Confiança dos consumidores desce no segundo trimestre

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FOTOGRAFIA ELOI CARVALHO

 

O índice de confiança dos consumidores de Macau caiu cerca de 2% entre Abril e Junho de 2025, sobretudo no que respeita à estabilidade da economia e às condições de emprego no território. No seu relatório trimestral, a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST) justifica estes dados com a “actual conjuntura económica complexa e volátil”, marcada por incertezas e potenciais riscos.

 

O abrandamento do crescimento económico e os desafios do mercado de trabalho impactaram a confiança dos consumidores de Macau no segundo trimestre de 2025, de acordo com um inquérito conduzido pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla em inglês). Os resultados agora divulgados apontam para um decréscimo de 2,11 pontos – ou 2,03% – no índice de confiança dos consumidores comparativamente ao trimestre anterior, fixando-se agora numa pontuação de 101,71.

Dos seis subíndices integrados no inquérito, apenas um subiu: “acções e investimentos”, com um crescimento trimestral de 3,42% no período em análise. Por outro lado, as classificações relativas à “qualidade de vida”, à “compra de casas” e ao “nível de preços” tiveram decréscimos homólogos de 1,13%, 0,93% e 0,29% respectivamente. Os indicadores de referência à “economia local” e ao “emprego” foram os que mais regrediram, com descidas respectivas de 6,96% e 6,83%.

Importa sublinhar que, de acordo com os critérios estabelecidos pela MUST, uma pontuação inferior a 100 pontos significa que os consumidores demonstram “pouca confiança” no indicador em questão. Embora a instituição note que o índice geral ultrapassa esta meta – mantendo-se, portanto, no “intervalo optimista acima dos 100 pontos” –, verifica-se um maior pessimismo em relação aos subíndices de “economia local”, “emprego”, “aquisição de habitação” e “nível de preços”, todos com classificações entre os 93 e os 99 pontos.

Em comunicado enviado às redacções, a universidade explica que estes resultados espelham a actual situação económica a nível internacional, em que “o enfraquecimento da dinâmica do crescimento económico global, o aumento das barreiras comerciais e a divergências no desempenho das principais economias” suscitam “incertezas” quanto à tendência da inflação e à estabilidade do mercado mundial.

“A economia da China continental apresenta uma tendência ascendente, com a confiança social a aumentar e o desenvolvimento de alta qualidade a progredir de forma constante, mas continua a apresentar dificuldades e desafios como a insuficiência da procura interna, a persistência de preços baixos e o aparecimento de potenciais riscos e perigos”, refere o relatório. De forma idêntica, embora a confiança dos consumidores de Macau se mantenha, de modo geral, acima do nível “positivo”, as preocupações face ao mercado imobiliário e ao mercado de trabalho têm registado uma tendência crescente.

As conclusões da MUST são claras: “perante a actual conjuntura económica complexa e volátil, o Governo e os vários sectores da comunidade têm de trabalhar em conjunto e tomar medidas práticas e eficazes para enfrentar os potenciais riscos”. Estes resultados podem ser alcançados através de medidas como o “encorajamento da inovação e das actividades empresariais”, o estímulo da “vitalidade do mercado” e a “promoção de um desenvolvimento económico diversificado”, ao mesmo tempo que se reforça a “formação profissional e a qualidade global da mão-de-obra” na região. “As respostas proactivas e os ajustamentos atempados a nível político ajudarão a estabilizar a confiança dos consumidores e a promover o desenvolvimento sustentável e saudável da economia de Macau”, conclui o relatório.

O índice de confiança do consumidor tem como objectivo quantificar, de forma abrangente, as opiniões dos consumidores quanto à situação e ao desempenho económico actuais, sendo frequentemente usado como indicador para prever tendências da economia e de hábitos de consumo.

O Instituto para o Desenvolvimento Sustentável da MUST conduz este estudo trimestral desde 2008, contando com o patrocínio da Fundação Macau. Neste trimestre, foram recolhidos questionários de resposta de 809 residentes com idade igual ou superior a 18 anos, entre 1 e 10 de Junho.