O Governo chinês vai dar subsídios anuais de 3.600 yuan a cada criança com menos de 3 anos, num esforço para aumentar os nascimentos e compensar os efeitos da política de filho único. Esta política foi introduzida em 1979 e abolida em 2015, permitindo que os casais tivessem dois filhos. Em 2021, as autoridades chinesas alteraram novamente a medida para permitir três filhos por casal. De acordo com a agência de notícias estatal chinesa Xinhua, o pagamento será concedido retroactivamente a 1 de Janeiro de 2025 e estará disponível para todas as famílias, independentemente de a criança em questão ser o filho primogénito. Espera-se que mais de 20 milhões de casais sejam elegíveis para este benefício, a cada ano.
Os subsídios vão estar isentos de Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS) e não serão contabilizados como rendimentos familiares ou individuais na identificação de beneficiários, como os que já recebem ajudas de custo ou os que se encontram em situação de extrema vulnerabilidade. Os subsídios para cuidados infantis podem ser solicitados tanto ‘online’ como pessoalmente, embora os governos provinciais estabeleçam calendários de desembolso específicos com base nas circunstâncias locais. Além do Governo central, várias cidades têm lançado ajudas para promover o aumento das taxas de natalidade. Em Hohhot, capital da Mongólia Interior, o governo local anunciou, em Março, que os casais iam receberiam 50.000 yuans por um segundo filho e 100.000 yuans por um terceiro.
A China decidiu enfrentar a grave crise demográfica do país, que ameaça reduzir a população para menos de 800 milhões até 2100, face aos 1,408 mil milhões do final do ano passado, de acordo com as projeções da ONU. A população da China voltou a cair em 2024 pelo terceiro ano consecutivo, em quase 1,4 milhões de pessoas, de acordo com o Gabinete de Estatísticas chinês, depois de terem sido registados 9,5 milhões de nascimentos, mais 520 mil do que no ano anterior. Este aumento pode ser um valor circunstancial atribuível à crença popular de que nascer no Ano do Dragão traz sorte às crianças. Apesar da melhoria da situação, esta é a segunda taxa de natalidade mais baixa desde a fundação do país, em 1949. A China tem actualmente uma taxa de fertilidade de 1,18 filhos por mulher, de acordo com dados do Banco Mundial.













