O Governo está a recolher opiniões sobre a criação da “Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau”, projecto no qual são configuradas três novas infra-estruturas culturais incluindo dois museus e um centro de artes. O planeamento preliminar indica que os recintos serão localizados num terreno perto da Torre de Macau e na Zona C dos Novos Aterros. Através do projecto, o Instituto Cultural espera criar um novo marco que integre intercâmbio artístico-cultural, turismo, lazer e actividades comerciais.
Macau terá três novas infra-estruturas culturais perto da Torre de Macau e na Zona C dos Novos Aterros, integradas no projecto da “Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau”, que prevê a construção do Museu Nacional da Cultura de Macau, do Centro Internacional de Artes Performativas de Macau e do Museu Internacional de Arte Contemporânea.
O Governo apresentou ontem a concepção do projecto e anunciou a recolha de opiniões, que começou também ontem e vai terminar a 26 de Dezembro. De acordo com o documento, o planeamento da criação da Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau está alinhado com a política de diversificação económica, visando “criar espaços culturais de alta especificação, caracterizados pela riqueza cultural e pelo espírito contemporâneo”.
Neste caso, o Executivo acredita que o projecto possa “criar um novo marco que integre exposições e espectáculos culturais, intercâmbio artístico-cultural, turismo e lazer, bem como instalações comerciais”.
Leong Wai Man, presidente do Instituto Cultural (IC), disse acreditar que o projecto possa satisfazer as necessidades de localização de exposições culturais e apresentações artísticas na nova era, colmatar a lacuna na oferta de instalações culturais em Macau, bem como proporcionar uma plataforma prática, oportunidades de emprego e apoio ao empreendedorismo para a indústria cultural e para a geração mais jovem.
MUSEU COM FOCO NO INTERCÂMBIO CULTURAL
Entre os três recintos propostos, o Museu Nacional da Cultura de Macau é agora designado, segundo o plano preliminar, a ser construído no terreno marginal a leste da Torre de Macau. Com uma área planeada de aproximadamente 80 mil a 100 mil metros quadrados, a instalação tornar-se-á o maior museu de Macau.
O projecto estipula que este museu vá abranger espaços funcionais nucleares, nomeadamente zona de armazenamento, conservação e investigação do acervo museológico e das exposições flexíveis, bem como instalações complementares vocacionadas para o intercâmbio e o ensino, para a incubação, instalações comerciais, espaços de lazer público e serviços operacionais.
Com o foco no intercâmbio cultural, o documento sugere que este museu exibe, de uma forma coesa, peças representativas da cooperação entre a China e o Ocidente, o acervo histórico com características de Macau e relíquias históricas da cultura chinesa. “Peças através das quais se entende a troca cultural sino-ocidental, bem como as histórias de Macau e da China e as suas interacções culturais, no sentido de construir pontes para o intercâmbio entre diversas civilizações de todo o mundo”, salienta.
O Governo indicou que pretende, através deste museu, estabelecer uma relação de cooperação a longo prazo com o Museu Nacional da China e com instituições culturais e museológicas de referência, nacionais ou internacionais, interligando ainda os recursos museológicos históricos e sectoriais existentes no território.
APOIO À INDÚSTRIA LOCAL
O Centro Internacional de Artes Performativas de Macau deverá ocupar o oeste da Zona C dos Novos Aterros, ou seja, o terreno em frente da Avenida do Oceano, com uma área de construção variada entre 55 mil e 65 mil metros quadrados. O posicionamento do centro é de ser uma “plataforma internacional integrada de artes performativas públicas”, oferecendo ainda às companhias e aos artistas um espaço dedicado à criação, à cooperação e à formação especializada.
O planeamento refere que a organização geral do centro valoriza a adaptabilidade e a diversidade, para responder às diversas exigências das actividades das artes performativas. “Presta igualmente apoio aos serviços públicos de artes performativas e ao desenvolvimento da respectiva indústria de Macau”, assume.
Desse modo, segundo afirma o Executivo, o centro de arte vai estabelecer parcerias com companhias e artistas de mérito reconhecido nacional e internacional, e vai introduzir repertórios de grande qualidade, bem como obras originais, dando ainda apoios a grupos de artes performativas e jovens artistas locais.
LIGAÇÃO À ARTE CONTEMPORÂNEA
O Museu Internacional de Arte Contemporânea, por sua vez, terá uma área de construção de 35 mil a 45 mil metros quadrados, com localização prevista num lote do lado leste da Zona C dos Novos Aterros.
O recinto cultural contará com espaços para funções nucleares para exposições permanentes, colecções, investigação e criação artística, juntamente com espaços com outras funções, como ensino e intercâmbio, incubação, serviços comerciais, lazer público, operação e serviços.
De acordo com a apresentação, o museu dará prioridade à diversidade e à abertura do espaço, e proporcionará uma sala multiusos para jovens artistas e projectos de arte experimental, além de apoiar e divulgar grandes exposições internacionais, de forma a facilitar a integração de Macau na rede global de arte contemporânea.
As autoridades pretendem criar parcerias de cooperação com galerias de arte e grupos de artistas, nacionais e internacionais, por forma a exibir obras relativas às artes moderna e contemporânea, que beneficiam a promoção do intercâmbio e da aprendizagem mútua entre a China e o Ocidente no domínio das artes.
CONSIDERAÇÃO GEOGRÁFICA
Em relação à escolha da localização para o projecto, o IC explica no documento que verificou que há cinco terrenos que satisfazem as necessidades básicas para a construção das instalações planeadas na Zona Cultural. As alternativas são os lotes D11 e D12 na Zona A, uma parte do terreno inicialmente destinado ao Parque Oceanis, na Taipa, o antigo terreno do Jockey Club, o terreno marginal a leste da Torre de Macau e a Zona C.
No entanto, o IC considera que o projecto deve adoptar o modelo de combinação de duas parcelas de terreno devido à dimensão do espaço de construções.
A análise diz que o terreno perto da Torre de Macau e os da Zona C estão virados um para o outro e são divididos por um curto estreito, o que permite a sua organização numa área única, revelando-se propícia à composição de uma unidade paisagística e à consolidação de uma plataforma cultural articulada. De destacar também que o terreno marginal a este da Torre de Macau possui fácil acesso ao transporte e o projecto criará novas linhas de autocarro para aliviar a pressão do trânsito, sendo que a “opção perturba menos os moradores vizinhos”, afirmou.
O documento detalhou que as parcelas na Zona A apresentam alguma dificuldade em formar num curto espaço de tempo um cluster de indústrias culturais e turísticas; enquanto o antigo terreno do Parque Oceanis na Taipa poderá causar restrições significativas de capacidade de tráfego. Já o antigo terreno do Jockey Club, segundo o IC, apresenta uma “multiplicidade de recursos turísticos nas proximidades” e poderá integrar-se na faixa turística do COTAI, contudo, agravaria ainda mais o congestionamento do tráfego em vias de alto volume, como a Avenida da Amizade e a Estrada Governador Albano de Oliveira.











