Os Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude garantem ter iniciado um inquérito sobre um caso em que um aluno autista foi alegadamente humilhado, publicamente, por uma professora do Colégio Diocesano de São José 5ª. A situação foi exposta nas redes sociais numa publicação anónima, cujo autor criticou também o silêncio das autoridades e dos deputados durante quase um mês após a apresentação de uma denúncia em meados do mês passado.
Uma publicação online de um professor anónimo revelou um caso de humilhação pública na escola segundo a qual uma professora do Colégio Diocesano de São José 5ª terá insultado um aluno autista. O denunciante do caso disse ter apresentado queixas no dia 14 do mês passado junto das autoridades e aos deputados, que permanecem em silêncio durante quase um mês. A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) emitiu um comunicado na passada sexta-feira, afirmando que já está a investigar o incidente. “A DSEDJ tem prestado grande atenção aos comentários recentemente publicados nas redes sociais sobre a atitude pedagógica de uma docente de uma escola face a um aluno”, frisou o organismo.
Na nota, a DSEDJ assegurou ter procedido “de imediato” ao acompanhamento junto da referida escola e iniciado o respectivo procedimento de inquérito, após ter recebido uma denúncia anónima sobre a situação em causa. Acrescentou que está a manter uma comunicação estreita com a escola com vista a esclarecer o incidente e garantir a manutenção da qualidade pedagógica da escola.
A resposta da DSEDJ veio três dias depois da segunda queixa do professor anónimo publicada nas redes sociais na passada terça-feira. O autor da publicação referiu que apresentou queixas formais a vários departamentos governamentais, incluindo a DSEDJ, a Secretaria para os Assuntos Sociais e Cultura, o Instituto de Acção Social, o Centro de Apoio Psicopedagógico e Ensino Especial.
As queixas terão ainda chegado a vários deputados, incluindo José Pereira Coutinho, que foi eleito pelo sufrágio directo com mais de 40 mil votos, Ho Ion Sang, Kou Kam Fai e Lam Fat Iam, deputados de sufrágio indirecto e nomeados que estão envolvidos na área de educação. No entanto, “o sistema opta por permanecer em silêncio”, lamentou. “Os membros da Assembleia Legislativa não são meros participantes do sistema, mas guardiões da opinião pública. Quando a DSEDJ e a escola optam por procedimentos à porta fechada, quando os alunos são prejudicados e o sistema falha, o silêncio dos legisladores equivale a uma aprovação tácita das irregularidades”, condenou.
PALAVRAS OFENSIVAS
De acordo com a carta aberta do professor anónimo, a situação ocorreu no dia 10 de Outubro, na sala dos professores do Colégio Diocesano de São José 5ª, quando um aluno do ensino secundário com autismo foi ter com a sua professora supervisora conforme combinado. “Depois de se atrasar 80 minutos, a professora humilhou publicamente o aluno na frente de todos, proferindo insultos”, descreveu. Segundo denunciou, a professora em causa dirigiu ao aluno vários comentários insultuosos como “não sabes fazer nada, só ficas aí parado à espera. Porque não pediste a outros professores para me ajudarem a encontrar-te?”; “Ensinei-te, mas recusas-te a ouvir, finges sempre que nunca disse nada”.
A publicação indicou que o aluno terá ficado emocionalmente perturbado com os insultos e levantou a voz ao falar com a professora, mas a docente voltou a “usar um tom autoritário para o reprimir”, dizendo ao estudante que não era permitido falar tão alto com os professores. A professora terá ainda justificado o seu comportamento aos colegas a apontar que o aluno “tem um caso muito grave de autismo”.
O denunciante adiantou que não foi a primeira vez que esta docente utilizou linguagem ofensiva com os alunos, recordando que disse aos estudantes durante as aulas expressões como “não trouxeste o teu cérebro para a escola?” ou “quantas colheres de banha de porco comeste?”.
Neste caso, o professor anónimo instou às autoridades que realizem uma investigação independente sobre o incidente e imponham medidas disciplinares à professora envolvida, bem como apresentem um plano de reforma dos mecanismos de protecção de alunos com necessidades educativas especiais e de monitorização de professores.
Na resposta da DSEDJ, o organismo liderado por Kong Chi Meng disse ainda estar atento ao desenvolvimento físico e mental saudável dos alunos, sendo que o pessoal docente deve observar rigorosamente a ética profissional. A DSEDJ lembrou que estabelece normas claras dirigidas às escolas sobre a conduta profissional e os critérios de trabalho no âmbito do ensino e aprendizagem através do Guia de Funcionamento das Escolas.
ESCOLA FEZ DENÚNCIA À PJ SOBRE A PUBLICAÇÃO ONLINE
O Colégio Diocesano de São José 5ª também divulgou uma nota na passada quarta-feira dizendo que iniciou uma investigação interna rigorosa, mas, ao mesmo tempo, assumiu que poderá intentar acções judiciais contra actos de “falsificação de factos, ameaças maliciosas ou danos à reputação da escola e dos seus funcionários”.
A escola, em declarações à Rádio Macau em língua chinesa após o comunicado da DSEDJ, acrescentou que tinha apresentado uma queixa junto à Polícia Judiciária, dado que “a investigação interna da escola encontrou discrepâncias entre o conteúdo da publicação online e as circunstâncias reais”. A escola indica que está a cooperar com a investigação policial e também já tinha submetido um relatório sobre o assunto à DSEDJ.











