O fotógrafo e curador João Miguel Barros apresenta em Outubro um livro dedicado a revelar todos os detalhes – “mesmo os mais controversos” – sobre a performance artística de 1995 “To Add One Meter To An Anonymous Mountain”. A obra inclui declarações inéditas dos artistas envolvidos, 213 ilustrações e 45 documentos nunca antes publicados.
O novo livro de João Miguel Barros, “A Verdade Impossível”, vai estar disponível a partir de meados do próximo mês de Outubro. Trata-se de um estudo exaustivo sobre a performance “To Add One Meter To An Anonymous Mountain”, que inclui documentos oficiais e declarações inéditas dos artistas envolvidos no projecto que a editora Ochre Space considera “uma das mais importantes performances artísticas da arte contemporânea chinesa”. O lançamento oficial do livro vai acontecer na próxima edição do Festival Literário de Macau, agendada para Março de 2026, como confirmado pelo autor ao PONTO FINAL.
Numa nota enviada às redacções, a editora sediada em Lisboa – que actua também como galeria de arte fotográfica e audiovisual – revela que a obra “resulta de uma extensa investigação que ocorreu ao longo dos últimos três anos, com múltiplas entrevistas e conversas, análise de informação dispersa por diversas fontes e consulta dos Arquivos da Bienal de Veneza e do Getty Research Institute, em Los Angeles”.
O livro tem em foco um período de cerca de uma década, contextualizando os acontecimentos que antecederam e sucederam o momento da performance, em Maio de 1995. Antes disso, explica-se o surgimento da comunidade de artistas avant-garde Beijing East Village e a subsequente dissolução do grupo pela polícia – que continuou, mesmo assim, a colaborar em projectos artísticos.
Os anos que se seguiram são também contemplados no livro documental de João Miguel Barros, que detalha as “rivalidades e disputas pela autoria da performance” despoletadas pela selecção da fotografia final para a Bienal de Arte de Veneza de 1999. O último ano do milénio é também o último a figurar na obra, que conta ainda com uma cronologia de acontecimentos políticos e culturais que abrange o período entre 1976, com o fim da Revolução Cultural, e o ano de 1999.
“O volume, com 472 páginas e profusamente ilustrado, é escrito de forma simples e acessível”, lê-se no comunicado. “Inclui 45 documentos oficiais inéditos que dão uma nova luz ao conflito surgido sobre a autoria da performance durante a Bienal de Arte de Veneza e que mostram o poder dos ‘lobbies’ na protecção dos interesses de representação de um dos artistas”. Os leitores têm também acesso a testemunhos inéditos dos dez artistas envolvidos na performance, do curador, dos fotógrafos e de “diversos outros testemunhos relevantes de artistas, curadores e críticos de arte”.
O comunicado da Ochre Space conta com uma declaração do fotógrafo Lu Nan, dirigida ao autor. “Esta é a primeira vez que me pronuncio sobre esta obra de arte performativa. O teu trabalho é tão profundo que merece que eu escreva algo a seu respeito”, escreve Lu Nan, um dos mais prestigiados fotógrafos chineses. “Após a publicação do teu livro, acredito que as pessoas irão revisitar e reavaliar o que foi dito sobre esta performance, porque ele abrirá diversas questões novas. Na minha opinião, este livro será mais importante do que todas as discussões anteriores sobre esta performance”.
Entre Maio e Junho, João Miguel Barros já tinha apresentado na sua galeria em Lisboa uma exposição sobre a performance do grupo artístico de Pequim, a propósito do 30.º aniversário deste projecto.
Em 11 de Maio de 1995, uma dezena de artistas pertencentes a esta comunidade – Cang Xin, Duan Yingmei, Gao Yang, Ma Liuming, Ma Zhongren, Wang Shihua, Zhang Binbin, Zhang Huan, Zhu Ming e Zuoxiao Zuzhou – procuraram “acrescentar um metro” a uma montanha em Pequim ao formarem uma pirâmide com os seus corpos nus.
Na brochura da mostra, divulgada na ocasião, o curador João Miguel Barros afirmava que “o magnetismo e a força que emana daqueles dez corpos nus deitados no topo de uma montanha, aparentemente silenciosa, irá atrair ainda muitos interessados ao longo dos anos e continuará a resistir à passagem do tempo”.












