Esquema de falso emprego terá lesado cerca de 100 filipinos

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Segundo a TDM, o número de vítimas do alegado esquema de falso emprego na Avenida Horta e Costa subiu para 100. 22 dos lesados terão de abandonar Macau até domingo, apesar de ainda não terem recebido os salários em dívida e de alegarem não ter como comprar os bilhetes de avião para as Filipinas.

O número de vítimas lesadas no esquema de falso emprego perpetrado por uma residente de nacionalidade filipina subiu para cerca de 100, de acordo com novas informações obtidas pela TDM.

Em entrevista ao canal televisivo, a presidente da União Progressista dos Trabalhadores Domésticos de Macau, Jassy Santos, avançou que tem acompanhado as “quase 100 vítimas” do caso, todas de nacionalidade filipina. Os números não foram ainda confirmados pelo Consulado Geral das Filipinas em Macau, que revelou no início do mês ter recebido 50 queixas relacionadas com o caso e prometeu prestar apoio legal aos lesados.

Jassy Santos acrescentou que o título de Identificação de Trabalhador Não Residente (‘bluecard’) de 22 dos lesados foi revogado na passada sexta-feira, embora as quotas de contratação do restaurante japonês em causa permaneçam inalteradas. Segundo a presidente da associação, as vítimas foram contactadas por uma alegada “agência de investimento” envolvida no caso, que instou as mais de duas dezenas de pessoas a dirigirem-se aos Serviços de Migração para que os respectivos vistos de trabalho fossem cancelados.

Dezassete dos ex-trabalhadores conseguiram estender a permanência em Macau por mais uma semana, até domingo. “No entanto, cinco vítimas não conseguiram essa extensão”, salientou Jessy Santos.

Uma das vítimas contactadas pela TDM assumiu-se “desiludida e cansada” com a situação, alegando não ter possibilidades para comprar bilhetes de avião para regressar a casa. “Não temos nem um tostão. Espero que antes de voltarmos às Filipinas seja possível, pelo menos, recuperar os nossos salários”, desabafou. A mulher, de nome Rhein, adiantou ainda que a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) já informou as vítimas de que a entidade empregadora afirma não dispor de dinheiro suficiente para pagar os salários em dívida.

Sublinhando que as vítimas estão a passar por graves carências financeiras e “a lutar para conseguir comer”, Jessy Santos defendeu que a solução para a compra das passagens aéreas pode passar pela ajuda do Departamento de Trabalhadores Migrantes do Consulado Filipino (DMW, na sigla em inglês). “Queremos que eles [Consulado] acedam ao fundo de apoio da DMW para comprar bilhetes de avião para as vítimas”, reforçou, citada pela mesma fonte.

Segundo a TDM, para além do restaurante japonês e da agência de investimento que contactou os lesados, existem pelo menos mais dois estabelecimentos envolvidos no caso. A emissora de televisão diz ter procurado obter esclarecimentos sobre estas empresas junto do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) e da DSAL – a quem questionou, também, sobre a possibilidade de accionar o fundo de pagamento de salários em dívida. Até ao momento, nenhum dos organismos respondeu a estas questões.

Os detalhes do caso foram divulgados no dia 16 de Julho pela Polícia Judiciária (PJ), dando conta de um caso de burla através de um esquema de falso emprego. Segundo apuraram as autoridades, a proprietária de um restaurante japonês na zona da Avenida de Horta e Costa, uma residente de nacionalidade filipina de 50 anos, terá começado em Outubro do ano passado a publicar anúncios nas redes sociais em que alegava procurar funcionários para um estabelecimento de comida e alegava estar disponível para ajudar na aquisição de ‘bluecards’. Depois de entrar em contacto com os interessados, a empresária exigia que cada pessoa lhe pagasse, de adiantamento, entre 14 mil e 22 mil patacas, que serviam como “despesas de processo” para o ‘bluecard’. A mulher deixou ainda o compromisso de concluir todas as formalidades para a importação de trabalhadores não-residentes no prazo de dois meses.

Depois de receber o dinheiro, a mulher recorria a “varias desculpas para atrasar o processo” e, quando as vítimas solicitavam o reembolso, recusava e acabava por deixar de estar contactável. As vítimas que tiveram acesso a visto de trabalho terão passado meses sem receber salários e trabalhado mais de 12 horas por dia. As autoridades referiram que, no total, a suspeita terá conseguido amealhar cerca de 500.000 patacas em numerário. Após a detenção, a mulher admitiu a prática de burla e confessou que o dinheiro tinha sido utilizado para as despesas diárias do restaurante, recusando-se a revelar mais pormenores.