A Universidade de Macau (UM) acolheu quase duas centenas de participantes e especialistas locais e internacionais no dia 10 de Outubro, unidos sobre o tema comum da prevenção e do tratamento do jogo compulsivo. Apesar de este ser um tema ainda bem presente na região, as estatísticas mostram que a taxa de percepção dos residentes sobre o jogo responsável tem vindo a crescer significativamente, passando de 16,2% em 2009 para 64,9% em 2023.
A edição de 2025 do fórum académico sobre a prevenção e o tratamento do jogo compulsivo decorreu na manhã da passada sexta-feira, na Universidade de Macau (UM), com a presença de 180 participantes.
A iniciativa deste ano consistiu numa discussão sobre o tema “a evolução dos serviços de prevenção e tratamento do transtorno de jogo nas últimas duas décadas”, para a qual contribuíram vários académicos locais, internacionais e de Hong Kong. Em conjunto, os especialistas dedicaram-se a analisar os “resultados do desenvolvimento dos serviços de prevenção e tratamento do transtorno do jogo e dos estudos relevantes”, segundo consta num comunicado de imprensa do Instituto de Acção Social (IAS).
A vice-presidente do IAS, Hoi Va Pou, referiu na ocasião que o ano de 2025 “marca o 20.º aniversário da criação dos serviços de aconselhamento da área de jogo problemático da Casa de Vontade Firme”, um centro de apoio para o tratamento do vício de jogo subordinado ao IAS.
Fazendo um balanço destas duas décadas, a responsável vincou que “o Governo da RAEM tem vindo a prestar muita atenção às acções de prevenção e tratamento do transtorno do jogo”, nomeadamente através da regulamentação do jogo responsável, da realização de formações para trabalhadores da área dos serviços sociais e da indústria do jogo e da criação de uma linha aberta de aconselhamento, acessível durante 24 horas por dia. Foi ainda criado um conjunto de cursos de gestão financeira para alunos, desde à educação pré-escolar até ao ensino secundário.
As consequências destas medidas estão patentes nas mais recentes estatísticas do sector do jogo, de acordo com a responsável do IAS, que chama a atenção para a subida da taxa de percepção sobre o jogo responsável entre os residentes de Macau: de 16,2%, em 2009, para 64,9%, em 2023. Hoi Va Pou afirmou que estes resultados só se concretizaram “graças aos esforços de todas as partes envolvidas”, que contribuem para garantir um “desenvolvimento mais saudável e mais sustentável” da indústria do jogo na região.
Numa perspectiva a longo-prazo, a vice-presidente do IAS disse prever a contínua “realização de estudos e de acções educativas e sensibilizadoras”, ao mesmo tempo que é promovida “a consciência sobre o transtorno do jogo por parte dos cidadãos e dos grupos de alto risco”, com o objectivo de “proporcionar apoio atempado às pessoas e famílias necessitadas”.
O fórum contou ainda com três sessões de apresentação dinamizadas por Wu I Mui, chefe da Divisão de Prevenção e Tratamento do Jogo Problemático do IAS; Robert Ladouceur, professor emérito da Universidade Laval, do Canadá; e Davis Fong, professor e director do Instituto de Estudos sobre a Indústria de Jogo da UM.
De acordo com o comunicado de imprensa do IAS, os três especialistas “abordaram um leque de temas, desde a evolução dos serviços de prevenção e tratamento na RAEM” e “as estratégias de promoção do jogo responsável até aos estudos sobre a avaliação da eficácia da prevenção e do tratamento do transtorno do jogo”. Os resultados destes estudos foram apresentados no espaço da biblioteca Wu See Sun, na UM, seguindo-se uma série de workshops temáticos sobre o tema.
O fórum encerrou durante a parte da tarde com o “simpósio de serviços de prevenção e tratamento do transtorno do jogo de Macau e de Hong Kong”, no qual representantes de várias organizações de serviço social das duas regiões dialogaram e prometeram aprofundar a cooperação. “A organização espera que a realização deste fórum possa dar um novo impulso à RAEM e às regiões vizinhas, criando assim um futuro mais saudável e sustentável no que se refere à prevenção e ao tratamento do transtorno do jogo”, escreveu o IAS, em comunicado. O IAS é um dos organizadores da iniciativa, em conjunto com a UM, a Universidade Politécnica de Macau (UPM) e o Gabinete Coordenador dos Serviços Sociais Sheng Kung Hui Macau.
No mês passado, o IAS publicou um relatório sobre o vício do jogo em que dava conta de uma população de jogadores cada vez mais envelhecida e composta, na sua maioria, por não residentes. Entre Janeiro e Junho deste ano, apenas 48,94% dos jogadores possuíam Bilhete de Identidade de Residente da RAEM – menos de metade, portanto, perfazendo a mais baixa percentagem desde que há registo.











