Deuses gregos beneficiam Hyundai e Tänak

Construtor sul-coreano conseguiu primeira vitória no campeonato num rali marcado por condições muito duras para pilotos e máquinas. Ott Tänak reforçou candidatura ao título mundial.

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Ott Tänak venceu o Rali da Acrópole e acabou com o jejum de vitórias da Hyundai no WRC. O piloto estónio, navegado por Martin Järveoja, mostrou-se sempre muito rápido ao longo dos três dias de prova e bem pode agradecer aos deuses gregos por não ter registado danos de maior no seu i20 N Rally1. Terminou com uma vantagem de 32.8 segundos para o Toyota do francês Sébastien Ogier e deixou o companheiro de equipa Adrien Fourmaux, que fechou o pódio, a mais de três minutos.

“Foi um fim de semana fantástico, mas também incrivelmente exigente. As temperaturas e as condições na estrada foram grandes obstáculos, mas conseguimos manter os pneus vivos e demonstrar o nosso andamento”, afirmou Tänak, que confessou um problema na caixa de velocidades do seu Hyundai na derradeira especial do rali. “Estava muito preocupado. Perdi a terceira velocidade, as outras faziam barulho. E mesmo quando cruzámos a linha de meta ainda tínhamos 50 quilómetros de ligação até ao parque de assistência. Foi um grande susto, mas correu bem”.

As altas temperaturas – que chegaram a atingir os 70 graus centígrados nos habitáculos – e a superfície rochosa da Grécia fizeram muitas vítimas. Não há sequer memória de tantos furos numa etapa do mundial, com alguns pilotos a serem bafejados pelo azar mais do que uma vez na mesma classificativa. “Evitámos os furos ao forçarmos o andamento nas secções onde o risco era mais reduzido. E levantámos o pé nos locais mais duros, onde o risco era potencialmente maior. Foi essa a chave para a vitória”, confessou o estónio.

Ott Tänak voltou a protagonizar uma intensa batalha com Sébastien Ogier (Toyota GR Yaris Rally1) – já tinha sido assim em Portugal e na Sardenha. Desta vez o estónio levou a melhor e reforçou a corrida ao mundial de ralis. Saiu da Grécia com 30 pontos, mais três do que Ogier (o gaulês venceu a Wolf Power Stage) e mais 13 do que Elfyn Evans. O galês da Toyota, líder do campeonato, terminou o Rali da Acrópole na quarta posição, resultado que até não foi mau de todo tendo em conta a ingrata tarefa de abrir a estrada na sexta-feira.

Evans soma agora 150 pontos. Sébastien Ogier, oito vezes campeão mundial, tem 141, mas mantém a ideia de falhar algumas das próximas rondas para passar mais tempo junto da família. Recorde-se que no ano passado o francês reconsiderou ao abrir-se a possibilidade de um nono título. Tänak está no terceiro lugar do campeonato com 138 pontos.

“Não havia grande coisa a fazer perante o ritmo elevado do Ott. Dou-lhe os parabéns porque mereceu a vitória. E nós podemos ficar felizes por termos conseguido 27 pontos. Penso que era o máximo que podíamos alcançar neste fim de semana”, disse Ogier.

Quem também mostrou serviço em solo helénico foi Adrien Fourmaux. O francês da Hyundai vinha de um conjunto de maus resultados, tendo saído de Portugal e da Sardenha de mãos a abanar. Fourmaux, navegado pelo compatriota Alexandre Coria, venceu várias classificativas e fechou o rali no terceiro lugar do pódio.

“Foi para mim um dos ralis mais difíceis de sempre. As temperaturas são muito elevadas e o solo é extremamente abrasivo, cheio de pedras soltas. Ainda tentei chegar ao segundo lugar mas ficou impossível após o problema no eixo traseiro. Foi por isso muito importante segurar o terceiro lugar”, confessou o francês, fazendo referência ao impacto na PEC10 que danificou a suspensão do Hyundai, tendo perdido muito tempo.

 

Neuville em maré de azar

Thierry Neuville ficou novamente abaixo das expectativas. O atual campeão do mundo até chegou a liderar mas dois furos no primeiro dia de prova ‘roubaram-lhe’ cerca de três minutos. Não faltaram críticas aos pneus da Hankook. O belga da Hyundai, que faz dupla com o compatriota Martijn Wydaeghe, continua sem vencer em 2025 e dificilmente entrará na corrida pelo título. Ocupa nesta altura o quinto lugar do campeonato, a 54 pontos de Elfyn Evans.

“Não foi o fim de semana que esperávamos. Tivemos vários furos e outros problemas. Vamos agora concentrar-nos em amealhar um grande conjunto de pontos no Rali da Estónia”, desabafou.

O azar bateu à porta de uma mão cheia de pilotos do Rally1 – apenas cinco dos carros da categoria principal terminaram no ‘top-10′. Grégoire Munster (Ford) foi obrigado a abandonar quando ocupava o sexto lugar com problemas no sistema de combustível. O mesmo aconteceu com Martins Sesks (Ford) e com Sami Pajari (Toyota). A FIA revelou que está a investigar a questão.

O japonês Takamoto Katsuta e o finlandês Kalle Rovanperä também desiludiram. Os dois pilotos da Toyota estavam já em dificuldades quando ambos saíram de estrada na PEC11. “Tentei dar o meu melhor, mas é uma grande desilusão este fim de semana, não estive ao nível que deveria estar. Peço desculpa à equipa, vou trabalhar para a Estónia”, prometeu Rovanperä.

Ainda assim o construtor nipónico mantém uma vantagem confortável nas contas do mundial de construtores, tendo beneficiado de um grande arranque de campeonato com vitórias nas cinco primeiras etapas. A Toyota soma agora 358 pontos, a Hyundai tem 293 enquanto que a M-Sport Ford soma apenas 97.

 

Solberg assume liderança do WRC2

Oliver Solberg terminou o Rali da Acrópole num impressionante sexto lugar da classificação geral, apesar de estar aos comandos de um Toyota GR Yaris Rally2. O sueco deixou o Skoda Fabia RS Rally2 de Gus Greensmith a 53.8 segundos. Yohan Rossel (Citroën C3 Rally2) fechou o pódio. Solberg é agora o líder do WRC2 com uma vantagem de cinco pontos para Yohan Rossel.

O mundial de ralis está de regresso entre 17 e 20 de Julho com o Rali da Estónia.