Andar a pé continua a liderar os modos de deslocação dos residentes

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FOTOGRAFIA ELOI CARVALHO

A deslocação a pé continua a ser a forma de locomoção que os residentes adoptam mais nas suas viagens quotidianas, revelou um inquérito dos Serviços para os Assuntos de Tráfego acerca dos hábitos de deslocação da população. Já os autocarros mantêm-se como o principal meio de transporte motorizado utilizado pelos residentes.

Em vez da utilização de autocarros ou automóveis particulares, os cidadãos de Macau deslocam-se mais a pé no seu dia a dia e optam por caminhar em quase metade das viagens feitas ao longo do ano passado. Esta é a conclusão do “Estudo da Matriz de Origem-Destino de Macau” referente a 2024, inquérito que se realiza a cada cinco anos e foi divulgado ontem pela Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT).

Os resultados do inquérito revelam que, entre os diversos modos de deslocação, a deslocação a pé continua a registar a maior proporção, correspondendo a 46,5% do total da locomoção. A percentagem da escolha de andar a pé mantém-se estável face ao registado na última sondagem feita em 2019, quando a caminhada ocupava 46,3% entre as viagens do público.

A deslocação a pé tem sido a forma de mobilidade mais utilizada em Macau segundo os últimos inquéritos da DSAT datados até 2009, altura em que ainda mais residentes optavam por andar, em cerca de 49,7% das suas deslocações.

Além disso, de acordo com o estudo, os autocarros mantêm-se como o principal meio de transporte motorizado utilizado pelos residentes, sendo o segundo método de deslocação mais usado em Macau. Embora a proporção de utilização de autocarros em 2024 tenha registado uma descida de um ponto percentual em relação a 2019, permanece como principal escolha em cerca de um quinto das deslocações dos residentes, com 20,9%. Já a proporção de utilização de automóveis particulares de passageiros aumentou 0,8 pontos percentuais no ano passado em comparação com a registada há cinco anos, passando de 14,7% para 15,5%.

A análise da DSAT indica ainda que a deslocação com mota está entre os meios de transporte preferidos no território, mas com uma utilização cada vez menos frequente. A utilização das motas situa-se em 11,3% entre as viagens, tendo sofrido uma quebra de 0,5 pontos percentuais relativamente a 2019, e de 4,2 pontos percentuais face a 2014, bem como uma diminuição de 5,5 pontos percentuais comparando com 2009.

Entre os outros meios de transportes, a utilização de autocarros directos para trabalhadores ou para alunos representa 4,2% do total dos passeios, seguindo-se os autocarros directos dos casinos, táxis e Metro Ligeiro.

Nos deslocamentos realizados pelos residentes com recurso a veículos motorizados, observa-se um aumento contínuo da proporção de deslocações entre as ilhas, bem como um crescimento gradual da procura de deslocações nas ilhas. Em 2024, as proporções de viagens entre as ilhas e viagens dentro das ilhas aumentaram 0,3% e 2,8%, respectivamente, em comparação com 2019.

O relatório analisou também o tempo médio de viagem para deslocações com veículos motorizados. No ano passado, a média do tempo de viagem em geral foi de aproximadamente 31 minutos, uma redução de 1 minuto em comparação com 2019, com a diminuição atribuível principalmente aos tempos de viagem de autocarros públicos. Já as viagens com automóveis particulares e motas mantêm-se iguais como há cinco anos.

De uma forma geral, ao longo da última década, os tempos de viagem com recurso a veículos motorizados mostraram uma ligeira tendência de descida.

No que diz respeito a locais de estacionamentos à noite por parte dos automóveis particulares, o estacionamento nos parques privados com arrendamento mensal predomina na escolha dos condutores residentes, com essa tendência a apresentar uma trajectória ascendente. Entre outras formas de preferência dos condutores estão o estacionamento nos parques de estacionamento públicos (17,4%), nos lugares de parquímetros (17,2%), nos lugares com estacionamento grátis para trabalhadores ou alunos (15,3%) e nos parques de estacionamento privados com arrendamento por hora (2,4%).

As motocicletas, no entanto, são principalmente estacionadas nos lugares de parquímetros, com 53,6%, embora essa prática esteja em declínio contínuo, de 71,7%, registado em 2014, e 57,8%, em 2019.

De acordo com a DSAT, o Executivo realiza o inquérito de cinco em cinco anos desde 2009, com o objectivo de compreender os hábitos e as opiniões da população relativamente às suas deslocações, de modo a poder “actualizar e formular de forma mais precisa as políticas e os planos de transportes”.