O número de toxicodependentes registados diminuiu 11,5%, em termos anuais, para um total de 85, no primeiro semestre deste ano, revelou o Instituto de Acção Social. Não foi registado, aliás, nenhum caso de toxicodependência entre adolescentes com idades inferiores a 21 anos, sendo a primeira vez que tal acontece desde que há registo. A análise aponta que a metanfetamina continua a ser a droga mais consumida.
O Instituto de Acção Social (IAS) revelou ter identificado 85 pessoas com problemas relacionados com drogas durante os primeiros seis meses deste ano. O número representou uma quebra de 11,5% face ao período homólogo do ano passado.
A estatística do Sistema de Registo Central, que foi divulgada numa sessão plenária da Comissão de Luta contra a Droga, destacou ainda que não foram registados casos de toxicodependentes jovens com menos de 21 anos. Esta foi a primeira vez que não se verificaram casos de dependência de droga por parte de jovens ao longo do registo do IAS, iniciado em 2009.
A droga mais utlizada foi a metanfetamina (ice), que correspondeu a 22,7% dos toxicodependentes, seguida pela heroína (9,1%), canábis (4,5%), midazolam (dormicum) e cocaína, ambas representaram 2,3%.
A nota de imprensa sobre a reunião não expôs toda a análise do sistema de registo central de toxicodependentes, no entanto, um relatório publicado no portal electrónico do combate à droga do Governo avançou mais detalhes sobre as pessoas afectadas pela toxicodependência.
Segundo o documento, do registo entre Janeiro e Junho do corrente ano, a idade mínima dos toxicodependentes é de 22 anos, enquanto a máxima é de 78 anos. A proporção de mulheres toxicodependentes situou-se em 27,1%, o que representa um ligeiro aumento, de 7,1 pontos percentuais, em comparação com o mesmo período do ano passado. Tanto os não residentes em Macau (20%) como os não chineses (17,6%) apresentaram uma diminuição em termos anuais.
Os toxicodependentes continuam a residir maioritariamente na Zona Norte, representando 42,4% dos casos. O número de desempregados entre toxicodependentes registados subiu para 40% do total. Já 29,4% tinham antecedentes criminais, com um acréscimo de 7,9 pontos percentuais quanto ao primeiro semestre de 2024.
O relatório do IAS indica ainda que os toxicodependentes gastaram mais em droga, sendo que a despesa média mensal para estupefacientes se fixou em 2.359,4 patacas, um valor mais elevado em comparação com as 2.172,7 patacas do mesmo período do ano passado.
Em relação a lugares de consumo, 58,4% ocorreram em casa e 14,2% na casa de amigos, enquanto 8% escolheram consumir a droga em hotéis, e 7,1% em locais menos ocultos como parques, ruas e sanitários públicos.
Quanto às razões para o consumo de droga, 43,4% disseram ter recorrido à droga para “reduzir o stress/angústia/frustração/melancolia”, percentagem semelhante ao mesmo período do ano passado. Os dados revelam ainda que 18,9% dos toxicodependentes mencionaram a “influência dos amigos”.
Existem actualmente 28 departamentos governamentais e associações que auxiliam o registo de dados para o Sistema do Registo Central dos Toxicodependentes, a fim de se poder “definir as políticas de combate à droga e criar os respectivos serviços” de forma melhorada, salientou o IAS.
MAIS DROGAS NA LISTA DE CONTROLO
Além da estatística de toxicodependentes, o trabalho sobre o controlo de droga foi também tema para a sessão plenária da Comissão de Luta contra a Droga, que se realizou na segunda-feira.
O Lam, secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, que presidiu a reunião, disse que depois da revisão da lei de “Proibição da produção, do tráfico e do consumo ilícitos de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas” em Junho, o Governo está agora a avançar com a legislação relativa a seis substâncias recentemente incluídas na lista pela 68.ª sessão da Comissão das Nações Unidas para os Estupefacientes.
“A Comissão de Luta contra a Droga acompanha de perto a evolução da regulamentação e as tendências de abuso relacionadas com drogas emergentes nas regiões vizinhas. Continuará a recolher, avaliar e analisar as opiniões dos membros e das organizações relevantes, para garantir que Macau se mantenha em conformidade com as normas internacionais e regionais, reforçando assim a eficácia de prevenção e combate à droga”, afirmou a governante.
De acordo com um comunicado do IAS, na reunião foi proposto o lançamento de actividades antidrogas “mais diversificadas”, incentivando os jovens a assumirem um “papel activo” nas iniciativas de combate à droga.
Foram ainda abordadas as dificuldades e restrições enfrentadas pelos jovens reabilitados quando se reintegram na sociedade. Neste caso, a Comissão espera reforçar a colaboração entre unidades médicas e de serviços sociais, criar mecanismos para promover a participação de indivíduos em reabilitação de drogas em formações profissionais.











