Conferência desvenda a história dos funerais transfronteiriços e dos refugiados de Macau

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A Fundação Rui Cunha (FRC) acolhe hoje, às 19h00, uma conferência que lança luz sobre um aspecto singular e pouco explorado da história social de Macau. Intitulada “Questões Transfronteiriças de Funerais e Refugiados: Macau em meados do século XX”, a palestra insere-se no Ciclo de Palestras Públicas de História e Património, organizado em parceria regular entre a FRC e o Departamento de História e Património da Universidade de São José.

O orador convidado é Carlos Ka Nok Lo, professor assistente de Investigação no Departamento de História da Universidade de Macau e Investigador Associado do Instituto de Investigação Avançada da mesma universidade em Hengqin. A apresentação basear-se-á na investigação que está a desenvolver para a sua segunda monografia, intitulada “Morte e Práticas Funerárias na Região Administrativa Especial de Macau, China”, prevista para publicação em 2026.

A investigação de Carlos Ka Nok Lo revela que, a partir de meados do século XIX, as autoridades portuguesas em Macau implementaram medidas que proibiam os residentes chineses de sepultar os seus mortos na Península de Macau. Com a modernização dos sistemas administrativos, foi formalmente autorizado, em 1881, que o Hospital Kiang Wu fiscalizasse os enterros chineses e administrasse o Cemitério Chinês. Este processo estabeleceu um padrão único de enterro transfronteiriço entre Macau e o Condado de Xiangshan (hoje sul de Zhuhai), uma prática que, sublinha o investigador, persiste até aos dias de hoje.

O académico abordará também o período turbulento da invasão japonesa da China em meados do século XX, que desencadeou uma migração em massa para Macau.

A conferência, que terá a duração de uma hora e será apresentada em língua inglesa, será moderada por Priscilla Roberts, professora associada e chefe do Departamento de História e Património da Universidade de São José.

O evento conta com entrada livre.