Transferência de soberania de Macau assegurou “identidade cultural” da região, diz Montenegro

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Xi Jinping e Luís Montenegro encontraram-se ontem em Pequim. Após o encontro, o Presidente chinês afirmou que Portugal é um “bom amigo da China”, lembrando a “forma adequada” com que os países resolveram a questão da transferência de soberania de Macau. O primeiro-ministro português, que hoje passa pela RAEM, afirmou que a transição de Macau representou “uma boa expressão da forma como conseguimos convergir e conseguimos garantir a identidade cultural”.

Em Pequim, Luís Montenegro encontrou-se ontem com Xi Jinping. Numa breve declaração após a reunião, o Presidente chinês considerou que ambos os países resolveram “de forma adequada a questão de Macau através de negociações amistosas”.

O primeiro-ministro português, que está agora de passagem pela RAEM,manifestou concordância com as palavras de Xi Jinping sobre a forma como decorreu a transição da administração de Macau de Portugal para a China, em 1999. “Tivemos na transição de Macau uma boa expressão da forma como conseguimos convergir e conseguimos garantir a identidade cultural e o relacionamento entre a região administrativa especial de Macau, com Portugal e com a China”, disse.

Montenegro afirmou também que conta com a sua relação próxima com a Rússia para que seja possível “construir uma paz justa e duradoura” na Ucrânia.”Não posso deixar de, em nome do Governo de Portugal, transmitir ao Sr. Presidente que contamos muito com o vosso contributo e a relação próxima que a China mantém com a Federação Russa para podermos, o mais rápido que seja possível, construir uma paz justa e duradoura na Ucrânia”, afirmou, citado pela Agência Lusa.

Mais tarde, o primeiro-ministro manifestou-se confiante de que o apelo que dirigiu ao Presidente da China para utilizar a relação próxima com a Rússia a favor da paz na Ucrânia “não cairá em saco roto”, vindo de “um país amigo”.

Luís Montenegro, questionado pelos jornalistas na Cidade Proibida sobre que eco teve de Xi Jinping, afirmou: “Eu creio que o apelo, vindo de um país amigo, vindo de um país da União Europeia, vindo de um país, como o Sr. Presidente Xi Jinping enfatizou também, que tem uma identidade de valores e de percurso, não cairá em saco roto”, afirmou.

Dizendo não poder responder pelo Presidente da República Popular da China, Montenegro manifestou-se convicto de que Portugal tem feito o que lhe é exigido quanto a este conflito.

“A minha convicção é que, à nossa dimensão e sem nenhum tipo de pretensiosismo, nós fazemos aquilo que se exige a uma nação com a história e com a respeitabilidade internacional que Portugal tem. Nós somos construtores de pontes, nós somos protagonistas da aproximação entre povos, nós somos defensores da paz, defensores dos valores, do respeito pelos direitos das pessoas”, sublinhou.

Montenegro considerou que, no encontro com Xi Jinping, se limitou “a ser franco, leal e directo no apelo” para que a capacidade de influência da China possa ser desenvolvida e “trazer resultados práticos” para a Ucrânia.

Antes, Montenegro sublinhou que, no contexto internacional, Portugal e a China têm mantido “em muitas ocasiões uma base de cooperação e de partilha de valores”.

“A China tem um papel fundamental no contexto global e internacional, é membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas e nós esperamos o vosso contributo para podermos construir pontes entre povos, aproximar alguns daqueles que se encontram em conflito, promover a paz, promover o multilateralismo, promover o respeito pelos direitos humanos”, afirmou.

“Como o Sr. Presidente afirmou, Portugal e a China têm uma relação fundada numa história que partilharam com vários momentos em comum, mas também uma relação virada para o futuro. Recordo bem a visita do Sr. Presidente a Portugal há sete anos e quero transmitir-lhe também os cumprimentos do Sr. Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa”, disse.

Luís Montenegro aterrou em Pequim ao início da tarde de segunda-feira. A agenda oficial do primeiro-ministro começou com uma cerimónia de deposição de uma coroa de flores no monumento aos Heróis do Povo, na Praça Tiananmen, em que esteve acompanhado pela mulher e pelos três ministros que integram esta visita: Paulo Rangel, ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Manuel Castro Almeida, ministro da Economia e da Coesão Territorial, e Graça Carvalho, ministra do Ambiente e Energia. Depois da passagem por Macau, o primeiro-ministro português seguiu viagem para o Japão.

“PORTUGAL É UM BOM AMIGO DA CHINA”, ASSINALA XI

Depois do encontro com Montenegro, Xi Jinping, referiu que “Portugal é um bom amigo da China”, e elogiou o papel internacional dos anteriores primeiros-ministros António Guterres, Durão Barroso e António Costa.

“Lembro que em 2018 eu fiz uma visita de Estado a Portugal, que me deixou uma bela impressão, e profunda”, disse, aproveitando para pedir a Montenegro que transmita ao chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa, “sinceros cumprimentos”, de acordo com a tradução simultânea para português das suas declarações.

O Presidente chinês salientou que China e Portugal “são ambos países com profunda história, e os dois povos possuem idiossincrasia, abertura, inclusão, progresso e autonomia”, defendendo que “Portugal desempenha um papel importante e singular no palco internacional”.

Xi Jinping destacou ainda “o papel importante” desempenhado por três antigos primeiros-ministros portugueses nos assuntos internacionais e regionais. “O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e o ex-presidente da Comissão Europeia Durão Barroso. Eu tenho boas relações com eles”, frisou.

“Portugal também foi o primeiro país da Europa Ocidental a assinar com a China actos de cooperação no âmbito da iniciativa ‘uma faixa, uma rota’, e o primeiro país da Zona Euro que emitiu títulos” na moeda chinesa, disse.

Citado pela agência estatal chinesa Xinhua, o Presidente chinês destacou também que, nos últimos anos, os dois países alcançaram resultados profícuos na cooperação em diversas áreas, estabelecendo um modelo de respeito mútuo e benefício mútuo para países com diferentes sistemas sociais e condições nacionais.

Salientando que este ano se assinala o 20.º aniversário do estabelecimento da parceria estratégica abrangente China-Portugal, Xi afirmou que o país está disposto a reforçar a comunicação estratégica com Portugal, a orientar as relações bilaterais na direcção certa, a tornar as boas relações ainda melhores e a contribuir ainda mais para a prosperidade e o progresso dos dois países e do mundo através da solidariedade e da cooperação.

“Quanto mais turbulento e interligado se torna o panorama internacional, maior é a necessidade de a China e a Europa reforçarem a comunicação, reforçarem a confiança mútua e aprofundarem a cooperação”, disse Xi, apelando a Portugal para que trabalhe com a China para manter o posicionamento da parceria China-UE e promover o desenvolvimento sustentado, estável e saudável das relações China-UE.