde 1986 até Dezembro de 2009, o número total de casos de infecção por VIH detectados em Macau foi de 427, dos quais 50% eram residentes temporários ligados à indústria de diversões e apenas 44 dos doentes infectados pelo VIH evoluíram para SIDA. Na altura, a principal via de transmissão foi a sexual (67,5%), correspondendo 59% à transmissão heterossexual e 8,2% à transmissão homossexual. A transmissão pela utilização de drogas injectáveis representou 13,6% das infecções acumuladas. O cenário mudou um pouco nos últimos anos, portanto.