Previsões apontam para uma “melhoria constante” da economia local

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FOTOGRAFIA ELOI CARVALHO

A Associação Económica de Macau mostra-se confiante na “melhoria constante” no ambiente comercial e empresarial nos próximos meses, devido à realização de vários eventos e actividades de grande escala. A análise da associação diz que a economia local tem se mantido “estável”, mas os sectores imobiliário e bancário podem vir a sofrer certos impactos com o encerramento dos casinos-satélite.

A organização de grandes eventos no território e as novas políticas lançadas por Pequim sobre vistos de viagem facilitados são factores que contribuem para a melhoria da economia local, defende a Associação Económica de Macau nas suas previsões económicas mais recentes.

A análise mensal elaborada pelo economista Joey Lao, também actual deputado à Assembleia Legislativa, prevê que o índice de confiança económica de Macau se mantenha no nível “estável” entre este mês de Novembro e Janeiro do próximo ano, com a confiança global a “continuar a mostrar uma tendência de melhoria constante”.

Segundo recordou o relatório, a Administração Nacional de Imigração da China introduziu dez novas políticas para facilitar as viagens transfronteiriças, incluindo medidas que flexibilizam as visitas dos residentes da China Continental a Macau e Hong Kong.

“A medida irá promover ainda mais os intercâmbios entre as pessoas, impulsionar o desenvolvimento do turismo, das convenções e exposições e dos serviços profissionais, aprofundar os laços económicos entre Macau e o Continente e injectar um novo impulso na economia de Macau”, pode ler-se no documento.

Além disso, a associação justificou a futura melhoria da economia com as actividades de grande escala que se têm vindo a realizar. Apontou que o período do final do ano em Macau é sempre marcado por grandes eventos, com os Jogos Nacionais e o Festival da Gastronomia a decorrerem neste momento, mas também o Grande Prémio de Macau, que terminou ontem. Os eventos “deverão impulsionar ainda mais a popularidade da cidade e o consumo”, afirmou.

O relatório mostrou ainda que os indicadores económicos de Macau mantiveram uma “trajectória geral estável” durante Setembro e Outubro. Dessa forma, a média diária de chegadas de visitantes e a receita bruta do jogo “permaneceram em níveis relativamente altos” apesar do impacto de um supertufão em Setembro, que levou a um declínio nas respectivas cifras. A análise lembrou ainda que a ocupação média dos quartos de hotel foi de 37.000 hóspedes por dia, com uma taxa de ocupação de 84,6%, o que representa um indicador económico “ligeiramente sobreaquecido”.

“O mês de Outubro registou um desempenho robusto no turismo e lazer, com vários indicadores a atingirem máximos históricos, incluindo receitas brutas diárias de jogo de 777 milhões de patacas, impulsionadas pelo crescimento do número de visitantes durante os feriados da Semana Dourada na China continental”, sublinhou.

A associação, contudo, notou que o consumo local, o crédito e a confiança no investimento permaneceram relativamente fracos.

Apesar dos “resultados satisfatórios” nas actividades turísticas, o relatório destacou o declínio nos indicadores económicos relativos ao rácio empréstimos/depósitos e ao índice de preços do imobiliário residencial, que foram classificados como “subóptimos” e “deprimidos”, respectivamente.

A associação, desse modo, citou os dados mais recentes da Autoridade Monetária de Macau para referir que o rácio de crédito malparado no sector bancário local aumentou 0,21 pontos percentuais em relação ao ano anterior, para 5,44% em Setembro de 2025, envolvendo um montante de 55,534 mil milhões de patacas. Deste valor, o rácio de crédito malparado dos residentes aumentou 0,68 pontos percentuais em relação ao ano anterior, para 4,63%, atingindo o seu nível mais alto desde Novembro de 2004. “Com o encerramento gradual dos casinos-satélite, as avaliações e a capacidade de reembolso dos imóveis comerciais circundantes podem vir a diminuir. Simultaneamente, os preços dos imóveis residenciais e de escritórios continuam a cair, podendo afectar a qualidade dos activos dos bancos, sendo uma questão que suscita grande preocupação da sociedade”, alertou o relatório.