Turismo de Portugal garante que sector está a entrar em crescimento sustentável

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O presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP) admite que o sector está a entrar numa fase de crescimento sustentável, após anos recorde, com um 2025 mais dependente dos turistas nacionais, mas com estrangeiros a criarem mais valor.

Francisco Calheiros, que falava na abertura do 50.º Congresso Nacional da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), que começou ontem em Macau e se prolonga até quinta-feira, começou por considerar que se vive “mais um ano turístico positivo” em Portugal. “Se os primeiros meses já o anteviam, os dados já conhecidos do verão assim o confirmam. Mas não nos iludamos, estamos a entrar numa fase de crescimento sustentável. Não há estagnação, claro que não, mas há sim uma maior estabilidade. Algo que já se antevia, depois de crescimentos muito fortes nos anos pós-pandemia”.

Segundo o INE, o sector do alojamento turístico registou 10,5 milhões de hóspedes e 28,6 milhões de dormidas em junho, julho e agosto, registando-se crescimentos de 2,2% no número de hóspedes e 2% nas dormidas face ao Verão do ano passado. “São aumentos? Sim são, mas não crescimentos ao nível dos que assistimos nos últimos anos”, lembrou. “Mas o Turismo continua a gerar mais valor. Em termos gerais e no seguimento do que vem sendo habitual nos últimos anos, os proveitos totais em junho, julho e agosto atingiram 2,7 mil milhões de euros, um aumento 7,4% em relação à época alta do verão do ano passado”, citou.

Em 28 de novembro, o Instituto Nacional de Estatística (INE) anunciou que o alojamento turístico teve proveitos de 691,2 milhões de euros em outubro, uma subida homóloga de 7,3%, com as dormidas de não residentes de novo a subir após dois meses em queda.

Segundo as estatísticas rápidas da atividade turística, divulgadas pelo INE naquele dia, o sector do alojamento turístico registou 3,1 milhões de hóspedes (+3,8%2) e 7,7 milhões de dormidas (+2,4%) em outubro, gerando 691,2 milhões de euros de proveitos totais e 521,5 milhões de euros de proveitos de aposento, correspondendo a subidas de 7,3% e 6,1% face a outubro do ano anterior.

O INE salientou ainda que em outubro o crescimento do número de dormidas resultou tanto do aumento das dormidas de residentes, que subiram 6,4%, atingindo dois milhões, como das dormidas de não residentes, que aumentaram 1,1%, após dois meses a diminuir, totalizando 5,8 milhões.

Estes comportamentos – que têm sido constantes ao longo do ano – mereceram, assim, destaque por parte da confederação que agrega as várias atividades do sector. “Deixem-me aqui destacar um dado muito significativo: As dormidas de residentes aumentaram 5,5% este verão, ultrapassando nove milhões. Destes dados retiram-se duas conclusões e um alerta. Os turistas portugueses estão a crescer e deles depende muito o crescimento do turismo este ano. As dormidas têm um crescimento menor em relação a outros anos, mas os turistas que recebemos criam mais valor, já que gastam mais e contribuem para um turismo de maior qualidade”, frisou o presidente da CTP.

Francisco Calheiros voltou a apelar para o que considera ser um grande obstáculo ao crescimento no Turismo: o avanço do novo aeroporto de Lisboa. “Há decisões estratégicas que têm de ser tomadas e há que colocar em prática, com rapidez, medidas essenciais para que o Turismo em Portugal continue a ser uma atividade dinâmica, com grande capacidade de gerar valor em praticamente todas as regiões do País. Desde logo e como referi, há a urgência do novo aeroporto. Que os dados do Turismo façam pensar o Governo, e que se equacione que é preciso urgentemente decidir sobre uma alternativa intermédia ao aeroporto em Alcochete. Ainda vamos muito a tempo.”, reiterou.

Reforma laboral deve ser construída com consenso, transparência e equilíbrio

O presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP) defendeu ontem que a reforma laboral seja construída com consenso, transparência e equilíbrio, voltando a criticar a greve geral que diz ser “extemporânea e desproporcionada”.

“A revisão da legislação laboral em discussão no âmbito do denominado ‘Trabalho XXI’ reveste-se de uma importância decisiva para o futuro do emprego e da competitividade em Portugal”, começou por reiterar Francisco Calheiros, acrescentando que “é uma reforma muito positiva e equilibrada”.

O presidente da CTP, um parceiro social, falava no discurso inaugural do 50.º Congresso Nacional da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), que começou ontem em Macau, até quinta-feira. “Para o sector do Turismo, em particular, é fundamental que a lei laboral assegure simultaneamente a necessária proteção aos trabalhadores e a flexibilidade indispensável às empresas, tendo em conta a natureza sazonal e cíclica da atividade”, considerou ainda.

As alterações previstas na proposta – designada ‘Trabalho XXI’ e que o Governo apresentou em 24 de julho como uma revisão profunda da legislação laboral – visam desde a área da parentalidade (com alterações nas licenças parentais, amamentação e luto gestacional) ao trabalho flexível, banco de horas, formação nas empresas ou período experimental dos contratos de trabalho, prevendo ainda um alargamento dos setores que passam a estar abrangidos por serviços mínimos em caso de greve.

“A Confederação do Turismo de Portugal considera que esta reforma deve ser construída com consenso, transparência e equilíbrio, evitando retrocessos ideológicos, como no passado recente e que agora obrigam a uma reforma mais abrangente e disruptiva”, frisou Francisco Calheiros, perante uma plateia de mais de mil congressistas, reunidos para debater o futuro do sector do turismo. Por isso, a CTP considera “ser extemporânea e desproporcionada a convocação de uma greve geral anunciada pelas centrais sindicais CGTP e UGT”, reiterou Calheiros.

A CGTP e a UGT decidiram convocar uma greve geral para 11 de dezembro, em resposta ao anteprojeto de lei da reforma da legislação laboral, apresentado pelo Governo. A última vez que as duas centrais sindicais convocaram uma greve geral conjunta foi há mais de dez anos, na altura da ‘troika’. “A greve é um direito constitucionalmente consagrado, mas deve ser exercido com responsabilidade e proporcionalidade e apenas quando estiverem esgotadas as vias de diálogo. Neste momento, o processo negocial está em curso, por isso, não é razoável paralisar o país sem sequer se conhecer o resultado das negociações”, disse.

Francisco Calheiros garantiu que a CTP pretende “continuar a zelar” por que seja possível ter “uma legislação laboral clara, moderna e adaptada ao contexto económico internacional, que permitirá ao Turismo atrair mais talento, criar empregos sustentáveis e reforçar a sua posição enquanto motor da economia nacional”.

Em 26 de novembro, a ministra do Trabalho, Rosário Palma Ramalho, disse estar convicta de que a greve geral vai mesmo avançar, mas classificou a paralisação como “inoportuna”, sublinhando que deve ser uma solução de último recurso, uma vez que é “um instituto danoso”. No dia seguinte, a CGTP afirmou, em Lisboa, que “é objetivo do Governo” enviar ao parlamento a discussão do projeto de reforma laboral, enquanto a UGT avisou que um acordo não é certo. Lusa