O IN SITU Placemaking Biennale 2025 vai recontextualizar as ruas de Macau já na próxima semana, de 11 a 14 de Dezembro. O arquitecto Nuno Soares, presidente do CURB, explica ao PONTO FINAL a importância da iniciativa para a valorização do espaço público e apela à participação de toda a comunidade de Macau num evento que, garante, não se destina apenas a artistas.
Uma celebração do espaço público, construída em conjunto por toda a comunidade de Macau. É assim que Nuno Soares, presidente do CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo, descreve a iniciativa que pretende dar uma nova visão das ruas de Macau e do papel que cada um – desde artistas a transeuntes – tem no seu desenvolvimento.
O projecto é tão ambicioso quanto efémero. As seis instalações vencedoras permanecerão nos seis sítios designados durante apenas quatro dias, de 11 a 14 de Dezembro, embora a organização espere que o impacto na comunidade seja duradouro e transformativo.
“A ideia principal é conseguirmos transformar as ruas interiores do centro histórico num espaço performativo, que nestes quatro dias vai ser bem diferente do que é no quotidiano”, explica o arquitecto, em conversa com o PONTO FINAL. Cada uma das instalações promete interagir com os visitantes e o espaço circundante “de uma forma muito peculiar”, que será traduzida ao público através de visitas guiadas e sessões de partilha protagonizadas pelos próprios artistas. Em alternativa, é também possível visitar e contemplar autonomamente as instalações que vão compor esta rede artística, sem necessidade de convite prévio.
É esse o objectivo base da iniciativa: transformar Macau numa exposição artística a céu aberto, que todos podem contemplar e em que todos podem participar. “Cada um dos cidadãos constrói o espaço público, e esse espaço público também participa na construção de cada um de nós”, assinala Nuno Soares. “Queremos que as pessoas olhem para o espaço público de uma forma mais activa e que interajam com as instalações de formas criativas e inesperadas. São muito bem-vindas para utilizarem estas instalações de uma forma que faça sentido para elas”.
Os pontos de atracção são a intersecção entre a Travessa do Aterro Novo e a Rua dos Mercadores, a Rua de São Lourenço, o Largo do Lilau, a Praça de Ponte e Horta, o Largo do Aquino e o Pátio da Claridade. Nos primeiros três estarão expostas as instalações dos artistas internacionais, enquanto os últimos vão acolher as obras dos artistas locais. E porquê seis instalações, especificamente? “É um número muito gerível e que permite ter experiências muito diferentes entre si, mas também relativamente próximas. Queremos que os visitantes consigam completar o roteiro e ver as seis”, explica o director do CURB, enfatizando o facto de este ser um evento pioneiro na cidade. “Como é a primeira edição, a cidade ainda não está habituada a fazer este tipo de eventos. Estamos todos ainda a aprender”.
Para além do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), que autorizou a ocupação temporária dos referidos espaços, a organização teve ainda a responsabilidade de comunicar directamente com os residentes e comerciantes – uma experiência que é descrita como “uma grande aprendizagem” para os envolvidos. “Percebemos que os residentes também vêem estas instalações com alguma simpatia, porque estamos a dar atenção aos sítios onde vivem e a transformá-los temporariamente e a convidá-los a participar. Tivemos de aprender como é que poderíamos garantir que fosse bom para os artistas, para a cidade, para os residentes e para os comerciantes”. Um compromisso que, embora delicado, tem “corrido muito bem”.
O CURB continua à procura de voluntários até sexta-feira, dia 5, para a ajuda em tarefas como a recepção e a gestão dos participantes, orientações de visitas e apoio nas actividades e workshops. O interesse na interacção com o próximo é um requisito essencial, mas não é o único – é igualmente necessário ter vontade de aprender para que, quiçá, os voluntários de hoje venham futuramente a desenvolver iniciativas semelhantes por iniciativa própria. “A questão dos voluntários é também uma questão de formação. Queremos que aprendem como se fazem estas intervenções, para que eles próprios, por sua iniciativa e nos seus contextos, consigam continuar a celebrar o espaço público”, remata Nuno Soares.











