Jovem sueco cumpriu sonho de criança. Surpreendeu tudo e todos ao dominar o Rali da Estónia do princípio ao fim e entregou à Toyota a centésima vitória no mundial de ralis. Ott Tänak (Hyundai) assumiu a liderança do campeonato.
“Surpreendente. Acho que ninguém estava à espera deste vencedor”. Os comentadores da emissão de TV do Rali da Estónia estavam estupefactos ao narrarem as imagens que chegavam em directo do habitáculo do Toyota GR Yaris Rally1 de Oliver Solberg. O jovem sueco, navegado pelo britânico Elliott Edmondson, tinha acabado de cruzar a meta da última especial, confirmando a vitória com uma margem de 25.2 segundos para o estónio Ott Tänak. Tinha lágrimas no rosto. E não era para menos. Tornou-se, aos 23 anos, o terceiro mais jovem de sempre a vencer na categoria principal do WRC.
“Estou tão feliz. Foram tantos anos a sonhar e a trabalhar para este momento. Quero agradecer à Toyota por me ter dado esta oportunidade. Nunca me diverti tanto na vida, obrigado”, agradeceu Solberg no final.
Voltemos ao princípio. Porque é que ninguém esperava a vitória do sueco. É simples: Oliver Solberg, líder do mundial WRC2, foi convidado há duas semanas pela Toyota para colmatar a ausência programada do francês Sébastien Ogier na Estónia. Carro diferente, pouco tempo para testar e adversários de respeito. E não esquecer a oportunidade perdida na Hyundai, também com um Rally1, há um par de anos. Fatores que à partida baixavam as expectativas.
A verdade é que Solberg adaptou-se rapidamente ao Toyota GR Yaris Rally1. Assumiu a liderança do rali logo na sexta-feira depois de vencer a segunda especial e controlou as operações até ao final do evento, tendo sido o mais rápido em 9 das 20 classificativas.
O filho do campeão do mundo de 2003, Petter Solberg – que estava à espera de Oliver na linha de meta – dificilmente vai esquecer a experiência vivida na Estónia. “É o melhor dia da minha vida. Nem sequer consigo descrever em palavras. Ainda não tenho bem a noção daquilo que alcançámos. Estava apenas a tentar divertir-me a cada especial. Mas é surreal quando olhas para os nomes que tens atrás de ti, são os mais rápidos do mundo. Tentei desligar-me disso e aparentemente resultou”, explicou o sueco.
O co-piloto Elliot Edmondson também estava nas nuvens: “O resultado é absolutamente fantástico, mas a nossa prioridade era aprender o carro. Conseguir isso com uma vitória é surreal. É um sentimento completamente incrível”.
Ott Tänak assume liderança do mundial
A correr em casa, o estónio Ott Tänak, auxiliado pelo co-piloto Martin Järveoja, teve de contentar-se com o segundo lugar. Os 24 pontos alcançados no evento fizeram subir o piloto da Hyundai à liderança do campeonato. Tem agora 162 pontos, mais um do que o galês Elfyn Evans, que terminou em sexto.
“Penso que fizemos o melhor possível este fim de semana. Mesmo sem o erro, que me fez perder vários segundos no sábado, era difícil bater o Oliver. Já sabia das dificuldades nestes troços rápidos da Estónia, com muitos saltos. Mas aprendemos muito para o Rali da Finlândia, onde vou abrir a estrada. Vamos ver como será”, afirmou Tänak.
O estónio manteve uma luta interessante com Thierry Neuville. O belga, actual campeão do mundo e companheiro de equipa de Tänak na Hyundai, andou numa espécie de jogo do gato e do rato com o estónio até que uma infração no arranque de uma classificativa levou a uma penalização de 10 segundos. Depois chegaram as ordens da Hyundai para não atacar Tänak. O segundo e terceiro lugares eram ‘ouro’ para a marca sul-coreana, uma vez que o Toyota de Solberg não estava inscrito para pontuar no mundial de construtores.
Thierry Neuville e Martijn Wydaeghe terminaram o rali a 48.3 segundos de Solberg, mas com a nota positiva de somarem um pódio, algo que já não acontecia desde o Rali do Quénia.
Kalle Rovanperä (Toyota) voltou defraudar as expectativas. O finlandês tinha vencido as últimas três edições do Rali da Estónia, ainda foi o mais rápido no ‘shakedown’, mas teve de contentar-se com o quarto lugar, não tendo mostrado andamento para ombrear com os primeiros.
Adrien Fourmaux (Hyundai) fez um rali de trás para a frente, tendo chegado até à quinta posição, numa prova em que optou por não correr muitos riscos. Ainda foi ameaçado por Elfyn Evans (Toyota), mas o galês acabou por terminar em sexto, beneficiando do abandono do japonês Takamoto Katsuta à entrada para a ‘Wolf Power Stage’.
Seguiram-se Sami Pajari (Toyota) e o trio da M-Sport Ford, com Martins Sesks à cabeça. O letão venceu o mini-campeonato entre os Ford Puma Rally1 – cujas máquinas continuam sem argumentos para lutar pelos primeiros lugares – levando a melhor em relação ao irlandês Joshua McErlean e ao luxemburguês Grégoire Munster.
Virves vence no WRC2
O estónio Robert Virves, navegado por Jakko Viilo, foi o vencedor na categoria WRC2. O piloto da Toksport, ao volante de um Skoda Fabia RS Rally2, não deu grande margem de manobra ao compatriota Georg Linnamae (Toyota GR Yaris Rally2), apesar de ter enfrentado uma infecção alimentar durante o fim de semana. O finlandês Roope Korhonen (Toyota GR Yaris Rally2) completou o pódio. Os resultados tiveram pouca influência nas contas do mundial WRC2, uma vez que os principais candidatos ao título não se apresentaram na Estónia, sendo que Solberg, que lidera o mundial, esteve ao volante de um Rally1. Yohan Rossel, Gus Greensmith e Roberto Daprà devem voltar à competição no WRC2 na gravilha rápida da Finlândia, tal como Oliver Solberg.
O Rali da Finlândia vai para a estrada entre 31 de Julho e 3 de Agosto.
Campeonato do Mundo de Ralis / WRC
- Ott Tänak 162
- Elfyn Evans 161
- Sébastien Ogier 141
- Kalle Rovanperä 138
- Thierry Neuville 114
- Adrien Fourmaux 71
- Takamoto Katsuta 63
- Oliver Solberg 52
- Sami Pajari 38
- Grégoire Munster 19











