O projecto do Governo para a construção da Ilha Ecológica, aterro a ser construído na zona marítima a Sul de Coloane, perto da Praia de Hac Sá, tem vindo a ser criticado por vários ambientalistas. Agora, tanto a Hong Kong Dolphin Conservation Society como Joe Chan voltaram a criticar o projecto, dizendo que é desnecessário, já que foi assinado recentemente um acordo para a deposição de materiais inertes entre a RAEM e o interior da China.
A recente assinatura do acordo de cooperação para a deposição de materiais inertes nas áreas marítimas do interior da China é mais um factor que mostra que a construção da Ilha Ecológica é desnecessária, defendeu a Hong Kong Dolphin Conservation Society. Ao PONTO FINAL, o ambientalista de Macau Joe Chan secundou a opinião.
Este “Acordo de Cooperação para os Trabalhos de Gestão da Disposição de Materiais Inertes Resultantes de Demolições e Construções de Macau nas áreas marítimas do Interior da China” anunciado há uma semana estabelece um mecanismo de longo prazo para a disposição de materiais inertes resultantes de demolições e construções da RAEM nas áreas marítimas do interior da China. Na altura, o Governo da RAEM explicou o acordo com a necessidade do avanço de obras de grande envergadura, como a construção da Linha Leste do Metro Ligeiro, que vai exigir a utilização de uma máquina perfuradora de túneis. Com o acordo, os materiais inertes resultantes de demolições e construções de Macau poderão ser tratados nas áreas marítimas do Continente.
Há mais de um ano, o Governo propôs a construção desta “Ilha Ecológica”, sob a justificação de que o aterro de resíduos de construção estava saturado. Este projecto consiste na criação de aterro na zona marítima a cerca de um quilómetro da costa, entre Hac Sá e Cheoc Van, que servirá para a deposição de resíduos de construção, cinzas de incineração de lixo, cinzas volantes solidificadas e resíduos de construção. No entanto, este projecto tem vindo a ser criticado porque, segundo os ambientalistas, é uma importante área de habitat dos golfinhos brancos chineses. Uma investigação sobre os golfinhos brancos realizada pela Universidade de Zhongshan indicou que, entre 2020 e 2021, 144 golfinhos brancos utilizaram as águas de Macau.
Viena Mak, vice-presidente da Hong Kong Dolphin Conservation Society, afirmou, em declarações ao jornal Cheng Pou, que já não é necessário construir a Ilha Ecológica nas águas de Macau e que o Governo deve proteger activamente o habitat dos golfinhos brancos.
A responsável lembrou que o acordo assinado recentemente permite que os resíduos de construção de Macau sejam transportados para o interior da China, “abrindo assim novas possibilidades para os resíduos de construção de Macau”. Por isso, “já não é necessário criar a Ilha Ecológica no habitat dos golfinhos brancos nas águas de Macau”, defendeu. “A protecção dos golfinhos brancos chineses é urgente” e “o Governo deve comprometer-se com os cidadãos a suspender o projecto de aterro da Ilha Ecológica e acelerar o trabalho de criação da reserva de golfinhos brancos de Macau”, pediu a Hong Kong Dolphin Conservation Society.
“Concordo plenamente com a associação de Hong Kong”, afirmou Joe Chan ao PONTO FINAL, justificando que, permitindo que os resíduos sejam transferidos para o interior da China, “deixa de haver urgência” na construção da Ilha Ecológica. Ainda assim, “o Governo de Macau não deve tomar a política da China continental como garantida, pois ainda temos de encontrar métodos para reduzir e reciclar materiais de construção e inertes, porque nem todos os resíduos são aceitáveis”, ressalvou o ambientalista da associação Macau Green Student Union.
Para Joe Chan, as autoridades do interior da China já ajudam a RAEM em muitos problemas ambientais e, por isso, defende que Macau deve “cumprir as suas obrigações” e “reduzir a quantidade de resíduos domésticos e de construção através de regulamentação e educação”.











