Apesar do acordo sobre materiais inertes, Governo não abdica da Ilha Ecológica

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O acordo de cooperação para a deposição de materiais inertes nas áreas marítimas do interior da China não dispensa a construção da Ilha Ecológica, indicou ontem Raymond Tam, secretário para os Transportes e Obras Públicas. O governante reiterou a importância do aterro a ser construído a Sul de Coloane, lembrando que Macau é um território exíguo e, além disso, há determinados materiais inertes que não são aceites pelo interior da China.

 

O acordo de cooperação para a deposição de materiais inertes nas áreas marítimas do interior da China não demove o Governo da ideia de construir um aterro a Sul de Coloane que tem como objectivo receber resíduos de construção. Na reunião plenária de ontem da Assembleia Legislativa (AL), Raymond Tam reiterou a intenção do Executivo.

A propósito de uma interpelação oral de Lam Lon Wai sobre o desenvolvimento das áreas marítimas de Macau, Ron Lam e Lo Choi In aproveitaram para perguntar ao secretário se a assinatura do acordo entre a RAEM e as autoridades do interior da China não podia dispensar a construção da Ilha Ecológica.

Não respondendo directamente às questões dos deputados, o secretário para os Transportes e Obras Públicas frisou que “Macau é um território exíguo e pequeno e, nesse pressuposto, as soluções de outras partes do mundo podem não se aplicar” ao território. Além disso, “a nível regional há limitações quanto ao tratamento de materiais e claro que certos materiais, por lei, o interior da China não aceita”.

O antigo director dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) lembrou também que em 2016, quando chegou ao organismo, o aterro para resíduos de materiais de construção que existe em Macau já estava saturado.

Há mais de um ano, o Governo propôs a construção desta Ilha Ecológica. Este projecto consiste na criação de aterro na zona marítima a cerca de um quilómetro da costa, entre Hac Sá e Cheoc Van, que servirá para a deposição de resíduos de construção, cinzas de incineração de lixo, cinzas volantes solidificadas e resíduos de construção. No entanto, este projecto tem vindo a ser criticado porque, segundo os ambientalistas, é uma importante área de habitat dos golfinhos brancos chineses.

Uma investigação sobre os golfinhos brancos realizada pela Universidade de Zhongshan indicou que, entre 2020 e 2021, 144 golfinhos brancos utilizaram as águas de Macau. Recentemente, a Hong Kong Dolphin Conservation Society pediu que o Governo da RAEM voltasse atrás no projecto dizendo que, com a assinatura do acordo com o interior da China, os resíduos poderiam ser levados para o outro lado da fronteira.

Em relação ao desenvolvimento das áreas marítimas, Raymond Tam destacou que, nos últimos anos, o Governo impulsionou o turismo marítimo através da melhoria das infra-estruturas portuárias, do planeamento de carreiras e da garantia da segurança da navegação, apoiando activamente os projectos de turismo marítimo “multi-destinos” e de turismo insular “uma viagem, vários destinos”, por exemplo.