Air Macau com prejuízo de 677 milhões de patacas

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A Air Macau registou no ano passado receitas operacionais de 3,5 mil milhões de patacas, ligeiramente acima do ano anterior, mas viu o prejuízo continuar a agravar-se, com perdas que subiram de 236 milhões para 677 milhões de patacas. A companhia aérea encontra-se em resultado negativo desde 2020, justificando que o prejuízo em 2024 se deveu à “intensificação da concorrência no mercado” no período pós-pandemia.

 

O ano passado foi o quinto ano consecutivo em que a Air Macau sofreu prejuízos no seu exercício anual, com um resultado líquido negativo de 677 milhões de patacas, substancialmente acima do prejuízo de 236 milhões de patacas registado no ano anterior, tratando-se um aumento de perdas de 186% em termos anuais.

O resultado das operações da Companhia de Transportes Aéreos Air Macau foi ontem adiantado no seu relatório anual do Conselho de Administração, publicado em Boletim Oficial. A empresa, a principal companhia aérea de Macau que detém o monopólio do mercado local desde 1995, sendo a única com sede na cidade, explicou no relatório que o agravamento dos prejuízos esteve relacionado com o impacto de “múltiplos factores no período pós-pandemia”, nomeadamente a “intensificação da concorrência no mercado”.

A Air Macau voltou, no ano passado, a não ter lucros distribuíveis aos accionistas, situação verificada desde 2020.

No documento é também destacado que a Companhia registou receitas operacionais de 3,53 mil milhões de patacas em 2024, um crescimento ligeiro (+12%) em relação ao ano anterior de 3,13 mil milhões de patacas.

Recorde-se que o Governo revelou em Dezembro do ano passado que planeia mais uma injecção de capitais públicos na Air Macau com uma despesa orçamentada de 340 milhões de patacas, montante que se destina ao reforço do capital social dessa empresa. O Governo disse que a Air Macau “tem enfrentado uma situação de exploração difícil, que levou a perdas relevantes” devido ao acumular de “vários factores desfavoráveis”, além de se encontrar numa situação de “ausência de mobilidade de capital” e a sentir a “pressão do reembolso” do empréstimo e pagamento dos respectivos juros.

 

MAIS VOOS, MAIS PASSAGEIROS

 

Em relação à situação de operação, “a Companhia manteve o seu excelente histórico de segurança aérea” no ano passado, disse a Air Macau, “totalizando 65.147 horas de voo em segurança durante o ano, com um cenário de segurança estável”. Recorde-se que, no ano anterior, as horas de operação de voo corresponderam a 52.045.

De acordo com a empresa, foram operados 24.170 voos e transportados 3,21 milhões de passageiros ao longo de 2024, representando um aumento homólogo de 49% e 56%, respectivamente, “mantendo a quota de mercado líder no Aeroporto de Macau”, afirmou.

A Air Macau indicou ainda que foram acrescentadas duas novas rotas para Kuala Lumpur e Taichung. Segundo as informações da Autoridade de Aviação Civil, até ao momento, a Air Macau está a operar 26 rotas de voos de passageiros que ligam Macau às cidades do interior da China, de Taiwan, do Japão, de Singapura, de Vietname, da Tailândia, da Coreia do Sul, de Malásia, das Filipinas, do Camboja, do Palau e da Indonésia.

A companhia assinalou no ano passado o seu 30.º aniversário. “Com um compromisso contínuo com serviços de alta qualidade e inovação”, segundo a Air Macau, a empresa foi distinguida com seis prémios de marca pelos seus serviços em 2024. Segundo o relatório, a empresa continuou a realizar o Programa de Formação de Pilotos Cadetes Locais e que já recrutou 8 grupos, com cerca de 50 formandos desde o seu início em 2016, o que “constitui uma equipa sólida e estável de profissionais qualificados para a indústria de aviação civil de Macau”, sublinhou.